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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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OS NEOMARAJÁS 15/02/2008 Uma das maiores vitórias
psicológicas que a ideologia esquerdista impôs à opinião pública foi
confundir, pelo mendaz discurso incessante, o que é a esfera pública e o que
é a esfera privada. Essa confusão deliberada serve para camuflar os abusos
que o Estado tem praticado contra as pessoas, mas também serve para revelar o
desejo mais secreto e mesquinho da maioria: o anseio por tornar-se
funcionário público. Esse anseio é legítimo, pois entrar numa carreira de
Estado virou o atalho mais curto para se obter fortuna. Só é sua propriedade, meu caro
leitor, aquilo que lhe pertence e o que sobra na conta corrente depois de
pagos todos os impostos, taxas e óbolos inventados pelas três esferas de
governo. Elas que nos roubam cotidianamente sem dó e nem piedade. O ponto central é com relação
à propriedade dos impostos arrecadados. É verdade que uma parte deles retorna
enquanto serviços públicos à sociedade, sem os quais a vida cotidiana ficaria
inviável. Um deles é o serviço de Justiça e outro o de Segurança Pública.
Imprescindíveis. Outro ainda o de infra-estrutura viária, hoje cada vez mais
privatizada. Mesmo aqui a propriedade e a capacidade e decisão sobre a
destinação final do dinheiro arrecadado de impostos é do Estado,
personificado nos agentes políticos e na burocracia profissional. Espanta-me
a quantidade de pessoas que diz que o dinheiro arrecadado pelo governo é
“nosso”. Uma ova! Entrou na conta do Tesouro o dinheiro é “deles”, dos
burocratas e dos políticos, que travam uma batalha sem trégua para a definição
da destinação final dos recursos. A burocracia estatal tem a
vantagem de ter o seu garantido por cláusula pétrea da Constituição e pela obtenção
de “vantagens”, como viajar à custa do contribuinte,
com diárias de valor indecente, fazer cursos caríssimos à custa do Tesouro
sem trabalhar, sistema de saúde privado, que não usam mesmo o SUS, que é
coisa de pagador de impostos pobre. E agora têm os cartões corporativos. A
classe política, por sua vez, está preocupada com os grandes fluxos, com a
definição orçamentária dos investimentos, com a execução dos rendosos
contratos de serviços, mais das vezes feita diretamente por agentes dos clãs
políticos. Por isso que indicar o decisor
estratégico de cada área do governo é fundamental para a classe política. A
propriedade do dinheiro dos impostos é “deles” no
exato sentido da expressão, pois têm o poder de usá-lo em seu favor e de lhe
dar destino final. Veja, caro leitor, que não se trata de separar o que é do Príncipe
do que é público. O príncipe agora é esse coletivo anônimo amalgamado pela
burocracia e pela classe política e os recursos dos impostos são, mais das vezes, privatizados diretamente, carimbados,
como é o caso dos salários dos funcionários públicos, das aposentadorias e
dos juros da dívida pública, seguramente as três rubricas que, somadas,
abocanham mais de dois terços da verba orçamentária. Mas como a verba total
dos impostos é gigantesca, o que sobra é ainda suficientemente grande para ser
objeto das disputas mais ferozes. O problema é que, nas
sociedades abertas como a nossa é ainda, os gastos ditos públicos (má
expressão, pois como vimos são “privatizados” pelos amigos da “boquinha”)
obrigatoriamente vão pra o Diário Oficial e estão sujeitos a Tribunais de
Contas e a outras instâncias de controle, como o Congresso Nacional. E, pior
de tudo, podem ser livremente informados, comentados e eventualmente
denunciados pela imprensa. A vida dos marajás não tem privacidade, por isso o
governo Lula, um governo de neomarajás, vive um
escândalo a cada mês. Não podem usar em paz, na surdina,
seus amados cartões corporativos. Não me dá pena, dá-me asco. |
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