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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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SARNEY E O ESTADÃO 18 de julho de 2009 Finalmente
o velho coronel Ribamar do Maranhão, o Sarney, disse coisa com coisa ao discursar
(ver íntegra)
para o plenário vazio do Senado, ontem, já em recesso. Como ator político de
longa data, eu não posso deixar de admirar o Sarney naquilo que tem de mais
notável: sua capacidade de engolir sapos, de transcender os ataques verbais,
de enxergar além da retórica. Ele tem também a noção exata do próprio poder
pessoal e do seu próprio papel no processo, Nunca perde o senso do real.
Infelizmente, seu nível moral é ínfimo e suas práticas políticas, sejam as
eleitorais, sejam as parlamentares, são o que há de pior na matéria. Sarney viu
que a mão do inimigo usa as páginas sujas do jornal Estadão como tribuna
contra ele. O jornal,
por seu lado, não se fez de rogado e, em editorial (Aposta
no esfriamento) da edição de hoje,
entregou a rapadura, ao analisar o discurso. Não se limitou ao habitual
enxovalhamento da figura do Sarney. Foi além, ao ameaçar o velho coronel
Ribamar do Maranhão. Leiamos: “Curiosa
a cabeça desses políticos. Eles acham, ou querem fazer crer, que a sequência
de revelações que há meses mantêm o senador na berlinda não é escabrosa o
bastante para resistir a uma nova temporada de possíveis denúncias, dessa vez referidas a uma personagem incomparavelmente maior,
como a Petrobrás. A ideia por trás do argumento é que a imprensa não tem
fôlego para fazer duas coisas ao mesmo tempo nem a sociedade manterá o
interesse pelas lambanças no Senado quando começar o espetáculo da CPI”. Por
“imprensa” entenda-se Estadão ele mesmo, o único com acesso às fontes
privilegiadas de informações fornecidas pelos arapongas do PT. O único
veículo que se prestou a esse manobra suja do partido governante. Quem tem
acompanhado o que eu escrevo está muito bem informado desse movimento. Tenho
apontado o viés estadônco há pelo menos dois meses.
O Estadão tornou-se um aríete dos atuais ocupantes do Palácio do Planalto,
contra o presidente do Senado. Como se sabe, o partido governante, o PT, e
seu ministro da Justiça, usam de todos os meios legais e ilegais para
praticar a luta política contra os adversários e inimigos. Escutas
telefônicas ilegais e legais, tocaias escusas, busca em arquivos, nada
escapa ao interesse dos militantes petistas infiltrados em todas as esferas
de governo. O jornal Estadão não teria a capacidade investigativa de ter
acesso ao farto e exclusivo material que tem noticiado contra Sarney, pelo
qual tem dado supostos furos todos os dias. Sarney está certo: o Estadão está
pautando a imprensa brasileira com seus supostos furos. A pergunta do milhão
é: quem dá os furos ao Estadão? Claro, a única força capaz de fazê-lo, o PT. Sarney
sabe disso tanto quanto eu, mas não pode dizê-lo ao microfone. Tem que
engolir o sapo e fazer sua defesa da forma que sempre fez, operando nos
bastidores. O velho coronel Ribamar do Maranhão sabe que contrariou os
interesses dominantes ao postular e ganhar a presidência do Senado e ao
entronizar sua filha no governo do Maranhão, em manobra junto à Justiça
Eleitoral. Por isso sofre o contra-ataque. Todavia, preciso dizer a você, meu
caro leitor, que esses dois fatos, embora maiúsculos, não teriam sido
suficientes para essa mobilização do PT, tão aguda e tão perene, objetivando
a destituição de Sarney. O PT é mestre na mobilização da opinião pública.
Ocorre que a tal opinião pública também tem limites: Sarney sabe qual é a
fonte de seu poder, que é a base que dispõe de votos no Senado, em primeiro
lugar, e suas relações de compadrios com a alta cúpula do Poder Judiciário (e
Ministério Público), bem como ele mesmo, que sabe tudo dos bastidores da
política. Um movimente de ataque que queira fazer pode destruir a base de
poder de Lula. Sarney pode usar também a opinião pública conta seus atacantes,
mas seria um movimento muito perigoso, abalaria as instituições. E Lula
sabe disso, por isso está o tempo todo afagando o velho coronel Ribamar do
Maranhão. Tenta desvincular, de todas as formas, a sua pessoa da campanha
insidiosa de vilipêndio do velho cacique maranhense. Sarney sabe que é jogo
de cena, que, se Lula pudesse, dava-lhe um pontapé no traseiro sem dó e nem
piedade. Mas Sarney é macaco velho o bastante para manter as aparências do
“me engana que eu gosto”. O ponto é
que essa campanha contra Sarney tem um componente estratégico que ainda não
está de todo revelado. Em pauta, a sucessão presidencial. Aparentemente, Lula
perdeu a oportunidade legal de ter um terceiro mandato. A derrota da CPMF
demonstrou que, no Senado, os petralhas não formam
maioria qualificada e Sarney é o líder da minoria, fato que usa para fazer
valer o seu poder. Enquanto Sarney for presidente daquela Casa o PT não tem
como criar um atalho que garanta seu nome à sucessão. Esse é o jogo real que
se desenha. Para azar do PT e sorte dos brasileiros o coronel Ribamar do Maranhão
está no meio do caminho dos petralhas. E ele não é
de brincadeira. Fosse outro qualquer e já teria renunciado. Caro
leitor, observar os acontecimentos é algo realmente divertido e interessante
e agora ganhou importância política maior. Se Sarney sucumbir penso que o PT
caminhará a passos rápidos para empolgar o poder total. Torço para que o
Sarney vença. Melhor dizendo, torço para que Sarney não seja derrotado. É a
velha história: Deus escreve certo por linhas tortas. Não há mal que não seja
portador de um bem. O velho Sarney, corrupto, nepotista, alpinistas social,
um homem que merece os mais desabonadores adjetivos, tornou-se o grande
obstáculo do PT na sua busca do poder total. Torço pelo Sarney. |
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