NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado

 

 

 

 

 

 

 

TROPA DE ELITE

07/10/2007

 

Uma obra de arte só pode ser assim chamada quando transcende o autor e mesmo a época em que foi produzida, em quaisquer de suas expressões. Posso dizer usando esse conceito que o filme Tropa de Elite é uma obra de arte maiúscula. Ao ler o comentário de um dos autores do livro que deu base ao roteiro, Luiz Eduardo Soares, publicado hoje no “Estadão”, confirmei a minha impressão. José Padilha, o diretor, está de parabéns, porque afinal uma obra de arte precisa, em última análise, descrever de forma estilizada a realidade sem ser uma mera reprodução da mesma. Seu filme tem “arte”. É nisso que ela consiste, em representar a verdade para além dos limites do olhar cotidiano e ser a expressão do belo.

 

O filme de Padilha, não obstante a violência crua que retrata, é belo. Bem dirigido. Mete a fuça no lameiro das drogas no microuniverso carioca, que espelha fielmente o drama das drogas em escala nacional. As drogas têm representado um cabo-de-guerra entre o que se chama de “conservadores” e os “progressistas”, ala a que indubitavelmente se filia Luiz Eduardo Soares e toda a esquerda nacional. O problema é que falar com arte e verdade sobre o problema das drogas precisa tocar nos pontos decisivos: que esse comércio de morte está na raiz, não da causa da liberdade, mas da sua negação. Na hora em que a câmara focaliza a realidade não dá para desmenti-la: tudo começa no discurso em sala de aula, com autores postiços como Focault e todos os niilistas da sua laia. Creio que os roteiristas quiseram dar um outro sentido à citação do filósofo francês na película, mas se traíram: a descriminalização das drogas não apenas não é solução para o problema, mas o seu agravamento à escala apocalíptica.

 

Quiseram mostrar a violência policial, a meu ver realista em larga medida, mas para fazê-lo precisaram mostrar que na origem a violência está no tráfico e nos financiadores do tráfico, cabendo à polícia o cumprimento de seu papel constitucional cabendo e conceito et de filme.

or denunciar o s verdadeiros meliantes, os traficantes de drogas.

tas um policial fora de serv. See existe Bope porque traficantes usam metralhadoras e fuzis e porque inventaram o micro-ondas para executar suas vítimas e também porque não hesitam em exterminar seus desafetos, mesmo que esta seja uma mulher indefesa. Quando a polícia sobe o morro é para encontrar demônios, não anjos, e como tal tem que se preparar para o pior.

 

Isso explica para mim o efeito sensacional que o filme tem causado aos espectadores. Fez-me lembrar meus tempos de infância a assistir os filmes estrelados por John Wayne. Não tinha conversa, no final o mocinho triunfava e o bandido sucumbia. O Elite da Tropa tem seu epílogo quando o chefe dos traficantes é morto, não sem antes usar o micro-ondas para matar um indefeso, executar um moça friamente e matar pelas costas um policial fora de serviço. Vindo da comunalha que prega a descriminalzação das drogas e a tese de que a criminalidade deriva de causas sociais um roteiro desse é realmente de surpreender.

 

O texto de Luiz Eduardo Soares soa como um pedido de desculpas para seus parceiros ideológicos. Quem mandou entregar o roteiro na mão de um diretor competentes? Acho que ele deve pensar que o sucesso de público e de crítica que o filme recebeu depõe contra si. E depõe mesmo. Afinal, a desordem em que o Brasil está metido deriva da ação deletéria da esquerda política que tem subvertido os valores tradicionais, inclusive no que tange á Segurança Pública. Ele queria denunciar a PM, acabou por denunciar o s verdadeiros meliantes, os traficantes de drogas.

 

Meu caro leitor, se não viu o filme veja correndo. Paga o ingresso. Um grande filme.