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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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TEMPOS OBÂMICOS (III) 08 de novembro 2008 Os
primeiros nomes anunciados da equipe do presidente eleito Barack Obama sinalizam
dois fatos políticos importantes. O primeiro é que o clã dos Clinton foi de
fato o grande eleitor do democrata e está ocupando postos-chaves de decisão
na nova estrutura de poder. Parece que dificilmente serão vistas caras novas
na equipe inicial de governo. É o apogeu do stablishment democrata. O segundo ponto a destacar é a presença
marcante de senadores e deputados cotados para ocupar postos de governo,
fenômeno que se tornou comum no Brasil. Cada vez mais a burocracia
profissional perde vez em favor dos políticos que carregam votos. Isso muda a
racionalidade da administração da máquina pública. Outra
sinalização a ser observada é a manutenção do secretário de Defesa de Bush no
posto. É muito sensata. Em meio a um conflito tão delicado como o do Iraque
mexer no comando seria muito contraproducente. Sinal que não haverá nem
improviso e nem pressa nessa área. Antes assim. Penso que
o significado da palavra mudança será mais plenamente exercido na
administração da economia, dos valores morais (o politicamente correto) e, no longo prazo, nos marcos jurídicos
permanentes e na composição da Suprema Corte. Mais do que nunca a
Constituição dos EUA sofrerá ameaça de emenda, esta sim, mudança permanente e
dificilmente reversível. A Constituição e a Suprema Corte têm sido dois
formidáveis obstáculos contra o mudancismo progressista e baluartes dos
valores conservadores. Aqui que o novo
príncipe concentrará seus esforços mudancistas. O que
deverá ser feito na economia está estampado nos artigos de Paul Krugman,
agora em frenesi jornalístico diário, verdadeiro ministro sem pastas de
Obama. Um arauto econômico em êxtase. As crenças nefastas de cunho keynesiano
serão empregadas de imediato e temo pelo que virá. Medidas para tentar manter
a renda, o emprego, o crédito, a regulação do sistema financeiro e outras
assemelhadas serão implementadas imediatamente. Os EUA caminharão rapidamente
para uma forma de socialismo à moda européia, aprofundando sua própria
trajetória socialista. Meu maior temor é que a regulação alcance o mercado de
trabalho, que tem sido o grande diferencial dos EUA em relação às
experiências esquerdistas européias. Isso derrubaria rapidamente a
produtividade sistêmica. Veja, caro
leitor, que a questão econômica é profunda. A cegueira existencial da
esquerda política permite ser manipulada e implementada mais rapidamente na
esfera econômica. Acontece que estamos em meio à mais profunda crise desde
1929, precisamente porque os sucessivos governos daquele país vêm implantando
a agenda da esquerda na economia. A crise exige precisamente a reversão dessa
agenda para a sua superação. Mas Obama aqui não terá como flexibilizar suas
propostas, mesmo que passasse por uma improvável metanóia. Então a marcha da
insensatez em direção ao abismo econômico acontecerá de forma inexorável. A
cada fracasso colhido, a cada estatística reveladora do desastre veremos a
retórica antiempresarial e anti-propriedade privada crescer. Já vimos o
início com a satanização dos ricos e com a associação de George Bush aos
ricos, como se eles fossem os culpados da crise e não a irresponsabilidade
keynesiana na administração que tem sido feita. No plano
do politicamente correto teremos
também um caminho para o paroxismo. Inevitável, em face das promessas de campanha
e dos apoios recebidos da militância. Abortismo, gaysismo, racismo reverso,
feminismo: todo o lixo cultural ocidental destilado em dose única e cavalar.
Será trágico, mas será ridículo também. E triste. Será talvez o lado mais
satânico que veremos no governo de Barack Obama. Estamos no rumo do Estado
Total. |
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