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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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OS EQUÍVOCOS DE FHC 04 de julho de
2010 O leitor
amigo, que acompanha as minhas notas, sabe que reiteradas vezes tenho comentado
os artigos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Hoje saiu mais um no
Estadão (“Eleição
sem maquiagem”) e, como sempre, preciso dizer o que dele penso. O artigo
está dividido em dois temas. O exórdio fala da economia mundial e a parte
principal é uma análise das candidaturas postas (Serra e Dilma), capazes de
ganhar as eleições. Comecemos pelo exórdio. Ele escreveu: “O mundo continua se contorcendo sem encontrar
caminhos seguros para superar as consequências da
crise desencadeada no sistema financeiro. Até a ideia
(que eu defendi nos anos 1990 e parecia uma heresia) de impor taxas à
movimentação financeira reapareceu na voz dos mais ortodoxos defensores do rigor
dos bancos centrais e da intocabilidade das leis de
mercado. No afã de estancar a sangria produzida pelas exacerbações
irracionais dos mercados, outros tantos ortodoxos passaram a usar e até a
abusar de incentivos fiscais e benesses de todo tipo para salvar os bancos e
o consumo”. Neste parágrafo estão contidos todos
os erros e mentiras que gente da social-democracia tem propagado como causa
da grande crise que grassa no mundo, com os perigos de iminentes
agravamentos. Definitivamente, a crise não foi desencadeada pelo sistema
financeiro internacional. Essa é uma mentira colossal e sei perfeitamente que
FHC sabe disso. A aceitação dessa mentira leva ao corolário que ele mesmo
acrescenta, de que há de haver um governo mundial capaz de tributar e dizer aos
banqueiros para onde devem direcionar os recursos de seus depositantes
poupadores. FHC é um propagandista perigoso do governo mundial, este a ameaça
mais letal que paira sobre a humanidade, equivalente ao retorno da escravidão
institucionalizada. A apoteose do estoicismo. Quais são mesmo as verdadeiras causas
da crise? O crescimento do Estado, em todos os campos, sobretudo na
previdência social e na tentativa de eliminar o risco existencial e a própria
lei da escassez, inerentes à condição humana. É o crescimento do déficit
público, da dívida pública e da emissão de moeda. A social-democracia gerou a
escandalosa montanha de gente que vive em ócio remunerado, uma imoralidade
proibida explicitamente pelos textos sagrados, paga com o suor de quem
trabalha. A social-democracia tem esse único programa, de formar multidões de
desocupados cheias de “direitos humanos”, que vivem vampirizando aqueles que
trabalham diuturnamente. Portanto, é grossa mentira dizer que a“sangria produzida pelas exacerbações irracionais
dos mercados”é a causa dos males do mundo. É a sangria produzida pelos
Estados governados pela social-democracia, conduzidos por uma elite
degenerada, uma verdadeira estupidez criminosa da elite (apud Voegelin, HITLER E OS ALEMÃES, página 143) que está destruindo
os pilares da ordem para lançar o mundo no caos que tem crescido como as
ondas de um tsunami. FHC se jacta de ter proposto criar uma
taxação sobre o capital financeiro, como se isso não viesse a ser um
agravamento da situação, com mais recursos saindo da iniciativa privada para
passar à esfera do poder arbitrário dos burocratas. É uma alucinação
perigosa, mas os globalistas como FHC continuam
insistindo na dupla mentira, a de que a crise é provocada pelos “mercados” e
não pelo Estado e que mais impostos, agora transnacionais, seriam a solução,
a panacéia. É preciso denunciar essa farsa com
toda força, É o mal em ação. Na segunda parte FHC faz a gênese da
candidatura de Dilma Rousseff, construindo um
paralelo entre o que fez Lula e o que fazia o antigo PRI, no México. Ora,
partidos revolucionários são assim, o comitê central
é que escolhe o nome. Dentro do regime democrático compete ao departamento de
propaganda simplesmente achar os meios certos para que o nome escolhido seja
consagrado. FHC sempre soube disso. Ele se esquece de dizer que ele mesmo é o
principal responsável pelo crescimento do PT, que agora ameaça a ordem
democrática no Brasil. Mas o ex-presidente não tem uma única palavra de auto-crítica sobre seu papel histórico na formação do PT e
na facilitação da chegada de Lula ao poder. O demônio saiu de sua própria
cartola. Houve um tempo em que seria possível impedir que a jibóia crescesse,
mas ele se acovardou ou achou que poderia controlar o seu rebento. Está sendo
devorado pelo monstro que criou. Mesmo sua denúncia de agora é fraca e
cheia de eufemismos. Não disse que o PT é marxista-leninista, que busca
implantar a ditadura do proletariado, que quer o regime de partido único e a
simbiose do partido com o Estado. Nunca deu o sinal de alarme para que a
Nação possa mover os meios adequados para impedir que nos tornemos uma
ditadura do proletariado, espantando os revolucionários profissionais. FHC está com medo do PT, mas não quer
enfrentá-lo a peito aberto com base na verdade histórica, talvez porque, para
ter moral para isso, tenha primeiro que fazer o mea culpa. E FHC se esquece também de dizer que seu candidato, José
Serra, não é muito diferente de Dilma; ambas as biografias se assemelham. Foi
FHC o grande responsável por reduzir as disputas políticas no Brasil num
torneio entre mais esquerdas e menos esquerdas. A direita política no Brasil
foi assassinada pela social-democracia fernandista. Ler um artigo desses do FHC me provoca
dor na alma. O Brasil está perdido. Não temos homens públicos com estatura
para enfrentar os desafios dos tempos. A mistura entre cumplicidade e
covardia está entregando o país nas mãos dos revolucionários mais
inescrupulosos. |
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