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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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Refletindo Sobre a Verdade "Para isso nasci e para isso vim ao mundo: para dar
testemunho da verdade. Quem é da verdade escuta a minha voz."(João, 18:37) Nesses tempos
bicudos em que vivemos, em que a mentira foi elevada
à conta de instituição respeitável, especialmente no que tange ao trinômio
imprensa/política/universidade, cabe uma pausa para refletir sobre a verdade. Raymond Aron, no
seu saboroso livro "O
Espectador Engajado", afirmou: "O amor à
verdade e o horror à mentira, creio que é o que há de mais profundo em minha
maneira de ser e de pensar. E justamente para poder expressar a verdade, é
preciso ser livre". Aron associa
diretamente a condição de liberdade para que se possa chegar à verdade. A
primeira conclusão que se tira é que o triunfo da verdade em regimes
políticos totalitários torna-se impossível, vez que a condição de liberdade
desaparece. Pessoas vivendo sob a opressão até podem cultivar a verdade
isoladamente, mas essa deixa de ser um bem coletivo, passando a ser um
precioso tesouro guardado por indivíduos diferenciados, que passam a fazer a
resistência à tirania, a muito custo. O fato de existir
liberdade, todavia, não garante o triunfo da verdade. É necessário o esforço
individual para persegui-la e aceitá-la. Os arautos da mentira estão por toda
a parte -- o Mal é sempre a Mentira -- que assedia a todos nós. Fazer a
escolha entre o trigo e joio é tarefa de uma vida inteira, que exige a
totalidade do esforço do indivíduo. Desde livros, passando pelo discurso dos
professores nas cátedras, passando pela imprensa, a arte em geral e sobretudo o discurso político, é sempre um esforço grande
discernir entre a verdade e a mentira, e a escolha correta envolve uma
decisão moral interior. Não por acaso o Diabo é também conhecido como o
grande Mentiroso e, para mim, deixo claro, por Diabo entendo mais que uma
metáfora, é uma realidade imediata. Em um antigo texto
que não consegui localizar, Olavo de Carvalho associa a verdade com a virtude
da coragem. A sua busca e a sua conquista não é para os fracos de caráter. Em
outro texto não menos denso ("O poder de conhecer", de
04/08/2001), o filósofo afirma: "Perguntaram-me
uma vez, num debate, como eu definia a honestidade intelectual. Sem
pestanejar, respondi: é você não fingir que sabe aquilo que não sabe, nem que
não sabe aquilo que sabe perfeitamente bem. Se sei, sei que sei. Se não sei,
sei que não sei. Isto é tudo. Saber que sabe é saber; saber que não sabe é
também saber. A inteligência não é, no fundo, senão o comprometimento da
pessoa inteira no exercício do conhecer, mediante uma livre decisão da
responsabilidade moral. Daí que ela seja também a base da integridade
pessoal, quer no sentido ético, quer no sentido psicológico. Todas as
neuroses, todas as psicoses, todas as mutilações da psique humana se resumem,
no fundo, a uma recusa de saber. São uma revolta
contra a inteligência. Revoltas contra a inteligência -- psicoses, portanto,
à sua maneira -- são também as ideologias e filosofias que negam ou limitam
artificiosamente o poder do conhecimento humano, subordinando-o à autoridade,
ao condicionamento social, ao beneplácito do consenso acadêmico, aos fins
políticos de um partido, ou, pior ainda, subjugando a inteligência enquanto
tal a uma de suas operações ou aspectos, seja a razão, seja o sentimento,
seja o interesse prático ou qualquer outra coisa." É a mesma mensagem
de Aron, colocada em termos mais sistemáticos. Liberdade e verdade estão aqui
também indissoluvelmente associadas, agora explicitada a dimensão moral do
ato de conhecer. O conhecedor da verdade tem que recusar qualquer cabresto,
especialmente aqueles que procuraram condicionar a
busca pelo conhecimento a alguma teleologia política. O compromisso com a
verdade pode levar os seus amantes aos limites mais subversivos. Em um outro texto
anterior ("A mentira como sistema", de
23/11/2000), Olavo, procurando demonstrar a sociopatia
de Marx e dos marxistas em geral, conclui: "Daí a
diferença entre a dialética clássica, de Sócrates e Aristóteles, e a
dialética moderna de Hegel e Marx. A primeira era a arte de reduzir as
contradições à unidade; a segunda, a técnica de fazê-las proliferar até que
não possam mais ser abrangidas na unidade de uma visão intelectual e
extravasem para a vida ativa, semeando o ódio e a guerra sem fim. A primeira
supera as contradições da "práxis" na unidade superior da consciência
contemplativa; a segunda alastra para o reino da "práxis" o ódio a
si mesmo que atormenta o intelecto incapaz de repouso contemplativo". Quando sabemos que
os nossos partidos políticos, praticamente todos eles, refletem a crença
marxista, não apenas na intenção programática, mas
sobretudo na ação de conquista do poder, é que se pode ter a grau de
imersão em que a sociedade brasileira está mergulhada na mentira
institucional. O perigo que ronda o nosso País é temível, pois uma explosão
de violência política é o caminho natural para os sociopatas.
A leitura dos jornais diários dá náuseas: claramente vemos que os escritores
-- jornalistas e articulistas -- praticam a mentira mais descarada a fim de
satisfazer os interesses de seus senhores, em prejuízo do público. O momento eleitoral
que vivemos é especialmente favorável para observar a ação enganosa, todo o
esforço que envolve a classe letrada no sentido de ludibriar a maioria, para
a manutenção dos seus propósitos políticos inconfessos. Vetustos senhores e
senhoras se prestam às mais mesquinhas artimanhas mentirosas. Realmente,
procurar discutir a verdade é hoje uma condição de saúde mental. A mentira
institucional é uma arma enlouquecedora das
multidões. A nossa verdade --
a verdade do Ocidente -- começa na mensagem de Cristo, que é o seu fundamento
último. Quem não a recebe e a transmite faz apenas o jogo do Opositor, cuja
arma mais usada é a mentira sistemática. Onde há mentira, o Mal está
instalado. Dito isso, podemos afirmar que o Brasil está mergulhado nas trevas
mais terríveis. Para usar a frase do último filme de George Lucas (por sinal,
fraco): "É o lado escuro
das trevas, que a tudo obscurece". |
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