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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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VEJA:
UMA BARRIGA IRRESPONSÁVEL 26 de dezembro de 2009 MARCELO CAVALCANTE
MORREU em 15 de fevereiro e a revista Veja acabou por ser o veículo que
sedimentou a versão de que ele teria se suicidado, sem se dar conta das
óbvias contradições envolvendo o caso. Veja se encarregou de dar o duplo
veredito, legitimando a versão de suicídio e ligando o caso aos escândalos
envolvendo o nome da governadora Yeda Crusius. Se eu
não achasse que a Veja é uma publicação séria poderia pensar que se tratou de
matéria plantada, a mando dos inimigos políticos do PSDB do Rio Grande do
Sul, notadamente o PT. A matéria veiculada em 13 de maio passado (O caixa dois do caixa dois)
não fez o elementar que consta em manuais de jornalismo, de checar as fontes
e ouvir o outro lado, no caso o irmão Marcos Cavalcante. O subtítulo do texto
mostra a sua grande fragilidade: “Gravações e um depoimento da
empresária Magda Koenigkan lançam uma nova sombra
sobre o governo Yeda Crusius”. Primeiro, as gravações foram no mínimo
suspeitas e enviesadas. Foram feitas pelo amigo de
Marcelo Cavalcante, o conhecido lobista Lair Ferst.
Eu não ouvi as gravações, mas pelo que veio a público tratou-se de uma
armação para enlamear o nome da governadora, então sob fogo cerrado das
denúncias do seu vice, Paulo Feijó, e da bancada do PT. Elas foram feitas à
revelia de Marcelo. A
revista, em nenhum momento, colocou sob suspeita a forma e a motivação para
que o conteúdo dessas fitas – gravações sorrateiras e maquinadas feitas por
um falso amigo, em encontros casuais, tratando de boatos que circulam pela assessoria
de qualquer candidato – viessem a público. Esse material deveria no mínimo ter sido
objeto de reservas quanto à sua honestidade. Quando Marcos Cavalcante me
contou que Marcelo morreu pobre e endividado e que durante toda sua vida foi
um homem pobre cheguei à conclusão de que ele nunca foi homem da mala de quem
quer que seja. Essas personalidades sombrias que transportam malas de
dinheiro jamais se esquecem do seu próprio bolso. Marcelo não podia ser
agente ativo da corrupção simplesmente porque nunca teve dinheiro. Quando
muito serviu de elemento a buscar ou levar alguma quantia, ocasionalmente. Em
resumo, era peixe pequeno e, enquanto tal, sequer dispunha de maiores
informações de bastidores. Caberia
à revista checar esse fato facilmente constatável e, ao fazê-lo, colocar sob
suspeita as bombásticas e falsas revelações que quase contribuíram para o
impeachment da governadora Yeda Crusius.
A revista Veja, com seu erro, acabou por criar um fato político que muito
beneficiou o PT e o vice Paulo Feijó. A matéria publicada tem notório cunho
partidarizado. Em
segundo lugar, a revista deu a Magda Koenigkan a credibilidade de que ela não poderia dispor. Ela foi
descrita como empresária bem sucedida. A revista de sua propriedade tinha, segundo me foi informado por Marcos Cavalcante,
como principal anunciante a Petrobrás, um feudo do PT. Marcos também ignora
que o irmão tenha sido procurado pela Justiça para fazer qualquer depoimento,
conforme consta na matéria. Em nenhum lugar essa informação foi confirmada.
Posteriormente aventou-se também o suposto fato de que Marcelo Cavalcante
faria delação premiada. Ora, quem quer fazer delação premiada está
manifestamente fazendo o caminho de sobreviver, não de se matar. Essa absurda
contradição não foi notada pela revista. Marcos me disse que o irmão não
tinha o que delatar. O fato é
que Magda tinha ligações com o PT, via Petrobras, assim como Lair Ferst, que acabou sendo o pivô do grande escândalo contra
a governadora Yeda Crusius.
As fontes da revista, portanto, eram suspeitas à mínima observação. Veja
acabou por servir de escada para que os inimigos políticos de Yeda Crusius armassem um grande
circo contra o poder constituído no Rio Grande do Sul. Se se confirmar a impossibilidade de suicídio será preciso
buscar os suspeitos sobre a morte de Marcelo Cavalcante. Qualquer
investigação não pode descartar os nomes de Magda Koenigkan
e de Lair Ferst, pessoas de sua intimidade e que
mantinham estreitos laços com o PT. Veja não atentou para a arapuca em que se
meteu. |
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