|
|
NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
|
|
|
|
|
|
|
JOHNSON E OS
INTELECTUAIS 16/07/2003 Acabei de reler o livro Os
Intelectuais, de Paul Johnson (Rio de Janeiro, Imago, 1990), depois de muitos
anos. Se algum dia voltar à cátedra, não tenho dúvida de que, em qualquer
programa de curso que venha a dar, esse livro encabeçará a lista de leituras
obrigatórias. Com a sua prosa sóbria e elegante, Johnson faz um retrato de
cada um dos principais intelectuais, desde Rousseau. Se um aluno iniciante
nos cursos superiores ler esse livro com atenção, ficará vacinado contra a
sedução socialista e comunista que é a tônica em nossas universidades. O traço peculiar a todos os
chamados engenheiros da alma humana (definição acertada de Stalin para os
intelectuais) é a mistura de mau-caratismo e a
incongruência daqueles que possuem uma vida torta quererem consertar o mundo.
De todos os autores estudados no livro, os capítulos que considero
absolutamente relevantes são aqueles dedicados a Marx e a Rousseau. O estudo
da vida desses dois monstros morais vai mostrar onde se assenta a origem das
suas taras sociais, que sustentam as idéias totalitárias. São os arquétipos
de todos os sociopatas. Os tempos em que vivemos no
Brasil de hoje convidam especialmente a uma leitura como essa. Tempos de
grandes perigos. Johnson escreveu, no capítulo final: “A agora chegamos ao ponto central da vida intelectual: a atitude em
relação à violência. Essa é a cerca na qual a maior parte dos intelectuais,
sendo ou não pacifistas, esbarram, caindo na inconsistência – ou melhor, numa
absoluta incoerência. Eles a rejeitam em teoria, como de fato a lógica os
leva a fazer já que se trata da antítese dos métodos racionais de resolver
problemas. Porém, na prática, eles se vêem, de tempos em tempos, a favor dela
– o que poderia ser chamado de Síndrome do Assassinato Necessário – ou
aprovando seu uso por aqueles com quem eles simpatizam. Outros intelectuais,
diante da violência praticada por aqueles que eles desejam defender,
simplesmente transferiam a responsabilidade moral, por meio de uma argumentação
ingênua, para os outros, a quem desejavam combater”. Não é mera coincidência o que
acontece com a classe letrada do Brasil com relação a
pelo menos três temas explosivos: a guerrilha do MST, o apoio à Cuba de Fidel
Castro (veja-se as recentes declarações do embaixador de Lula naquela ilha) e
as relações com os EUA, em especial à sua política de combate ao terrorismo.
Aplica-se o que Johnson escreveu ipsis verbis. A existência imunda desses
feiticeiros que hipnotizaram as elites
não pode ser ignorada, pois as suas vida mostram o
que de fato foram, monstros morais. Johnson foi muito feliz ao resumir: “Tinha-se uma perversidade especial – com a qual qualquer um que
estude as carreiras dos intelectuais se torna desanimadoramente familiarizado
– para se chegar a essa conclusão... Com efeito, por várias razões, o
planejamento social foi a principal fraude e a maior desgraça da época
moderna. No século XX, por causa dele morreram muitos milhões de pessoas
inocentes, na Rússia soviética, na Alemanha nazista, na China comunista e em
outros lugares. Porém, trata-se da última coisa que as democracias
ocidentais, com todas as suas falhas, jamais adotam. Pelo contrário. O
planejamento social é uma criação dos intelectuais milenaristas,
que acreditam poderem remodelar o universo à luz de sua razão
auto-suficiente. Esse planejamento é um direito inato da tradição
totalitária. Teve como pioneiro Rousseau, foi
sistematizado por Marx e institucionalizado por Lênin. Os sucessores de Lênin
administraram, por mais de setenta anos, a mais longa experiência de
planejamento social da história...” Mais não precisa ser citado.
Johnson vai direto ao ponto. O livro é um convite ao despertar, em meio ao
sono trágico em que está mergulhado toda a nossa classe pensante |
|