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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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http://www.fndc.org.br/arquivos/PropFNDC-Final.pdf Fórum
Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC Propostas
para a Confecom Apresentação O
FNDC, entidade que trabalha por uma comunicação democrática há quase duas
décadas, apoiado em seu Programa para a
Democratização da Comunicação no Brasil, apresenta suas propostas para a Confecom,
aqui expostas de modo sintético. Considera que elas abrigam os interesses basilares das
dezenas de entidades que o integram e de milhões de trabalhadores e trabalhadoras , devendo ser
ampliadas, desdobradas e aperfeiçoadas nos debates democráticos que virão. A
1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom)
permitirá o debate coletivo de interesses diversos e, por
vezes, contraditórios. Há, no cenário da comunicação brasileira, questões basilares ainda não resolvidas. Algumas
foram tangenciadas. Outras, abordadas de modo incompleto ou ignoradas de
forma premeditada e recorrente. Elas dizem respeito, por exemplo, às problemáticas advindas da
convergência tecnológica, da radiodifusão comunitária, das outorgas de rádio e televisão, das
possibilidades sinérgicas da digitalização, da expansão da internet como veículo de comunicação, do incentivo à
leitura. Dizem respeito, enfim, ao desconhecimento, pela sociedade brasileira, das dimensões
estratégicas da comunicação. A
luta pela democratização da comunicação vincula-se aos esforços para uma reestruturação da sociedade
brasileira, com o estabelecimento de garantias para o acesso a serviços públicos, ao trabalho e a condições de
vida dignas para todos os brasileiros. O FNDC reafirma a política de conjugar a busca de acordos
com autoridades e empresários do setor e governantes, com a busca incessante de mobilização social
em favor de teses que signifiquem um avanço na formulação de políticas
públicas de comunicação marcadas pelo interesse social. I
- Produção de Conteúdo O
FNDC propõe a implementação de uma política de desenvolvimento da cultura
para que o País
possa alcançar autonomia estratégica e exercer sua soberania. Considera que,
para o desenvolvimento da Nação, a produção
de conteúdo é tão importante quanto a economia e a defesa. Destaca que a constituição de
uma sólida cultura nacional reclama o estímulo à autonomia intelectual dos indivíduos,
propulsora do respeito à diversidade cultural, à sua pluralidade e à sua prática. O
FNDC propõe a formulação de diretrizes para o desenvolvimento industrial e
tecnológico que repercutam na formação de recursos humanos
para a produção de cinema, televisão, televisão comunitária, rádio,
radiodifusão comunitária, vídeo e multimídia. Propõe também a regionalização da produção e a
implantação de um programa de valorização da mídia impressa, em suas várias dimensões. O
FNDC sustenta que a produção de conteúdo deve contemplar e respeitar a
diversidade e a pluralidade de nossa sociedade:
gênero, raça, etnia, cultura, orientação sexual, crianças, juventude, idosos, pessoas com
deficiência, crenças, campo social, entre outros. O
FNDC propõe a criação de políticas que viabilizem a distribuição das
produções regionais, atualmente sem canais de
distribuição, estimulando a pluralidade de expressão. O Fórum defende a criação de cotas para o
conteúdo brasileiro nas TVs abertas e nas TVs de acesso pago. O
FNDC defende a efetiva aplicação dos dispositivos legais já
existentes e imediata regulamentação dos artigos 220 e
221 da Constituição Federal, que determinam a promoção da cultura nacional e regional; a
regionalização da produção artística, jornalística e cultural; o estímulo à produção independente; e a
preferência a conteúdos educativos, artísticos, culturais e informativos. O
FNDC propõe defender a ampliação dos critérios para destinação de verbas
governamentais em publicidade, de maneira a democratizar a
aplicação do dinheiro público nesse setor, gerando um marco regulatório da
publicidade oficial, com diversificação dos meios e inclusão de mídias alternativas. O
FNDC defende o estabelecimento de contrapartidas sociais pelos
concessionários, como por exemplo, a constituição – por parte
dos radiodifusores – de um fundo de financiamento à radiodifusão pública,
educativa/universitária e comunitária. Em
relação aos aspectos específicos, destaca a necessidade de na outorga, na
exposição de motivos, a apresentação de projetos
que estimulem a produção artística, cultural e jornalística regionais, a produção independente e o
fomento ao emprego formal e, na renovação, a comprovação desses
compromissos. Na
regulamentação do processo de outorgas, defende a prioridade de concessões de
