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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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TRISTE
DESTINO 27/08/2008 Hoje os
jornais deram conta do desastre que foi a apuração do saldo do balanço de
pagamentos em transações correntes, que bateu record negativo em abril, só encontrando
equivalente histórico nos anos quarenta do século passado. Triste destino de nosso país, governado por
gente pródiga, que gera as condições para sempre, de forma recorrente, afundarmos em crises externas. Esses números não foram nenhuma surpresa para aqueles que acompanham meus
artigos. A única surpresa, se há, é que a dura
realidade chegou mais cedo do que eu mesmo esperava. Haverão de
dizer que o déficit (ainda) é financiável e que o fluxo de capitais de risco
foi bom. Correto. Mas nunca deveremos esquecer que essa situação de fartura
de capitais pode cessar se os EUA mudarem sua política monetária, como de
fato eu espero que façam. Uma elevação na taxa de juros naquele país pode
fazer secar as fontes de financiamento com muita rapidez, como aconteceu nos
dramáticos anos oitenta. Eu vivi aquela crise intensamente, lembro como se
fosse hoje o Governo Figueiredo mudando a política salarial e administrando o
caos internacional. Fez o que deveria fazer. O que mais me
preocupa é a tendência. Se o déficit vier a crescer nessa proporção, em seis
meses, mesmo que nada aconteça de novo na economia internacional, a coisa
desanda por aqui. E também me preocupa o fato de que um governo petista
jamais teria a coragem e o discernimento de Figueiredo: não mexerá na
política salarial, nem nos gastos públicos e nem nas aposentadorias, as
causas principais determinantes do excesso de consumo que ocorre no momento.
Esse é o governo do tapinha nas costas, incapaz de
administrar a crise. Lula veio
agora com a conversa de que o fim da CPMF não reduziu os preços. Como haveria
de ter queda nos preços com a enorme pressão de custos e de demanda que
vivemos? Nosso apedeuta presidente está a procura de um discurso para posar de salvador da pátria
para os povo miúdo. Como não tem condições políticas de pôr o pé no breque da
expansão das despesas, quer passar a conta para os pagadores de impostos
ainda uma vez. Aí inventa essas teses esdrúxulas, que algum aspone lhe soprou às orelhas. Um discurso verdadeiramente
deprimente. Fico com a sensação de que o governo está perdido, embora alguns
dos seus membros saibam da gravidade das coisas e do que precisa ser feito,
mas a estrutura de poder não permitirá que a racionalidade se imponha. Infelizmente,
percebo que o Brasil poderá sangrar até a morte e esses pródigos nada farão, sempre de olho nas eleições. Espera-se do Estado
que faça a sua parte, que seja racional e consistente, na moeda e nos gastos.
Estamos a ver a negação desses pressupostos. A corda haverá de arrebentar. O
governo do PT pode acabar como uma quarta feira de cinzas, a desesperança
depois das ilusões da passarela. Já
posso ouvi-lo cantando em coro o seu bardo preferido, Chico Buarque, aqueles seus
versos imortais: “Mas
é carnaval Haverá choro
e ranger de dentes. |
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