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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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TRIBUTAÇÃO E SONEGAÇÃO 04 de abril de 2009 Bem-aventurados
os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Jesus Cristo Ontem a Folha de
São Paulo trouxe matéria em que o secretário de Fazenda de São Paulo,
Mauro Ricardo Costa, afirmou que a pena de 94 anos de prisão imposta a dona da DASLU, Sra. Eliana Maria Tranchesi,
foi pequena. Segundo a reportagem da Folha, ele teria dito que quem sonega “deveria ser pregado na cruz”, como o
próprio Jesus Cristo foi. Na mesma
linha, a revista Veja
que chegou às bancas traz reportagem em destaque sobre o mesmo assunto,
intitulada “Sonegar é roubar”,
referindo-se também à fala do Mauro Ricardo Costa. Quem é esse senhor? Um integrante de
carreira da Receita Federal que teve o mérito de se juntar desde cedo ao clã
político de José Serra, vitorioso há décadas, desde a época de Franco Montoro.
Serra, por sua vez, representa a social-democracia
em sua ala esquerda, cuja principal crença é fazer do Estado um instrumento
de distribuição de renda. Então temos aqui o motivo do disparate proferido
pelo secretário: o cobrador de impostos colocado a serviço a esquerda da
Terceira Via, ala política que quer fazer a reengenharia social pela
distribuição de renda. Nem a Folha de São Paulo e nem a revista Veja fizeram qualquer reparo à
violenta e totalitária (e blasfema) afirmação
de Mauro Ricardo Costa. Então faço eu, que tenho obrigação para com você, meu
caro leitor. Nessas duas notas jornalísticas entendo conter o resumo da
loucura que tomou conta dos governantes e da sociedade brasileira: a perda do
senso do real,
o abandono do senso de proporções. Nossa gente foi tornada escrava do Estado
e, pior, o Estado ganhou dimensões policialescas e totalitárias sem que a
grande imprensa diga coisa alguma contra essa aberração. Sonegação
é crime? Antes
de responder a isso precisamos discutir qual é a fonte do Direito e a sua
relação com o marco jurídico vigente. A fonte última do direito é transcendente
e está na lei natural, que entre
outras coisas, coloca ao homem a sacralidade da propriedade privada, da vida,
e da liberdade. Se aceitarmos isso como verdadeiro – e os grandes homens de
todos os tempos o fizeram – então pode-se dizer que
sonegação só é crime se o marco jurídico estabelecido respeitar o direito
natural e o direito natural pressupõe a vigência da instituição do Estado
Mínimo, a tributação mínima. Não é tarefa do Estado fazer
redistribuição de renda por meio da taxação. A própria taxação excessiva,
além da necessária para que o Estado proveja aquilo que lhe compete para o
bem comum, é roubo puro e simples. Logo, os
pagadores de impostos sujeitos ao que chamo de supertributação
são vítimas de roubo e o Estado passa a ser o Grande Ladrão, portanto o
grande criminoso. Então só podemos afirmar que sonegação é crime, para além
do que está escrito nos códigos, apenas se estes estiverem em consonância com
a lei natural, se a lei natural estiver expressa no corpo positivado de leis.
O gesto de sonegação poderá até mesmo ganhar ares de heroísmo, de resistência
contra o arbítrio estatal, em certas circunstâncias. Na nossa história temos
a figura heróica de Tiradentes, que deu a vida contra o abuso tributarista da
Coroa portuguesa. Não por acaso Tiradentes é uma figura venerada, um dos pais
da nossa Nação. É típico das
mentes deformadas pelo estatismo em suas diversas
variantes colocar o poder de Estado acima dos indivíduos e mesmo acima de Deus. Quando Mauro
Ricardo Costa afirmou que Eliana Tranchesi “deveria
ser pregada na cruz” verbalizou essa alucinação dos poderosos dos nossos
tempos, em que o Estado deixou de ser uma mera ferramenta para a prática do
bem comum para ser um fim em sim mesmo, contra as pessoas, contra o bem comum.
O roubo estatal é tido como seu oposto, uma virtude, e a revolta contra esse
roubo é tida como o mais hediondo dos crimes. Uma aberração moral. É nisso que
dá ter entregue o poder de Estado a esses fariseus
messiânicos da estirpe de Mauro Ricardo e sua laia. O Estado policialesco
e totalitário que temos visto emergir
nos últimos anos não é obra apenas do PT e de Lula. Ele é resultado também da
ação dessa gente, como Mauro Ricardo, que nunca fez outra coisa na vida que não
extorquir os cidadãos que trabalham e gastar o produto do seu butim nefando
nos arbitrários orçamentos públicos produzidos por eles mesmos. A imprensa é
cúmplice nesse processo, ela que é também sócia do Erário, na medida em que é
contemplada com vastas verbas de publicidade estatal, em todas as esferas.
Como ser contra o pagador de tudo, o Estado? Como defender a vítima do roubo
estatal, o cidadão desamparado, o contribuinte? Um mentecapto como
Mauro Ricardo fala uma grande tolice dessa – profanando
a própria cruz sagrada com seu totalitarismo fiscalista – e não recebe uma
única palavra de crítica da mídia. Ao contrário, a Veja lhe dá um grande
destaque, como se o publicano paulista fosse um
campeão da moralidade pública. Não posso
julgar os atos da senhora Eliana Tranchesi, mas
sei, sem estudar os processos, que ela é vítima dessa lei positiva injusta,
abusiva, totalitária. Sei também que ela tornou-se objeto da fúria de gente
como Mauro Ricardo, que nunca trabalhou na vida de forma produtiva. Ele passou
sua burocrática existência espoliando os bens e a renda dos que trabalham,
praticando o mal lógico. Se alguém merece ira para a
cruz são os publicanos que não têm a dimensão
imoral de suas funções. Não custa
lembrar aqui que publicano é o termo antigo usado
na Bíblia para cobradores de impostos, a gente mais odiada de todos os
tempos. Como Mauro Ricardo. |
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