rádio e TV para as comunidades tradicionais
(ciganos, indígena, quilombola, ribeirinhos, religiosos de matriz africana e outros). O
FNDC defende a criação de um Fundo de Apoio à Radiodifusão Comunitária. II
- Meios de Distribuição O
FNDC propõe a reestruturação do sistema de comunicação no Brasil. O Fórum
considera que essa medida reclama a elaboração de um
Plano Nacional de Diretrizes e Metas, bem como o enquadramento das telecomunicações em uma
ampla política de comunicações. Esse Plano deve contemplar o conceito de
controle público. Tal controle deve ser exercido em três níveis: adoção de um marco regulatório;
implantação de uma rede de mecanismos de controle; e articulação de uma rede de
movimentos sociais capacitados para compreender a comunicação contemporânea, opinando e
formulando sobre o seu processo. O
novo Marco Regulatório para as comunicações no país deverá ser construído
dentro da idéia de controle público, a partir dos interesses
da maioria da sociedade e com base na articulação das leis, regras e estatutos. O
FNDC reivindica que este Marco Regulatório leve efetivamente à regulação da
mídia, e contenha, também, mecanismos de
controle, pela sociedade, do seu conteúdo e da extrapolação de audiência que
facilita a existência dos oligopólios da comunicação que desrespeitam a pluralidade e
diversidade cultural. FNDC
sugere que este Marco Regulatório seja baseado nos moldes da regulação da
saúde no Brasil.
Este Marco Regulatório deve representar a atualização e reformulação de Leis
e Normas
existentes, além da formulação de novas, garantindo a construção e
consolidação de políticas públicas de comunicação
voltadas ao interesse público, elaboradas conjuntamente com os movimentos sociais. O
risco da desindustrialização, pela falta de domínio da tecnologia, com o
colapso insuportável do nível de emprego e renda, são igualmente
ameaças que fazem da necessidade do controle público da digitalização, uma questão
de segurança nacional e soberania. Para fazer frente a estas oportunidades e desafios, o
FNDC propõe a criação da Organização Nacional de Serviços
Digitais (ONSD), administrada sob controle público. Propõe
também a definição de políticas claras para o incentivo à produção de semicondutores, inicialmente financiado pelos
recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações
(FUST). A
digitalização, seja como janela de oportunidades, seja como desafio, é
decisiva para a soberania, a cidadania, as relações
internacionais, os direitos sociais, e a ordem econômica e financeira. Como tal, deve
ser tratada como política de Estado. A
esse respeito, deve-se destacar que a implantação do Sistema Brasileiro de
Televisão Digital (SBTVD)
ainda pode cumprir um efetivo papel sócio-cultural. O
FNDC defende a adoção do conceito de rede pública e única e a oferta de um
pacote de vídeo, dados e voz acessível às
diferentes faixas da população. Uma rede (única) com desagregação de serviços,
interconexão e compartilhamento de infra-estrutura racionalizará os custos de operação, reduzindo os
preços para permitir a oferta do pacote. O
FNDC defende a articulação e ampliação dos programas governamentais relativos
à inclusão digital, com universalização
do acesso e construção de uma infra-estrutura pública de telecomunicações, garantindo sua
sustentabilidade. O
FNDC defende ampliação do debate sobre o software livre e suas aplicações nas
redes públicas e governamentais. O
FNDC defende urgente a regulamentação do mercado de banda larga, de maneira a
garantir caráter público e universal ao
serviço, com acesso gratuito. O
FNDC propõe a revisão dos conceitos dos sistemas de comunicação privado,
público e estatal, considerando tal medida vital
para viabilizar a participação pública em todos eles, guardadas as sua especificidades. Em
defesa da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o FNDC reivindica a criação de conselhos de redação; produção e
programação, com integrantes eleitos pelos seus pares. Defende
a abertura para a participação da sociedade nas reuniões, com pautas e dias previamente divulgados, do
Conselho Curador (CC) e adoção de consultas públicas como mecanismo de gestão. O
FNDC propõe a mudança da atual gestão do nic.br
(Comitê Gestor da Internet), atualmente gerido por uma Oscip,
por um órgão do setor público. E que os recursos advindos dos serviços prestados pelo nic.br sejam cobrados e geridos por um banco público. III
- Cidadania: Direitos e deveres O
FNDC propõe que o referido Marco Regulatório para as comunicações favoreça a articulação entre a sociedade
e o Estado, proporcionando à população a condição de iniciativa diante do Estado e do setor privado. O
