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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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O RODOANEL 06 de abril de
2010 De pouco
dormir e de muito ler jornais (citar Cervantes é ótimo!) posso dizer que já
vi de tudo. As manchetes de jornais são um pináculo de observação do mundo,
mesmo aquelas não escritas, criminosamente ocultadas da opinião pública
objetivando benefícios políticos. A pior censura, caro leitor, não foi aquela imposta pelos censores do autoritarismo; é a
voluntária, a demente, a covarde, a criminosa que os soldados da revolução gramisciana, em cada um dos órgãos de imprensa, têm nos
imposto por décadas a fio. Sem ela, o PT não teria sido viável. O PT é filho
direto da mentira jornalística. Poucas notícias
me causaram tanto contentamento quanto a que os jornais paulistas estamparam
no dia de hoje, com direito a fotos grandes: a considerável melhora do
trânsito da cidade por força da inauguração do trecho sul do Rodoanel. O
benefício coletivo que essa obra trouxe, não apenas para os residentes em São
Paulo, é imenso. A redução dos custos de transporte é óbvia. A racionalização
do fluxo de veículo foi instantânea. A pergunta que
não quer calar: por que demorou tanto? Eu lhe digo,
caro leitor. Demorou porque governantes caolhos acharam que mais faziam bem
para si mesmos (em matéria eleitoral) e para os cidadãos gastando os recursos
escassos do setor público com desvios “sociais”. Há algo mais social do que
melhorar a fluidez do tráfego na cidade? Não, claro, mas os governantes
preferiram mil vezes outro tipo de gasto, com óbvias intenções eleitoreiras. Com a mesma
ansiedade aguardo a notícia da inauguração da Linha Amarela do metrô. A
estação Faria Lima será um enorme benefício, desatando o nó do tráfego entre
a Avenida Rebouças e a Avenida Paulista. Por que demorou tanto? Há gasto mais
“social” do que esse? Não, mas sucessivos governos preferiram adiar o que era
inadiável. A burocracia
governante enxerga o fluxo de veículos como os caçadores primitivos viam os
rebanhos de herbívoros: alvo de suas caçadas. A ordem é faturar em cima do
motorista indefeso, engordado os cofres públicos, em uma forma assaz injusta
de tributação. Multas abusivas têm roubado a população motorizada de forma
indiscriminada. Sem alternativa de transporte coletivo decente só resta ao
paulistano suportar o achaque de forma impassível, como um bisão suportava a
matança nas pradarias. Com o Rodoanel
e as novas estações do metrô a vida paulistana apresentará uma melhora
considerável. É nessas obras que podemos ver o que de fato compete ao setor
público: planejar o bem comum, racionalizar o uso do espaço público, prover
bens que dêem efetivas externalidades positivas
para os moradores da cidade (e para os que nela transitam). E nem precisa executar
diretamente os serviços, boa parte deles passível de terceirização. Esse é o
papel legítimo do Estado. São Paulo
entra em uma nova fase, de superação de suas deficiências estruturais. Espero
que assim os trechos faltantes do Rodoanel ganhem celeridade e que a malha do
metrô seja completada o mais rápido possível. |
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