|
|
NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
|
|
|
|
|
|
|
STF: ALÉM DAS RUSGAS 24 de abril de 2009 Muita
gente ficou chocada com o enfrentamento entre o presidente do Supremo Tribunal
Federal, Gilmar Mendes, e o ministro
da Corte, Joaquim Barbosa. Foi um espetáculo deprimente, transmitido ao vivo
pelas cadeias de TV. O episódio é o último capítulo de uma série que se
repete, em prejuízo da Instituição. Foi lugar comum das análises que se
tratou de um momento de fraqueza em que imperou a fogueira das vaidades,
componente de fato do lamentável episódio. Mas é preciso ler no subtexto. De fato as
tensões cresceram nos últimos tempos porque os novos componentes do STF são
alinhados com o governo Lula e estão mais à esquerda do espectro político.
Estar mais à esquerda dentro de uma corte tem conseqüências imediatas
desastrosas, seja no que se refere a matérias de costumes (como o aborto e
células-tronco embrionárias), seja no que se refere à relação do Estado com
os indivíduos. Se há um
ministro marcadamente alinhado com a Era FHC esse é Gilmar Mendes. Fernando
Henrique Cardoso governou claramente em um momento de transição, em que uma
corte mais conservadora foi dando lugar às posições mais liberais da
social-democracia. Joaquim Francisco, por outro lado, é claramente alguém dos
tempos de Lula. Ele representa a conclusão do processo de transformação da mais
alta Corte no instrumento de transformação social. Esses novos ministros são
os agentes gramscianos de primeira grandeza em
pleno processo de ação. Tradicionalmente
as instâncias superiores de Justiça funcionam como freio às inovações
mudancistas na lei e no ordenamento jurídico geral. Funcionam também como
instrumento de proteção às minorias ameaçadas pelas maiorias que vão se
formando e mesmo de proteção ao indivíduo diante do poder de Estado
esmagador, algo próprio de uma
sociedade livre e democrática. Quando essas instâncias se transformam elas
mesmas nos agentes da mudança as próprias instituições passam a correr
perigo. É isso que estamos a ver. A
consolidação da tomada do STF pelos agentes de Gramsci está em fase de
conclusão final. Veremos cada vez mais a lei ser transformada no oposto de
sua razão de ser, de instrumento de libertação para um instrumento de
opressão dos indivíduos e destruição de minorias. É essa a explicação óbvia
dos confrontos a que temos assistido. Vemos os novos ministros como os
genuínos representantes dos homens-massa. O perfeito Senhorito
Satisfeito em pleno gozo de seu poder. |
|