FNDC reivindica a redefinição do papel do Conselho Nacional de Comunicação
Social, independente do Senado, com
caráter deliberativo e autônomo. O
FNDC considera imprescindível aprofundar o debate entre o setor privado e a
sociedade, buscando formular uma legislação que
aplique o princípio constitucional da proibição do monopólio e oligopólio na área da
comunicação. As
políticas públicas devem também abranger a formulação de uma nova política de
outorgas e de renovação de outorgas de emissoras de
radiodifusão e de novas tecnologias de comunicação, com critérios
claros e rito que permita o acompanhamento por todos os interessados. Nesse
sentido, o FNDC defende: A
implantação de mecanismos de transparência, participação popular e controle
público no processo de outorga e renovação, na
gestão do espectro e no monitoramento das concessões. A
realização de audiências públicas – de âmbito local, regional e nacional - no
processo de renovação, como já indicadas no Ato
Normativo da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação
e Informática da Câmara dos Deputados. A
apresentação por parte do concessionário e do Ministério, no ato de
renovação, de levantamento, com resultados de
pesquisa de opinião ou outros dispositivos, com a avaliação dos serviços prestados à comunidade,
comprovando o atendimento dos compromissos firmados no ato da concessão, permissão
ou autorização. O
FNDC propõe que, no ato de renovação da concessão, permissão ou autorização,
seja comprovado o respeito às
regulamentações das atividades profissionais envolvidas na cadeia produtiva da radiodifusão, notadamente
das profissões de jornalista e radialista. O
FNDC propõe que seja comprovado o cumprimento do tempo mínimo (5%) destinado
à programação jornalística, como
determina o item h do artigo 39 da Lei 4.117, de 27 de agosto de 1962, bem como a identificação dos
profissionais responsáveis, com a apresentação dos respectivos registros legais,
conforme previsto na Lei 5.250, de 09 de fevereiro de 1967. O
FNDC propõe que seja criada uma comissão no Ministério das Comunicações, com
a presença de representantes da sociedade
civil, para participar da avaliação das outorgas e, ainda, a obrigação dos processos
serem apreciados no Conselho de Comunicação Social quando de sua tramitação no Senado. O
FNDC propõe inclusão, na estrutura das empresas de Rádio e TV, de mecanismos
que estimulem e permitam o controle público
sobre a programação, como conselhos com participação da sociedade,
conselhos editorais e serviços de ouvidoria. Propõe
a estrita observância do decreto-lei 236/67 que estabelece,
no artigo 12, limites à propriedade de concessões e
permissões de empresas de radiodifusão, estabelecendo mecanismos que identifiquem
os reais concessionários e permissionários e impeçam a prática disseminada de “testas-de-ferro”
e a comercialização da propriedade entre particulares, regulamentando o dispositivo
constitucional que estabelece vedação ao monopólio e oligopólio na prestação de
serviços de radiodifusão. O
FNDC propõe a criação de mecanismos de controle público, tais como conselhos
de comunicação municipais e
estaduais, agências reguladoras, ombudsman e Conselho Federal dos Jornalistas. Para isto, o Fórum considera
imprescindível aprofundar o debate entre o setor privado e a sociedade, em busca de
formular uma legislação que aplique o princípio constitucional da proibição do
monopólio e oligopólio na área da comunicação. O
FNDC propõe a inclusão na estrutura das empresas de Rádio e TV de mecanismos
que estimulem e permitam o controle público
sobre a programação, como conselhos com participação da sociedade,
conselhos editorais e serviços de ouvidoria. O
FNDC também estimulará a criação de um Código de Ética
conjunto da área de comunicações, englobando todos os
setores empresariais e profissionais da área da comunicação, proporcionando
orientações à sociedade civil para a compreensão, julgamento e fiscalização de questões
atinentes às comunicações. Quanto
à influência da publicidade nas relações de consumo e na construção de
subjetividade, em especial no período da infância, o FNDC
defende: -
A necessidade de resgatar a plenitude do desenvolvimento da criança em
virtude do assédio do mercado, fortalecendo os valores da
infância, priorizando o ato de brincar e não o objeto, o brinquedo anunciado. -
Que as reais necessidades da criança sejam contempladas quanto à preservação
da saúde, inclusive quando são evidentes os apelos
publicitários para o consumo de alimentos inadequados e prejudiciais
como gorduras trans e outros, camuflados em elaboradas mensagens publicitárias. -
Medidas que proíbam a exposição da criança em publicidade dirigida ao público
infantil. Tal exposição cria o estereótipo de criança
