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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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TEMPO
DE TRANSIÇÃO 10 de fevereiro de 2010 Quando
se aproximou o final do mandato do presidente Lula, mais precisamente desde o
início de 2009, foi possível perceber-se uma guinada forte à esquerda na
condução política do governo do PT. Em primeiro lugar, na política econômica,
quando se perseguiu a paulatina redução das taxas de juros, mesmo contra a
opinião dos aliados banqueiros do PT. Depois, com a aceleração da elevação do
salário mínimo, contra todas as regras de prudência, inclusive e sobretudo com o trato do déficit da Previdência Social.
Aqui se viu que o PT estava jogando pesado para fazer o sucessor pelo voto.
Um terceiro ponto foi a aceleração do programa
bolsa-família, que se ampliou no limite do possível. Um
quarto movimento, muito importante, foi a realização
das chamadas conferências nacionais, uma delas novidadeira, a Confecom, e a incandescente conferência sobre direitos
humanos, que redundou no famigedo decreto que
provocou a ira dos militares e da Igreja Católica. A tal “transversalidade”
dos direitos deu ao decreto um conjunto de temas
dignos de uma assembléia constituinte, praticamente intentando refundar as instituições políticas. A própria Confecom foi a tentativa de
estatizar no possível e de calar da melhor maneira a independência dos meios
de comunicação, meta antiga do PT, sob sofismas ridículos de “democratização”
do direito à comunicação e universalização da infra-estrutura de acesso,
desconsiderando-se as limitações econômicas. Um
capítulo à parte nessa demonstração de força tem sido a condução da política
externa, completamente descolada da tradição da diplomacia brasileira. Desde
envidar esforços para manter o tresloucado Hugo Chávez no poder, eleger Evo Morales, garantir a eleição do bispo paraguaio e a
pirotécnica tentativa de intervir na política interna de Honduras. Coroa a
alucinação diplomática o abandono do mercado norte-americano, o estreitamento
de relações com a China e, por fim, o descarado e injustificado (e perigoso)
apoio ao presidente do Irã, contra os Estados Unidos, Israel e a Comunidade
Européia. Não é pouca coisa. Um gesto de força sem precedentes. Nesta semana
veio a público a intenção de se criar um conselho de
política internacional, mais um canal pelo qual os tais movimentos populares
e os sindicatos terão ingerência nos negócios de Estado. É
preciso registrar a extrema ousadia do partido governante para fazer o que
tem feito, numa grande demonstração de autoconfiança no próprio poder, algo
evitado no primeiro governo Lula. O PT está de todas as formas tentando anular as garantias constitucionais à liberdade e à economia de
mercado. Está levando à frente a mudança do eixo estratégico das
relações internacionais. Por fim, agora está jogando seu lance mais ousado: o
esmagamento do poder militar, o único capaz de se colocar no caminho do seu
projeto político totalitário. Desde a
publicação do decreto contendo o Plano Nacional dos Direito Humanos o clima
no meio militar ficou azedo. Em paralelo, a condução do processo de compra da
aviação de caça, desde o início alijando a Força Aérea do processo de decisão
final, tem causado grandes ruídos. Hoje, finalmente o PT disse quem manda:
mandou exonerar o general Maynard Marques de Santa Rosa, chefe do
Departamento-Geral de Pessoal do Exército, oficial de quatro estrelas e
integrante do Alto Comando da Força. Desde os tempos de Geisel, com o
episódio do general Silvio Frota, eu não me lembro de um oficial dessa
graduação ser exonerado. O motivo alegado foi um e-mail do militar,
externando sua indignação com o Plano Nacional de Direito Humanos. O PT
agora colocou os militares em xeque. Se não houver reação teremos a prova de
que os generais estão mesmo emasculados e o caminho do totalitarismo está
devidamente pavimentado. Não haverá mais força a segurar os planos malignos
das esquerdas. Ou haverá reação e aí teremos que esperar para ver. Tempos de
grandes perigos. No horizonte, a sucessão presidencial, que talvez esteja, de
fato, se desenhando agora. |
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