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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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UM
DIA HISTÓRICO 09 DE NOVEMBRO DE 2009 Lembrar e
relembrar da queda do Muro de Berlim é uma obrigação dos amantes da liberdade
e dos valores superiores da civilização. Foi um dia histórico, um marco da
luta pela liberdade política. Foi espetacular porque foi surpreendente. Foi
grandioso pela mobilização de massa, diante das câmaras do mundo inteiro. Foi
glorioso porque foi o triunfo da liberdade. Podemos ver nas imagens do Youtube a surpresa como tudo aconteceu. Parece que o ato nasceu do
erro do porta-voz, Günter Schabowski, pois a
decisão do governo da então Alemanha Oriental era fazer a abertura paulatina
e organizadamente, como é fazer as coisas do jeito alemão. Sem querer Schabowski soltou as forças da liberdade, deixou emergir
o anseio humano irreprimível, que brota sempre do fundo insubornável de cada
um de nós. A massa humana moveu-se incontrolável no rumo do Ocidente. O martelo, ferramenta
símbolo do comunismo, foi usando para quebrar seus próprios grilhões. As
fotografias e, depois, as imagens que ganharam o mundo foram o que mais
marcou: o martelo destruindo a prisão da alma que é uma sociedade construída dentro
do coletivismo, seja a comunista, a socialista ou de qualquer outra
denominação. A experiência sofrida da Alemanha deu-nos uma prova, por assim
dizer, laboratorial, do que significa as duas formas de sociedade, a
coletivista e o mundo livre. Um muro maldito, um muro da vergonha, um
insidioso monumento erigido pela estupidez humana deu-nos a prova definitiva
que nada pode substituir as instituições da democracia representativa, do
livre mercado e do império da lei por qualquer sucedâneo artificial. A então
Alemanha Oriental vivia submergida no atraso econômico por culpa de suas más
instituições políticas. É preciso
aqui lembrar que há muros de concreto e há muros mentais também. Muita gente
que usufrui das facilidades e do bem-estar gerados pela economia de mercado
alimenta a ilusão de construir sociedades coletivistas, a despeitos dos
reiterados fracassos históricos. Estamos vendo isso em toda parte, na América
de Obama, na Venezuela de Chávez, no Brasil de
Lula, para termos aqui alguns exemplos. Lembrar desse Nove de Novembro é lembrar
a tragédia política que o coletivismo pode produzir. Se para algo serve a
história é para isso, para nos fazer refletir sobre aquilo que está de acordo
com a natureza humana e aquilo que não passa de delírio perigoso, no âmbito
da organização política. Sugiro a
você, meu caro leitor, que leia o magnífico relato dos acontecimentos feito
pelo jornalista Daniel Johnson, filho do historiador Paul Johnson (publicado
na revista Standpoint), em texto bastante minucioso feito por alguém que acompanhou
o passo a passo dos acontecimentos. Como bem previu Eric Voegelin,
filósofo alemão, no livro de O mesmo faço
para o texto do Roger Kimball, da revista New Criterion. Ele lembra que o totalitarismo é
apoiar-se na arbitrariedade e no controle das pessoas, em suma, abolindo a
liberdade. Porém, ao fim e ao cabo de um certo
período, sobrevém o caos e o povo marcha sobre os tiranos reafirmando sempre
os valores da liberdade. O mal da tirania não tem como se perpetuar. O contraponto
a esses elogios à liberdade eu encontrei no texto de José Arbex,
o único jornalista brasileiro presente à queda do Muro de Berlin, a serviço
da Folha de São Paulo. Ele é um exemplo de que muros físicos podem ser
destruídos, mas o muro das ideologias nocivas é doença incurável. Testemunha
ocular da história e dispondo de todas as informações, o infeliz jornalista
ainda recita o bordão dos militantes comunistas dizendo que o que havia na
Alemanha Oriental e na ex-União Soviética não era o socialismo (ver entrevista). Essa gente é escrava da
cegueira ideológica e não se rende nem mesmo quando um muro desaba sobre
eles. É preciso que gente assim seja desmascarada, pois são mentirosos na
acepção mais profunda do termo: mentem para si mesmo. Comemoremos o
triunfo da liberdade, mas não nos descuidemos. Como se vê, os inimigos da
sociedade aberta estão sempre de prontidão para subjugar a nós todos às
garras sangrentas do totalitarismo. |
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