incompatível com a realidade da estrutura familiar contemporânea. Propõe
medidas que proíbam a exposição da criança em publicidade estereotipada, incompatível com a realidade da
estrutura familiar contemporânea; Propõe a defesa de políticas que produzam uma mudança no
imaginário social relativo ao dano produzido pelo consumo abusivo de substâncias
psicoativas, em especial tendo por alvo as crianças brasileiras que se vêem assediadas pelo mito de
reconhecimento do campo social estimulados por estes simulacros publicitários. O
FNDC manifesta-se contrário à exploração da imagem do
homem, mulher, criança e adolescente na mídia. Inúmeros
setores da sociedade não apenas estão excluídos de acesso aos meios, impedidos de exercer a
liberdade de expressão e de ter acesso às informações, mas freqüentemente são alvos de
tratamento discriminatório, como os negros, os trabalhadores, as mulheres e os movimentos sociais
populares. O
FNDC defende políticas públicas com vistas a resgatar a associação de valores
como cidadania e mobilidade às questões do
trânsito. Defende
a ampliação dos critérios para destinação de verbas governamentais em
publicidade, de maneira a democratizar a aplicação do
dinheiro público nesse setor, gerando um marco regulatório da publicidade
oficial, com diversificação dos meios e inclusão de mídias alternativas. O
FNDC propõe, como medida para a valorização do papel
da população indígena e africana na formação da cultura e da nação brasileira,
que se estabeleça um percentual da programação de todos os sistemas (público privado e
estatal) para a veiculação de produção audiovisual que trata da história e cultura africana
e indígena. Propõe que seja garantida, nas propagandas, a paridade entre negros, outras etnias e
gêneros. FNDC
defende a organização dos trabalhadores da comunicação por meio de
regulamentações profissionais que resguardem e
respeitem suas especificidades e sejam defendidas e atualizadas buscando evitar
sobreposições de funções. O
FNDC repudia a decisão do STF e reforça a luta em defesa do diploma de
jornalista para garantir os critérios de
responsabilidade social dessa importante profissão, por meio da reinserção da exigência da
formação específica para o exercício do Jornalismo. FNDC
reivindica uma formação profissional que além dos aspectos técnicos, valorize
a formação humanística e a capacitação
também para a atuação nos meios de comunicação públicos, universitários e
comunitários. O
FNDC defende que a profissão de jornalista – organizada e regulamentada –
efetivamente se transforme em instrumento de
controle público da mídia, de defesa das liberdades de expressão e de imprensa. O FNDC defende,
portanto, a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Também
entende que são garantias da democracia nas comunicações e no país o respeito
e a valorização da regulamentação
dos radialistas e outros segmentos de trabalhadores da mídia, a defesa e estímulo dos radiocomunitaristas e de meios de comunicação alternativos
e/ou utilizados pelos movimentos
sociais, como blogs, sites não jornalísticos, redes, entre tantas outras formas de exercício
comunicativo livre e democrático. FNDC
defende a necessidade de uma nova Lei de Imprensa que garanta efetivamente a liberdade de expressão. O
FNDC defende a luta por uma política pública nacional que inclua no currículo
escolar do ensino fundamental e médio,
disciplinas sobre a mídia, dentro de uma filosofia que resgate o caráter dialógico da comunicação,
possibilitando leituras diversas. O
FNDC propõe a capacitação da sociedade e dos cidadãos para a compreensão das
políticas públicas de comunicação. Ela deve
abranger a implantação de um programa de apoio ao debate teórico e político e à
elaboração técnico-científica sobre comunicação. Deve também abranger um programa de Capacitação
para Leitura Crítica dos Meios de Comunicação e Debate
da Estética, proporcionando orientações à sociedade civil para a compreensão, julgamento e fiscalização de
questões atinentes às comunicações e seus reflexos na produção de subjetividades, com destaque para as
decorrências sociais da propaganda e da publicidade. O
FNDC propõe a criação de um Instituto de Altos Estudos de Comunicação e
Estratégia. Brasília,
22 de outubro de 2009. Coordenação
Executiva do FNDC Associação
Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço) Associação
Nacional das Entidades de Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões
(Aneate) Central
Única dos Trabalhadores (CUT) Conselho
Federal de Psicologia (CFP) Federação
Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão
(Fitert) Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) |
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