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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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PT
TOMA O ESTADO E AS EMPRESAS 09 de outubro de 2009 A Folha de
São Paulo de hoje trouxe uma notícia (link) que, se não é novidadeira, está
conforme os piores temores dos genuínos democratas. Sabia-se que a ocupação
dos cargos de confiança da administração direta e indireta está loteada
politicamente pelo partido governante. Depois vimos a
multiplicação dos concursos públicos para colocar dentro do Estado o maior
número possível de “companheiros”. A notícia da Folha dá conta de que até
mesmo os executivos das empresas controladas pelos fundos de pensão,
nominalmente a Companhia Vale do Rio Doce, deve ter sua diretoria substituída
para pôr no lugar dos antigos diretores gente politicamente indicada pelo PT. A notícia é
importante vista de dois ângulos. De um lado, a explicitação da socialização
dos meios de produção, agora pelo instrumento dos fundos de pensão
controlados pelos sindicalistas do PT. Vimos esse fato acontecer no mundo inteiro.
A crise da General Motors Corporation
nos EUA deveu-se à má administração imposta à empresa pelos sindicalistas e
seus fundos de pensão, que se tornaram os principais proprietários da
empresa. O bailout para salvar a GM foi dos atos
mais imorais e anticapitalistas que a administração de Barack
Obama poderia fazer. Nos últimos anos fenômeno
semelhante estamos vendo no Brasil, com os fundos de pensão controlando as
principais empresas e indicando politicamente os seus dirigentes, quando não
os administradores de nível intermediário. Podemos dizer
que o fenômeno detectado Peter Drucker, a formação do socialismo a partir dos fundos de pensão, está
plenamente consolidado entre nós. É o método alternativo à tomada dos meios
de produção diretamente pelo Estado. Drucker teve a
lucidez de perceber as conseqüências políticas e econômicas do fenômeno nos
EUA em meados dos anos setenta. A ordem capitalista não persiste sem que haja
capitalistas, donos dos negócios. A diluição da propriedade privada coincide
com a irresponsabilidade megalômana dos administradores politicamente
indicados, usufrutuários que são de bônus milionários e privilégios
incompatíveis com a economia de mercado. O segundo e
mais preocupante fenômeno é que os melhores empregos nas empresas privadas e
no setor público agora estão sendo preenchidos por critério político, e não
pelo mérito. Mais vale a carteirinha do partido e o alinhamento com a
corriola sindical do que qualquer currículo. Está em curso um processo de
sufocar a oposição política no nível micro, isto é, a partir da eliminação da
capacidade de sobrevivência econômica para aqueles que não estão alinhados
com o partido governante. É a ditadura do partido sobre o Estado e sobre as
grandes empresas. Isso em ciência política tem nome: fascismo e comunismo, no
que têm de pior. Voltou-se às práticas medievais das guildas. A
persistência desse processo no tempo levará necessariamente à tirania. As
pessoas que não assumirem em público o credo político dos governantes serão
economicamente excluídas. Sem carteirinha do partido não tem emprego que
preste. A verticalização da unidade de comando, além de sacrificar a
liberdade, sacrificará inapelavelmente a
competitividade da economia. Um desastre de elevada proporção, como vimos
acontecer na ex-URSS. Esse
fenômeno, associado à supertributação e à regulação
excessiva, objetivamente está destruindo o sistema de propriedade privada e
as liberdades. Está destruindo o capitalismo. A tirania é uma realidade
imediata. |
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