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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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O TRIUNFO DO ESTADO TOTAL 16/10/2008 Meu caro
leitor, a conseqüência mais inesperada e importante da catastrófica crise que
se instalou nas economias ditas ricas (merecem esse qualificativo porque viviam a crédito, dinheiro falso, não eram tão ricas
assim) é separar o trigo do joio ideológico. Está muito claro que a raiz da
crise é a exorbitância do Estado. O Estado gastou demais, incentivou o
surgimento de créditos “podres”, gerou déficits orçamentários inadministráveis, o mesmo se dando no balanço de
pagamentos. Todos os desequilíbrios agora aflorados são de responsabilidade
exclusiva do Estado. Mais
especificamente: todos os desequilíbrios originam-se de políticas estatais de
inspiração socialista. Então atribuir ao mercado – ou, pela variante, à
ausência de regulação estatal sobre o mercado – a origem da crise é simples
mentira, falsificação dos fatos. Mas é isso que eu tenho lido nos artigos
daqueles que professam a fé socialista: que a crise é uma crise do mercado,
do neoliberalismo. O que mais
me espanta não é que os defensores das doutrinas socialistas continuem na sua
crença infernal. Quem adora Satanás por escolha que o faça! E o fazem, eles
que controlam a maioria dos governos pelo mundo. A reação foi instantânea:
para se combater os males causados pelo Estado receitam maior agigantamento
da Besta. E tome estatizar bancos, emitir moeda, regular tudo. Mais do mesmo.
Vale o bordão: é apagar fogo com gasolina. A conseqüência é que vivemos no
momento o mais alto grau de estatização fora daquela verificada nas economias
centralmente planificadas de toda a História. O que me
espanta mesmo é ver liberais doutrinários, de boa fé,
receitando e aceitando esse crescimento da Besta estatal, como se ele
fosse solução para os males do mundo. Configura-se um trágico engano, não
apenas ideológico, mas científico. A ciência econômica tem a sua utilidade e a principal é demonstrar
a superioridade da economia de mercado sobre as economias socialistas. Outra,
não menos importante, é demonstrar que confiar no agigantamento do Estado é
trilhar caminho da servidão, que bem sabemos onde vai dar: no totalitarismo. A crise
vai cobrar seu preço em empresas falidas, em empregos destruídos, em desordem
política e social, em algum grau. Faça o que fizer a Besta estatal não
escaparemos à purgação. Agora, na ilusão de que o Estado teria o poder de
eliminar essa “destruição criadora”,
permitir que a Besta cresça e esmague os indivíduos é mais do que cegueira, é
suicídio. Vimos que o crescimento do Estado é secularmente irreversível, como
bem o demonstra a participação da carga tributária no PIB. A atitude
certa agora é aceitar os fatos. Quem quebrar, quebrou,
como fazemos quando acorre o falecimento de alguém querido: quem morreu,
morreu. É fato irreversível. O Estado não tem o poder da ressurreição
econômica, como não tem o poder de fazer nenhum defunto retornar à vida. Essa é a grande mentira socialista que
engana as multidões, mas que não deveria enganar aqueles que tiveram a luz da
ciência econômica. O Estado só tem o poder de gerar injustiça, ao custo de
roubar os que trabalham. Até o
momento a vitória ideológica dos partidários do socialismo – os sacerdotes da
Besta – foi total. A quantidade de pessoas que percebem a realidade como ela é, a de que o Estado é o grande perigo, na verdade o único
grande perigo para a humanidade é cada vez menor. O caminho da servidão está
pavimentado, em uma ida sem volta, em escala mundial. Não é só nos aspectos
econômicos que os tempos atuais lembram os anos Trinta: é também na
subserviência à Besta estatal e na crença irracional de que dele possa vir o
Bem. O altar do
holocausto está posto e falta apenas riscar o fósforo. Quem viver verá. |
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