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QUEM SOU EU? Quem sou
eu? Sou cristão, liberal e democrata. Abomino todas as formas de tiranias e
de coletivismos. Acredito que a Verdade veio com a Revelação e que a vida é
uma totalidade, não podendo ser cindida em departamentos estanques. Abomino
qualquer intervenção do Estado na vida das pessoas e na economia, além do
imprescindível para manter a ordem pública. Acredito que a liberdade é um bem
que se conquista cotidianamente, pelo esforço individual, e que os seus
inimigos estão sempre a postos para destruí-la. Preservá-la é manter-se
vigilante e sempre disposto a lutar, a combater o bom combate. Acredito que
riqueza e prosperidade só podem vir mediante o esforço individual de
trabalhar. Fora disso, é sair do bom caminho, é mergulhar na escuridão da
mentira e das falsas promessas. Digo como
o grande Ortega y Gasset: "Dou o que tenho; que outros, capazes de
fazer mais, façam o seu mais, como eu faço o meu menos". ----------------------- POR QUE ME DECLARO CRISTÃO 26/03/2001 É muito
difícil definir em que consiste o meu cristianismo. Em primeiro lugar, porque
Cristo é, antes de tudo, uma expressão simbólica e como tal contém o
Inefável, o Indizível, aquilo que escapa à compreensão humana. Lendo os belos
textos das Escrituras vemos muitas metáforas e outra
figuras de linguagem, pois a definição das coisas divinas não é fácil
na linguagem humana. Gosto especialmente do discurso de Paulo no Areópago (At 17,22 +) em que fala do Deus Desconhecido. Gosto
quando Paulo fala do Deus Vivo, gosto quando Cristo
disse que vem renovar a Aliança, mas vem também fazer valer a Lei, uma
contradição aparente. Gosto quando Paulo diz que "Deus não faz acepção
das pessoas" e gosto da vocação evangelizardora
cristã, sua mais nobre missão. O que mais me seduz no Cristianismo é a sua idéia fundamental de
que a Humanidade é uma só, que Deus é um só, e que pela Graça haverá a
Salvação. Sem isso a vida fica rigosoramente oca,
não vale a pena, é transitória, dolorosa, contraditória, aterrorizante. A
morte, diante de uma negação de Deus, é a única saída sensata para um ser
inteligente, para escapar da horrenda condenação a que está submetida a Natureza, a vida a devorar-se a si mesma, eternamente,
numa sucessão de dores inúteis. Então a
minha crença consiste em dar fé ao testemunho dos homens excepcionais que
escutaram a mensagem de Cristo e outros, como Paulo, que viveram uma
experiência avassaladora e irresistível, de "ver" Cristo. De homens
modernos, como Jung, que nos afirmam que a experiência desses homens antigos
é verdadeira e que o Deus Vivo continua vivo como sempre, em cada um de nós.
De homens como Miguel de Unamuno, que ungidos da
bênção da poesia, conseguem exprimir a fé como uma verdade filosófica. De
homens como Olavo de Carvalho, que, a partir de intelectos excepcionais,
dão-nos a garantia a nós outros de que Verdade e Fé são uma única e mesma
coisa. Mas o
Cristianismo tem ainda outras belezas. Tem as virtudes, em especial a
Caridade. E o que dizer do Perdão? Da Tolerância? Da Paciência? Uma religião
que prega a prática desse conjunto de virtudes, dificílima, que por si só
exige do vivente uma força interior de um gigante, tem algo de extraordinário
e de transcendente. Mas tenho
também muitas perguntas, acho que todas elas sem respostas, dentro das
limitações humanas. Por que "esse" plano de Salvação? Em que
consiste precisamente a Salvação? Por que Deus permitiu que Satã tivesse
força para ser a Sua negação? Etc, etc, etc. O que me
consola é ter aprendido com Unamuno que a fé
pressupõe a dúvida e entre as duas fica o crente crucificado durante a sua
existência. Era a sua maneira peculiar de ver no homem uma imitação do Cristo
pregado à Cruz, "morriente". Por fim,
há um conjunto de sonhos que tive, nos quais aparece a Cruz Resplandecente e
que dão a minha própria sustentação empírica à minha fé. É a maneira com que
o Bom Deus abençoou-me com uma dádiva, uma gota de Sua bondade. Como explicar
isso para quem não viveu algo igual? É indizível, é o que nos torna sós, solitários em meio a multidão. Haveria ouvidos para
ouvir? Duvido. Quem é mesmo o meu próximo? Hoje só há pseudos
cristãos guerreiros (aonde está a paz de Cristo?) em
busca de revolução, ninguém quer mais saber do Pão da Vida, mas do Reino
desse Mundo, a ruina do Espírito na ensandecida
busca da salvação pela política, vale dizer, pela matéria. --------------------------------------- DEVER DE CONSCIÊNCIA 03/02/2002 Em
conversa com amigos, perguntaram-me porque decidi me expor, escrevendo quase
que diariamente sobre temas variados e opinando sobre os fatos da conjuntura.
