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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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QUEM PODE DIZER "NÃO!" 12/05/2012 É certo que o
Brasil, conduzido por Dilma Rousseff e o PT, está a caminho do desastre. Na economia
já fizeram soar os clarins do apocalipse. No plano das liberdades, as ameaças
são antigas e continuadas. No da moral e dos bons costumes, temos assistido à
criminalização das virtudes e a autorização legal (quando não a compulsoriedade) para a prática dos vícios, tresvalorando todos os valores. [Ontem vi
pela tv a cabo a fantasia cinematográfica do
Quentin Tarantino, Bastardos Inglórios. Belo filme, a crônica do que poderia
ter sido se quem podia dizer não o tivesse feito em tempo hábil. Toda gente
sabia o que viria. Em 1929 Thomas Mann proferiu seu famoso discurso contra o
nazismo. Raymond Aron, em 1932, também escreveu contra a loucura. Ortega y Gasset, Eric Voegelin, e Joseph
Strauss também, mas nenhum deles tinha poder para tornar seu não efetivo.
Todos que poderiam dizer não e tinham poder tornaram-se sócios da empreitada
nazista. Nos primeiros anos tiveram lucros certos e espetaculares. Depois
veio o mergulho no abismo.] Quem pode
dizer não ao PT hoje? Alguém diria: os eleitores. Ora, depois da propaganda
maciça, da anestesia injetada no sistema educacional, da adesão interesseira
das elites econômicas (os banqueiros em primeira hora, mas estes já estão
purgando seus pecados), a classe política inteira e até mesmo o estamento militar não têm como dizer não ao
aprofundamento da loucura política. Eu reconheço a extrema competência com
que os revolucionários petistas estão conduzindo a coisa. Em oito anos de
Lula, por exemplo, não ousaram mexer nos fundamentos da política monetária.
Agora estão à vontade para ditar aos bancos regras draconianas, mesmo que
sejam contra as leis econômicas. Os eleitores
não dirão não porque não têm senso crítico e a propaganda utilitarista
recomenda mesmo é a troca de votos pelo benefício imediato oferecido pelos
governantes. Vivemos a falsificação plena da democracia. Perdeu-se o medo
coletivo da tirania. Nem mesmo os
exemplos históricos das experiências tiranas parecem acordar a massa, que
adormeceu letargicamente. Os políticos
são sócios maiores do butim, assim como os grandes empresários. Nenhum deles
se colocará como oposição ao PT e sua loucura. Fazer oposição custa caro e
empobrece. A elite
intelectual menos ainda. Não apenas é sócia, ela é quem pôs o PT no poder e é
a gestora de sua aventura governante. Está no poder. Não há dissenso quanto
ao gosto com que vê o PT no poder. O mesmo vê-se na imprensa, cevada com
verbas publicitárias e com as redações entregues aos militantes partidários.
Nunca dirão não. E a Justiça?
Bem vimos as recentes decisões do STF. Os ministros deixaram a majestade da
toga para envergarem a bandeira partidária e agora deliberam como resignados
e obediente militantes partidários. O Ministério Público também está
grandemente tomado pela militância do PT, bem como a magistratura de primeira
e segunda instâncias. A Justiça não é mais órgão de Estado, mas órgão
partidário. Quem pode
dizer não, então? Ninguém. Alguns podem até ver com clareza o desastre que se
aproxima e saber exatamente o que se passa. Mas gente assim está
politicamente e economicamente isolada e não tem como influir no processo. E,
se tentar, entrará na condição de alvo dos chefes do regime. Como aconteceu
com a fraca e quase inexistente resistência ao nazismo, na Alemanha. O Brasil terá
que viver integralmente seu destino trágico, cujos acontecimentos são de
difícil previsão. Beberá, até a última gota, do cálice preparado pelas
esquerdas. |
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