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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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OS CULPADOS PELA CRISE 21/02/2009 A REVISTA
VEJA que chegou às bancas retrata matéria originalmente publicada na revista Times que, em pesquisa no seu site,
escolheu os 25 principais responsáveis pela crise que ora vivemos. Obviamente
um exercício ocioso e desinformativo feito pela
congênere norte-americana, vez que não é possível fulanizar
a crise, que foi construída ao longo de décadas. Nenhum desses macrocéfalos
escolhidos tem mais do que uma pequena porção de responsabilidade, embora no
plano da consciência individual sejam grandes criminosos. Não ignoravam o
crime que praticavam. Desde
logo: o culpado pela crise é a crença socialista generalizada que tomou conta
dos que deveriam ser a elite – os governantes, a burocracia estatal, a classe
universitária – vez que toda essa gente deu as costas à tradição do Ocidente
e abraçou as idéias coletivistas, no limite da alucinação. Acrescento aqui
também os homens de empresa, formados pelos socialistas nas cátedras e que
perderam completamente o senso crítico. Tornaram-se todos servos de Rousseau,
Marx e Gramsci. Em perspectiva histórica mais larga, de Epicuro
e Zenão, a tradição degradada do Ocidente. São criminosos do espírito, sofrem
de psicopatologia. Essas
idéias fizeram do Estado o ente supremo para consertar a humanidade,
aperfeiçoando-a pela reengenharia social (como se isso fosse possível). A
ferramenta fundamental desse processo tem sido o processo legislativo. É
preciso que seja sublinhado que esse processo legislativo torto tem dois
lados. O primeiro é fazer leis positivas contra a lei natural. O segundo é
não fazer as leis necessárias de acordo com o direito natural. As duas faces
da mesma moeda. Uma
segunda ferramenta fundamental é a crença de que se pode eliminar a restrição
natural da lei da escassez pela emissão de moeda. O aspecto econômico mais
visível da crise é que a via inflacionária da prosperidade esgotou-se. O estouro
das chamadas bolhas é isso, o
esgotamento da via inflacionária. Por isso preços caem, sejam de commodities,
sejam de imóveis, sejam de ações. Eles estavam em níveis absolutamente
artificiais. Nesse processo a riqueza falsa da inflação deixa de existir. Uma
variante da via inflacionária é o agigantamento da dívida pública, em todos
os países. A contrapartida dela é o agigantamento do gasto público de toda
ordem, na ânsia de eliminar o risco existencial e de fazer do gasto público o
elemento de distribuição artificial de renda. Claro que na fase ascendente do
ciclo inflacionário o processo parece racional e dá resultados visíveis. É a
falsa prosperidade. Com a crise o encanto se acaba e as finanças públicas
tendem a entrar em colapso. Estamos em meio a esse processo, à escala
mundial. O passo seguinte é a pressão dos clientes do Estado para a elevação
da carga tributária além do nível insano em que já está. Será o combate final
entre Leviatã e Beemoth. As massas irracionais
pedindo ao Saturno estatal a salvação, algo impossível. Um
capítulo à parte desse combate está entre os privilégiados
da vasta corporação dos aposentados, que permeia todas as classes sociais, e
os pagadores de impostos. Essa corporação tem várias formas, uma delas a
previdência pública e outra os fundos de pensão. Obviamente que a
generalização desse Estado Benemerência (como bem
apelidou Ortega y Gasset em um dos seus textos
finais, em 1953) não se sustenta, nem do ponto de vista econômico e nem do
ponto de vista ético. Será o grande nó a ser desatado pela presente crise e
um calote nesses falsos direitos adquiridos me parece algo inevitável e
imediato. Será doloroso e politicamente desastroso. Mas será feito. Temos
aquilo que Voegelin viu na Alemanha de Hitler: uma
elite estúpida e criminosa conduzindo as massas criminosas e estúpidas. Vimos
o que houve àquela altura. Vemos o que acontece agora. De novo e de novo a
história se repete. O falcão não é mais controlado pelo falcoeiro. |
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