NIVALDO
CORDEIRO: um espectador engajado
QUEM SÃO OS
RESPONSÁVEIS?
20/04/2008
Voegelin, no livro HITLER E OS ALEMÃES, recém editado no Brasil pela éRealizações,
foi enfático ao afirmar que o fenômeno político do nacional-socialismo derivou
antes de tudo de uma pneumopatologia, uma doença do
espírito que se abateu sobre a Alemanha daquela época, muito mais grave do que
uma simples psicopatologia, uma doença da alma, como muitos quiseram fazer
crer. O descenso civilizacional
representado pelo nazismo tem que ser buscado nos indivíduos tomados como
pessoas, com nome e endereço. Não há qualquer culpa coletiva, coletivos não
podem ser escudos para retirar as responsabilidades individuais. E afirmou
mais: “Não há nenhum direito de ser
estúpido”, estupidez também não inocenta ninguém.
Lembro disso
porque quero continuar o comentário que fiz no artigo anterior (A
QUESTÃO DA REPRESENTAÇÃO NO BRASIL) A ascensão de Lula e do PT ao poder
poderia ser debitada à engenharia de comunicação social mentirosa posta em
marcha pelas forças petistas. Isso é certo, mas não explica o fato. Um homem
dentro da sua razão não poderia acreditar nas estultices da propaganda política
se não se acumpliciasse com os camaradas do partido. Veja você, meu caro
leitor, que não estou aqui meramente cobrando a responsabilidade do povo miúdo,
que teria até mesmo a desculpa da fome e do desamparo da pobreza para um voto
“útil” no PT, embora mesmo essa gente não possa ser desculpada.
Pobreza não é atestado de insuficiência moral e alguém pobre e pouco estudado
continua a saber as noções elementares do “certo” e do
“errado”, na vida pessoal assim como na vida política, de que participa pelo
voto.
A propaganda
mentirosa e a má intenção dos agentes políticos do PT são o
pólo positivo; a alma desgraçada pelo descenso
civilizacional é o pólo negativo. O discurso
mentiroso e falsificado tinha ouvidos para ouvir. Havia no ar o pedido do “me engana que eu gosto”. Dessa maneira
cumpre-se à risca o ditado de que cada povo tem o governo que merece. Uma ralé
governante foi alçada ao poder pela ralé moral integrante de todas as classes
sociais.
Quero me
referir propriamente aos extratos superiores que constituem a parte mais
relevante dessa ralé, para usar a dura e saborosa expressão de Voegelin. Banqueiros, industriais, toda a classe
universitária, os controladores da mídia, parte do clero dito “progressista”,
os poderosos e ricos em geral. Onde deveria residir o escol da sociedade, a dar
exemplo às classes subalternas, vimos aninhados nesse meio enriquecido os
aleijados de alma. O mote que utilizam é o cínico “igualitarismo”, que eles por
condição sabem ser uma falsificação e uma impossibilidade prática. E todos os
“direitos” arbitrários que foram inventados, desconectados do direito natural,
cuja execução levou a uma exacerbação jamais vista na carga tributária, são
exemplos dessa doença política.
A liberação
dos costumes, a defesa dos criminosos e a inculpação das suas vítimas, a
regulação da ação humana nos mínimos detalhes, tudo isso aboliu na prática
grandes parcelas da liberdade. Então o reino petista é esse misto de terror
fiscal e policial, de um lado, e o terror derivado do banditismo anárquico
protegido pelas figuras eminentes do Estado, do outro lado. É a negação dos
valores tradicionais.
O ponto é
que não há inocentes nesse jogo e a comunalha só
tomou o poder porque a doença do espírito se espalhou por igual por todo o
corpo social. Se alguém quiser buscar os culpados da situação que foi criada
basta procurar um espelho e nele mirar-se. A cura terá que ser individual, a
começar pela catarse pessoal, cada um assumindo a parte que lhe cabe. Mesmo o
pobre dos grotões, ao receber a bolsa-esmola, sabe que está se vendendo
moralmente, pois sabe que nada é grátis. Os esquerdistas Zona
Sul, esses é que não têm desculpas. Alguns quiseram fazer carreira com a
carteirinha do partido. Outros usar de influência. Outros por vaidade, para se
sentir parte do grupo. Outros por puro cinismo, para realizar negócios ou
qualquer outra coisa inconfessa. Ninguém é inocente.
A pergunta
que me faço é aquela que Karl Krauss se fez em