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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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TEMPOS OBÂMICOS 05 de novembro de 2008 Quem manda no mundo? Responder a essa questão é responder
ao essencial em ciência política. A vitória de Barack
Obama é um emblema dos tempos e responde
adequadamente à pergunta, embora seja verdade que quem manda no mundo não são
os EUA. É só ver como a vontade do Estado norte-americano não é levada em
conta em toda parte, a começar pela diplomacia brasileira. Mesmo no Iraque em
guerra, onde rebeldes insistem em resistir. É bom que se diga desde logo essa
verdade. Quem manda no mundo são os seguidores do socialismo, que obtiveram
vitórias esmagadoras no mundo todo, inclusive agora com Obama
nos EUA. Idéias é que mandam no mundo. A esquerda
mundial comemorou, com razão, a vitória do novo presidente. Ele é o ícone
dessa gente que vê no Estado a alavanca para todos os problemas da
humanidade. Os EUA vêm praticando políticas socialistas desde o início do
século XX, quando socialismo lá era conhecido pela alcunha de progressismo,
um irmão gêmeo do fascismo. Desde então a coisa tem piorado e apenas em
momentos episódicos, como na Era Reagan, tentou-se reverter o processo. Em
vão. O Legislativo já estava inteiramente tomado pela crença estatista, assim como a imprensa, a juventude
universitária e a esmagadora maioria da opinião pública. A eleição de Obama foi uma mera conseqüência. Claro, a
crise econômica fez a sua parte nas eleições, chegando em
um momento adequado para destruir qualquer pretensão eleitoral dos
adversários. O problema é que a crise econômica que estamos vivendo é
conseqüência direta do gigantismo estatal daquele país, fato que é revelado
pelos mastodônticos déficits gêmeos, raiz primeira da crise. Ela deriva
também de decisões alucinadas, como a de obrigar o sistema bancário a
emprestar a clientes que, de antemão, sabia-se incapazes de pagarem suas
dívidas, como no caso dos sub-prime. O estouro da bolha imobiliária era um fenômeno
perfeitamente previsível. A
formidável onda inflacionária gerou a falsa prosperidade, cujo preço agora
está sendo cobrado. Quando as informações de como funcionava o sistema de
crédito vieram a público foi um espanto, tamanha a irresponsabilidade do que
foi feito. A conclusão é bem simples: os EUA e o mundo precisam
desesperadamente de estadistas que governem exatamente contra as idéias
socialistas, pois elas não apenas não têm como resolver os graves problemas,
como tendem a agravá-los rapidamente. O socialismo é
um conjunto de crenças falsas sobre a realidade, sendo a primeira, e a mais
importante, a promessa de abolição da lei da escassez e, junto com ela, a
promessa de felicidade pela isenção impossível do trabalho duro e diligente
que cada homem tem que realizar na sua existência. Obama
prometeu precisamente isso. E vai querer concretizar a promessa. Se esse
prognóstico for correto é certeza que a economia dos EUA entrará em parafuso,
levando junto o mundo inteiro. Mudança, o
slogan tão repetido, é o que não houve. A estrutura de poder é que foi
reforçada. Há muito os conservadores estão em decadência política. Obama, como Lula, é o homem-massa no poder. O socialismo
é a crença típica do homem-massa. Governantes assim não conduzem as massas,
são por elas conduzidos. Eles não têm como acordar de seu sono hipnótico e
não têm como acordar as massas de suas ilusões. Esses governantes deixam-se
levar pelos urros da multidão, sem saber muito bem o que fazer pelo simples
fato de não compreenderem o real. O Estado é uma ferramenta para algumas
coisas, mas não para outras. Mas esses novos
príncipes passaram a vida toda se iludindo com falsas teorias e palavras
de ordem do tipo “um
outro mundo possível”. O
fato é que não há outro mundo, apenas este aqui, que deve ser compreendido
para poder ser adequadamente governado. Tentar
abolir a lei da escassez é uma alucinação perigosa. Essa alucinação leva ao
ativismo político. Decisões em série serão tomadas, desde a posse, seja para
debelar a crise, seja para atender aos anseios da massa. A cada decisão que
não vingar, a cada lei inútil promulgada, mais o
ativismo crescerá. A explosão de violência poderá ser a verdadeira bolha que
nos espera na curva da história, como já houve no passado. A guerra será
sempre a solução final, a trazer a humanidade para a sua perversa condição,
de criatura orgulhosa e incapaz de se enxergar no seu próprio tamanho. Quem viver
verá. |
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