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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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OS PROFISSIONAIS DA POLÍTICA 20 de março de
2010 No artigo anterior
comentei o texto de Roberto Jefferson publicado na Folha de São Paulo, no
qual ele contrapõe os “profissionais”da política aos
ideológicos revolucionários liderados pelo PT. Volto ao tema porque entendo
que Roberto Jefferson cometeu dois graves erros ao empregar a palavra “profissionais”. Se bem me lembro
essa expressão foi usada pela primeira vez para se referir a
gente supostamente realista, como Marco Maciel e Antonio Carlos Magalhães,
que faziam o que precisava ser feito para se manter no poder durante o regime
militar. Naquele tempo bendito esse profissionalismo passava por agradar a
elite militar dirigente. O termo depois se metamorfoseou para indicar o
político profissional, sem nenhuma trave ideológica ou moral, movendo-se
unicamente pela ética utilitarista de se manter no poder. Roberto Jefferson
usou esse artifício para não precisar utilizar o termo “direita”,
vocábulo amaldiçoado no dicionário político em uso nas terras dos tupiniquins
(outra vitória da esquerda). Ele não notou que, com isso, fez a suprema
concessão aos adversários (inimigos?) políticos. Perdeu a parada ao entrar no
próprio campo de significados do imaginário esquerdista. Há também uma outra idéia associada ao termo “profissional”. É a do
sujeito que tem a técnica necessária para conquista o poder. É aquele que
sabe conquistar o poder. Por essa ótica, os verdadeiros profissionais são os esquerdistas, pela própria
definição dada por Roberto Jefferson. Estes não descansam nunca, fazem política em tempo integral e em todos os campos da
ação humana, a começar pela educação e pelo controle dos aparelhos do Estado.
Nessa ótica, os
mal denominados “profissionais” no texto de Roberto Jefferson são na verdade
amadores, preguiçosos, relapsos que trabalham de quatro em quatro anos.
Talvez seja essa a causa principal de seu ocaso político. Não perceberam que
a conquista de eleitores é trabalho de todo dia, não pode esperar uma
efeméride eleitoral. Os supostos profissionais já entram na disputa derrotados. Roberto Jefferson
não percebeu que, para lutar contra as esquerdas organizadas, é preciso
formar quadros à direita, também organizados, profissionais em tempo integral
no duelo político. As esquerdas nacionais têm sido largamente beneficiadas
pela omissão de seus adversários, elas que utilizam de forma eficaz técnicas
de mobilização social e política em larga escala, envolvendo crescentes
continentes populacionais, a começar pelos malfadados movimentos sociais. Coloca-se o
desafio de se usar as mesmas técnicas, com sinal contrário. Esse foi milagre
utilizando por Ronald Reagan para a sua trajetória vitoriosa à Presidência da
República, técnica essa novamente posta em movimento pelo movimento Tea Party, que está devastando
o eleitorado esquerdista nos EUA. Lideranças como Roberto
Jefferson precisam perder o preconceito e se assumir como pólo oposto
da esquerda, isto é, como direita política. Precisam, com convicção, partir
para o duelo ideológico e vencer, sem o que nunca mais verão vitórias
eleitorais. |
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