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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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TPM
DE MARINA SILVA 15 de novembro de 2009 Não é o que
parece, meu caro leitor. A TPM aí
do título é uma revista, TRIP PARA MULHERES, de periodicidade mensal e
destinada a um público de elite. Folhear a revista é mergulhar no mundo das
madames paulistanas, seus luxos, seus gostos, seus refinamentos. E também sua
beleza, pois afinal as filhas da burguesia costumam caprichar na nutrição,
nos cuidados médicos, no preparo físico, no vestuário e no doce ócio do mundo
de compras. Não sofrem nenhum estresse. A mesma editora da revista, não por
acaso, publica o título DASLU, a revista da GOL, da
marca PERSONALITÉ, do BANCO ITAÚ, AUDI MAGAZINE, entre outras. Seu público é
a camada mais sofisticada, rica e ociosa da população. As revistas
capricham no visual e nos nus ditos artísticos, nada que se precise esconder
das crianças. Os esportes caros e sofisticados são destacados. A penúltima
capa trouxe a atriz Débora Secco, exibindo todo seu
esplendor. No site tem um desfile de anunciantes de produtos caros e
sofisticados. De fato, um sucesso comercial destinado ao público bem nascido.
Pois qual a minha surpresa por ver na capa da revista que chegou às bancas a
própria, a candidata Marina Silva, em tudo e por tudo o oposto de tudo que é
fotografado e exibido no seu glamour editorial típico. Fui ler e conhecer a
revista, que me chega em casa, mas para a qual nunca
dei maior atenção. Veja-se a própria apresentação da revista: “Com uma abordagem natural e cheia de
originalidade, a Tpm traz os temas e debates mais polêmicos do
universo feminino por meio de matérias que traduzem o dia a dia das mulheres.
Lançada em A entrevista
de Marina Silva foi apresentada sintomaticamente na seção da revista
denominada “Páginas Vermelhas”. Diz tudo. É a seção do comunismo chique da
publicação. Lá estão os arautos da revolução gramsciana
em ação entre nós, como Caetano Veloso (não podia faltar), o membro cineasta
da conhecida família de banqueiros esquerdistas, Walter Salles e outros
assemelhados. Marina tinha que estar aqui. O que está
dito na entrevista não é relevante em si, nada de novo. O relevante é Marina
Silva estar lá , apresentada como “Negra, evangélica e candidata a
presidente, ela é capaz de mudar as próximas eleições no país”. Mudar o
país? Essa gente rica e ociosa quer mudar alguma coisa? Só a mudança contida
na famosa frase do escritor italiano: “Temos
que mudar tudo para não mudar nada”.
Ou, na língua das dasluzetes: “Change”. Ou: “Yes, we can”. (E pensar que a dona da Daslu
foi condenada a mais de noventa anos de prisão pelo crime de ser rica... Algo
a se pensar). Em tipos grandes, a reportagem destaca: “Da infância pobre no seringal ao senado, Marina
Silva, 51 anos, sempre insistiu em reinventar seu próprio destino - sem
perder a ternura, jamais. Agora, quer reiventar o
país”. É muito gracioso ver o bordão do genocida Guevara posto na boca da
seringueira. Reinventar o mundo, “um outro mundo
possível”, a idéia aloprada dos militantes do
Fórum Social Mundial.
Não posso deixar e notar que a reportagem está
ilustrada com um antigo panfleto eleitoral em que Marina Silva é retratada
com Chico Mendes, ostentando o indefectível pentagrama do PT. Marina e PT,
tudo a ver, é a mensagem. Outro destaque dado pela revista, agora às palavras
da entrevistada: “A sociedade brasileira é capaz de se colocar à
frente de seus próprios preconceitos”. Se Marina quisesse ser exata deveria ter dito: “A alta sociedade
brasileira, a sua camada mais rica, que
lê a revista Tpm”.
Caro leitor, está tudo dominado. Estamos
perdidos. As madames ociosas já têm candidata.
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