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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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VELHOS GUERRILHEIROS 21/08/2008 Eu vi: na
última terça feira, no Canal Brasil,
da TVA, por volta das 23:00 horas eu rodava os canais
quando parei para ouvir os últimos depoimentos da mesa-redonda que tinha
vários ex-guerrilheiros, entre eles Franklin Martins, rememorando o passado
revolucionário. Um clima de confraternização e de comemoração de quem se sabe
no comando das coisas políticas no Brasil. Esses homens são o poder agora. Um
dos feitos relembrados foi o seqüestro do embaixador norte-americano,
idealizado pelo próprio Franklin Martins (tamanha importância que é dada ao
fato está no destaque observado na home
page do jornalista) . Riram-se felizes,
o riso dos vitoriosos O
dramático da narrativa foi a absurda justificativa
para a ação criminosa, que seria fazer contrapropaganda às comemorações do
Dia da Pátria, como se as comemorações do Dia da Pátria fossem meras
propagandas governamentais e não algo que tem profundo significado na alma
dos brasileiros. Segundo os seqüestradores ali presentes, o ato se
justificava porque eles entendiam as referidas comemorações como propaganda
em prol da ditadura. Quero
aqui, meu caro leitor, sublinhar o tamanho da imoralidade cometida. Em
primeiro lugar, depois de tantos anos não se abateu sobre os autores nenhuma
dúvida do seu gesto, que afetou a vida de pessoas inocentes e custou graves seqüelas ao então embaixador Charles Elbrick. A maldade levianamente encomendada não trouxe
remorso algum. Em segundo
lugar, aquele diálogo é a prova de que essa gente construiu uma segunda
realidade, uma falsificação do
real, e nela se
manteve até hoje. O surpreendente não é que tenha sido assim, essa perene
imersão no sonho maligno, mas que esse sonho tenha seduzido a coletividade
brasileira a ponto de tornar essa gente a casta
governante. A loucura de um grupo de alucinados tomou conta de todos no
Brasil. Em
terceiro lugar, vi a manifestação do Mal Lógico de maneira a mais
horripilante. A narrativa de como nasceu a idéia,
como se deu o planejamento, o consórcio das forças subversivas para sua
execução, tudo explicado no horário nobre da TV pelos seus autores, em meio a
risos e gritos de triunfo, foi de um cinismo atroz. Um bando de homens já
velhos, sem qualquer sinal de se dar conta da barbaridade do que fizeram. A
lógica do Mal esmiuçada deveria chocar. Mas não, vemos nas imagens o seu
oposto. A prática do Mal tornou-se motivo de
regozijo. Por fim,
impressiona-me que depoimentos desse naipe não sirvam para que lideranças
genuínas apareçam para fazer frente a essa gente. O poder político no Brasil
foi tomado de assalto por gente moralmente desqualificada e não se vislumbra
nenhum tipo de resistência. Não há liderança, sequer há oposição. O processo
eleitoral é inútil, troca-se seis por meia dúzia. O meio
empresarial, que deveria gestar essas lideranças, está imerso no sonho de que
basta o respeito a algumas regras básicas de mercado para estar tudo bem.
Ora, a carga tributária se aproxima célere dos 40% do PIB, a estatização
voltou à agenda, inclusive com a recente criação do canal estatal de TV (mais
um!) e com a manifesta intenção de se criar mais uma estatal vinculada ao
setor de petróleo. E a persistente e recorrente regulação de todos os
setores, que pode beneficiar alguns que são amigos dos revolucionários no
poder, mas que é a própria negação do livre mercado, o interesse geral da
gente brasileira, nada disso serve de aviso. O empresariado
se comporta como se nada estivesse ocorrendo e não tem ouvidos para ouvir a
voz da razão. É um espanto. Os grandes empresários, quais
cães amestrados, são os mais destacados cabos eleitorais de Lula e do PT. É a
rebelião das massas de que nos falou Ortega y Gasset,
sem tirar nem pôr. O triunfo dos mais perfeitos “senhoritos satisfeitos”, gente de alma hermética e incapaz de enxergar o
real. O que
esperar? O pior, sem dúvidas. O que é pior, só a história irá nos contar. A
angústia de Ortega começou quando estourou a Primeira Guerra mundial. Ele
anteviu Hitler, a Guerra Civil espanhola e todo o resto. Exilado por causa de
suas idéias, Ortega acabou por conversar com as estátuas de Paris, pois não
tinha ouvidos para ouvir o que dizia. Acho que vou começar a fazer discursos
para as estátuas de São Paulo, quem sabe meu sentimento de isolamento e
solidão se dissipe. E minha angústia também. |
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