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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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ROUBANDO NO TRÂNSITO 26/01/2011 Desde que
eu trabalhei na prefeitura de São Paulo, quando tive que interagir, por dever
profissional, com os chefes da burocracia do trânsito, e isso já faz muito
tempo (Governo Erundina), eu pude constatar como essa burocracia odeia os
proprietários de automóveis, atribuindo a eles toda sorte de infortúnios que
acontecem cotidianamente nas vias públicas e também por carregarem o pecado
mortal de supostamente estarem no extrato superior da pirâmide de renda. Em
suma, pensa ela ser os motoristas de automóveis gente
rica, egoísta e irresponsável. Eu vi então como tentavam cercar e extorquir,
no que podiam, os infaustos motoristas. Sua via principal sempre foi o Código
Nacional de Trânsito e as legislações nele apoiadas nas diferentes esferas de
poder. Um desses sujeitos de minha época de prefeitura acabou virando diretor
do Contram no Governo Lula e conseguiu realizar
seus sonhos de comissário disciplinador do trânsito. O que
vimos desde então? O abuso e a injustiça legal se acumulando paulatinamente
sobre os donos de automóveis. Hoje o ato de dirigir tornou-se um grande
perigo jurídico, de sorte que sair de casa e se envolver em algum acidente
banal pode custar caro, até mesmo a liberdade. Beba
uma garrafa de cerveja e perderá mais do que a carteira de habilitação,
estará cometendo um crime – a rigor um pré-crime, um conceito bastante
elástico. Ainda ontem, vindo do litoral, um amigo meu, rigoroso cumpridor de seus
deveres e proprietário de carro novo, teve o veículo apreendido e ficou a pé
na estrada, por conta de uma filigrana jurídica. Puro abuso de poder ou tentativa
de extorsão malograda, que meu amigo nunca pagaria propina. É preciso reduzir
o poder dos guardas de trânsito sobre os desprotegidos motoristas. Casualmente
hoje o jornalista Marcelo Coelho publicou pertinente artigo na Folha de São
Paulo sobre o assunto (Corrompa ou
obedeça). O artigo tem mais méritos por colocar o tema do que por
dissecá-lo bem. Sua conclusão é bisonha, ele que se esqueceu de cumprir a
Inspeção Ambientar Veicular e está pagando caro por isso: “Quase 200 anos depois da Independência, ainda temos do
Estado uma visão colonial. Trata-se de uma entidade arrecadatória,
nascida de algum reino estrangeiro que inventa novas coisas para nos
infernizar e que cumpre enganar do mesmo modo com que nos tapeia. A corrosão
ética da coisa toda nasce, a rigor, da política, e não o contrário: por se
tratar de uma cidadania imperfeita, de um autoritarismo latente, de uma
democracia sem participação e de um Estado, afinal, sem dono, mas com muitos
gerentes e coronéis, é que corromper ou obedecer são as saídas que
conhecemos. Não adianta reclamar depois”. Invocar o
Estado colonial para entender o que a burocracia de trânsito tem feito é não
perceber que o Estado brasileiro foi tomado pelas hordas esquerdistas, no
âmbito da revolução gramsciana, revolução esta que
se encontra no seu apogeu. O Estado atual do Brasil não guarda mais nenhum elo
com o amaldiçoado Estado colonial. Um dos lugares em que essa dita revolução
alcançou plenitude foi junto à burocracia de trânsito, que vê no proprietário
de automóvel o “burguês” caricato dos manuais de marxismo, que usa transporte
particular – Oh, crime hediondo! – enquanto as massas usam o transporte público
de má qualidade. Associado a isso colocaram, nos últimos tempos, a questão
ambiental em destaque: além de burguês egoísta e bem acomodado no seu espaço
personalíssimo, o motorista de automóvel é também um poluidor incorrigível do
meio ambiente. Pau no burguês! Marcelo
Coelho, ao apelar para argumento do tipo “Estado colonial”, colaborou para
esconder a origem e a natureza da maldição que desabou sobre os proprietários
de automóveis, perseguidos impiedosamente pelas prefeituras e violentamente
expropriados de sua renda, seja pelo mecanismo das multas abusivas, seja
pelas exorbitantes e injustas taxas que são cobradas. E não podemos nos esquecer
do abuso-mor dos pedágios, que seriam devidos se os impostos sobre os carros
não tivessem como suposto destino a melhoria da malha viária. Nem mesmo
Marcelo Coelho, distinto membro da nomemklatura
jornalística, fato que o torna um agente gramsciano
graúdo, escapou de gritar contra os abusos e a injustiça. A velha história de
que pimenta no olho do outro é refresco. A pimenta agora está caindo nos
olhos de todos. Marcelo Coelho não percebeu onde está a origem de tudo: na
edição das leis injustas, abusivas, preconceituosas, fundadas na falsa visão
da luta de classes e do homem como praga do meio ambiente. Ele foi incapaz de
ver o problema real, como se nota facilmente na leitura do seu artigo, que é
a tomada do poder pelas hordas esquerdistas. Mas tem o mérito de ter usado
seu espaço para protestar. Pena que sua cegueira ideológica tenha contribuído
para desperdiçar o precioso espaço. |
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