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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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OS TUMORES DO POPULISMO 02 de abril de
2010 Os jornais dão
conta de que os dois tumores que ameaçam a economia brasileira desde sempre –
a inflação e o déficit na balança comercial – estão emergindo com toda força.
Não é para menos. A política econômica “desenvolvimentista” de Lula não
poderia dar em outra coisa. É a sina dos brasileiros, que não conseguem se
livrar dos populistas governantes. Esses
indicadores precisam ser compreendidos, pois expressam generalidades e
múltiplas ações, nem sempre fáceis de compreender. Se a causa primeira de
tudo é o déficit do setor público, é preciso analisar os componentes desse déficit
para dar clareza aos fatos. Em primeiro lugar, temos o crescimento
exponencial do déficit da Previdência Social, agravado que foi pela elevação
real do salário mínimo na era Lula. Em segundo lugar, a pressão dos salários
e aposentadorias do funcionalismo público, que sofreu rápida expansão nos
últimos anos. Em terceiro, o grande custo da dívida pública, que cresce por
forças dos sucessivos déficits. O Brasil se
encontra na situação se ter contingentes crescentes de pessoas desocupadas e
altamente remuneradas, por força de diplomas legais de notória imoralidade. E
aqui nem me refiro aos mal-afamados marajás, que por
serem exceções da regra não pesam muito no conjunto. Há categorias inteiras
agora que, por extensão, deveriam ser nominadas de marajás, tal o nível de
remuneração e privilégios, em absoluto descompasso e desproporção com os
rendimentos do setor privado. Refiro-me aqui ao caso notório dos funcionários
da Justiça. Não deixa de
ser interessante que o móvel principal dos que lutaram pela República foi
para acabar com os privilégios de uma minoria amparada por leis injustas,
parasitando o Estado e os pagadores de impostos. Agora a nossa República
virou a patrocinadora de toda sorte de privilégios legais, em prejuízo dos
que trabalham e geram riquezas. Os tumores que assombram os brasileiros expressam
essa falha essencial de nosso sistema político. Restabelecer a
moralidade nos gastos públicos – vale dizer, reduzir o número de funcionários
e aplicar regras atuarialmente sustentáveis para
concessão de aposentadorias – é o caminho para o saneamento das contas e para
criar as condições para a economia brasileira lograr taxas de poupança
compatíveis com a necessidade de investimentos. Reduzir impostos é o
movimento necessário para restabelecer a capacidade de poupança. O problema é
que o sistema político está viciado em cativar aposentados e funcionários
públicos. Nenhum político ousa sequer falar contra os enormes privilégios
criados. Mesmo nas cortes absolutistas na velha Europa não se viu algo assim.
República e privilégios imorais são incompatíveis entre si. É bom lembrar que
o absolutismo espúrio acabou na guilhotina. O sistema político brasileiro
sofre com a falta de legitimidade para o objetivo de manutenção do status quo e com a sua imoralidade inerente. Como acabará tudo
isso por aqui? |
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