Resposta na ponta da língua: faço-o por dever de consciência. Por mim, por
minha família, por meus amigos, por meu País. O estilo
que adoto nos meus curtos escritos é o da sobriedade, mesmo quando manipulo temas naturalmente polêmicos e explosivos. Sem ela,
poderia acontecer dos textos tomarem o tom denuncista
e, por isso mesmo, perderem a credibilidade. Mas sobriedade não significa
fazer concessões: ela é um mero estilo de escrever. Minhas palavras são tão
duras quanto merecem os temas trabalhados, sem fazerem concessão de espécie
alguma. E não é sem esforço, pois os temas são candentes e a minha inclinação
natural é a explosão verbal de indignação. Mas, assim, os textos teriam a
eficácia diminuída. Decidi
escrever por dois motivos fundamentais. Primeiro, porque descobri que, no
meio-dia da vida em que me encontro, eu tenho algo dizer. Mas decidi também
fazer esse estafante – e gratificante – esforço porque a mentira e a
desinformação tomaram conta das nossas fontes de informação e senti-me na
responsabilidade de fazer o contraponto, no limite das minhas possibilidades.
Tive que fazer um grande esforço pessoal para escapar da lavagem
cerebral a que estamos submetidos e decidi somar esforços com os
poucos gatos-pingados que também decidiram enfrentar a mentira
institucionalizada, voluntária ou não, que domina os nossos meios de
comunicação e de produção cultural. Não
escrevo por dinheiro, nem por vaidade, nem por projeto político pessoal.
Escrevo como uma espécie de missão. Posso até dizer que o faço hoje não mais
por escolha – se é que algum dia o fiz –
mas por um impulso interior que só se controla diante da crônica do
dia redigida. Por ser assim, desfruto da máxima liberdade, aquela liberdade
inebriante que só a arte de escrever pode permitir. A sublime liberdade. Algumas
publicações, em diferentes regiões do Brasil, têm acolhido as minhas notas.
Fico feliz e lisonjeado por isso. Mas me daria por satisfeito com a
requintada platéia que tenho na Internet, essa grande maravilha, que permitiu
juntar-me aos solitários de alma e unir-me àqueles que estavam
irremediavelmente ilhados. Essa será talvez a maior revolução da rede, a de
deixar que homens e mulheres que têm o que dizer, e o fazem por dever de
consciência, amplifiquem a sua mensagem, fazendo-a chegar aos lugares mais
distantes. É uma confraria dos solitários de alma. Tenho
feito novos e grandes amigos entre os seres mais especiais, não apenas em
nosso País, mas também no exterior. É uma dádiva e uma recompensa trocar
correspondência com essas pessoas e ocasionalmente encontrá-las. É uma graça
divina partilhar da riqueza espiritual de tanta gente distinta, jovens e
velhos, todos muito talentosos. É por isso
que escrevo com gosto. Mudei a minha rotina e aumentei a minha carga de
trabalho, mas é o que faço de mais importante nesse instante da minha
existência. ____________________________________________________________________________ |
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