|
|
NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
|
|
|
|
|
|
|
UM
CADÁVER INSEPULTO 25 de dezembro de 2009 HÁ UM GRITO
DE DESESPERO em Brasília, clamando por Justiça. É o grito de Marcos Cavalcante, irmão de Marcelo
Cavalcante, que supostamente teria se suicidado no Lago Paranoá, em Brasília,
no auge do desgaste da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda
Crusius. Gravações divulgadas com Marcelo
Cavalcante pareciam atestar seu envolvimento em grande esquema de corrupção.
A imprensa o tratou, à época, como se fosse o genuíno “homem da mala”. A
morte por suicídio foi aceita pela imprensa, e aparentemente pela polícia de
Brasília, que cuida do caso, como produto dos escândalos. Acontece que
suicidar-se por afogamento nas águas calmas do Paranoá não é tarefa simples e
óbvia. Um mergulho da Ponte JK, às 14:00 horas de um domingo, não passaria
despercebido da multidão de pescadores, freqüentadores, namorados e
vendedores ambulantes que estão ali permanentemente, em um dia de sol.
Ninguém viu Marcelo pular e nem mesmo a agonia cruel do afogar-se. Tudo que
li de especialistas em suicídio indica que esse método é dos mais ineficazes,
pois a natureza fala mais alto e o instinto de sobrevivência faria com que o
suicida se debatesse, chamando a atenção dos presentes. O resgate viria em
minutos. Mas ninguém viu
Marcelo mergulhar. É como se tivesse pulado direto para a morte, sem se
debater. Estranhamente o laudo do IML foi inconclusivo na determinação da
causa da morte. Outro laudo foi pedido, mas o resultado ainda não foi
divulgado. Especialistas asseguram que a determinação da morte por afogamento
é das tarefas mais simples em medicina legal. Se um suicídio de um homem
adulto nessas condições é algo estranhíssimo e improvável, o laudo
inconclusivo produzido pelo IML de Brasília, um dos melhor aparelhados do
país, é ainda mais estranho. Qualquer investigador experiente partiria
imediatamente para a hipótese alternativa de assassinato. Matar-se por
afogamento é como suicidar-se com um tiro nas costas, algo bastante
improvável. Um suicídio dessa natureza será sempre suspeito. Um laudo
inconclusivo faria uma investigação séria caminhar para a hipótese mais
provável – assassinato com tentativa de camuflar o crime. O problema é que
trabalhar com essa hipótese teria que mobilizar a polícia para os complexos
arranjos de poder que Marcelo acabou por testemunhar. Teria que desvendar o
eixo Luciana Gerno/Paulo Feijó e a maligna mão de
membros do PT que está ligada a casos tão estranhos quanto, como Celso
Daniel, Toninho do PT e as muitas testemunhas desaparecidas convenientemente
para impedir a conclusão dos casos. O tumulto
político em torno do assunto seria imenso e poderia levar a conclusões
assombrosas. Marcos Cavalcante me assegurou que o governo Yeda
Crusius nada teve a ver com a morte do irmão, que
sempre foi leal à governadora e seu grupo político. Essa simples declaração
do irmão da vítima me levou à conclusão de que coisas muito mais podres
tentaram sepultar sob as águas plácidas do lago Paranoá. Vários delegados
e promotores passaram pelo caso, que nunca saiu da 10ª Delegacia. Um caso dessa envergadura deveria ter ido para alguma
delegacia especializada. Estranhamente Marcos Cavalcante não consegue ser
ouvido pelos que estão presidindo o inquérito. Ninguém quer saber de sua
verdade inconveniente. Nem mesmo os órgãos de mídia se prontificaram a
entrevistá-lo e a ouvir seus argumento e ver os seus papéis, a relatar a sua
história. Um corpo boiando
nas águas plácidas do Paranoá sugere automaticamente que não poderia ter sido
suicídio. Toda a gente fala que “suicidaram-no”. É isso que Marcos Cavalcante
me disse com todas as letras. É isso que a viúva de Marcelo, Magda Koenigkan, uma mulher bela e fotogênica, também me disse
ao telefone. (Falarei dela nos próximos artigos). Diante de mim
esteve Marcos Cavalcante, em um bar da Capital Federal. Marcos é um homem na
faixa dos trinta anos, visivelmente angustiado e amedrontado. Uma pessoa
simples, sócio de pequenas lanchonetes, atividade que lhe garante a
sobrevivência. Com ele uma pilha de papéis sobre o irmão falecido. Como se eu
fosse um promotor público narrou para mim, por mais de três horas, os
detalhes do caso inusitado do seu irmão. Os detalhes dariam material para um
romance policial do estilo de Truman Capote (A
Sangue Frio). Perguntei: “Qual o seu
interesse, Marcos?” Respondeu: “A
verdade”. Nos próximos
dias, caro leitor, escreverei sobre o assunto. Os leitores têm o direito de
saber que pode estar a se consumar em Brasília mais um caso de absurdo
policial, atendendo a espúrios interesses políticos. |
|