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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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O RITUAL 14/07/2012 Por esses
dias eu vi e revi o filme O Ritual, estrelado por Anthony Hopkins e dirigido
pelo sueco Mikaël Hafström.
Ótimo roteiro, o filme prende o expectador do princípio ao fim. Está na senda
de O Exorcismo de Emily Rose e do clássico O Exorcista. O eixo da
história é precisamente a prática do exorcismo como uma necessidade
espiritual e a sua fronteira com a ciência médica. A história de fundo é a de
um diácono que, em véspera de se ordenar sacerdote, decide abandonar por ser
cético. Diga-se que o cineasta trata das questões do catolicismo com grande
respeito e retrata o interior da Igreja com cores modernas, escapando aos
estereótipos habituais que lhe são dados pelo cinema. A atuação de
Anthony Hopkins como o Padre Lucas, que de exorcista passa ele mesmo ser
dominado por demônios, é única, espetacular. Sozinho ele vale o esforço de
ver o filme. O ponto
central é: o demônio existe? Se existe, Deus também existe. É por essa via
que o diácono Michael Kovak chegará à fé. O fato de
não se reconhecer a atuação do demônio, de não se acreditar nele, não livra o
vivente de sua possessão. Os sofrimentos físicos e espirituais da presença
demoníaca são indizíveis. Importante
observar que o roteiro tomou com base fatos reais e os personagens foram
modelados a partir daqueles que os viveram. Os nomes dos
demônios nominados são de divindades estatais antigas, como Baal e Leviatã. Sempre os mesmos, desde tempos
imemoriais. O roteiro
foca nas experiências individuais, deixando em aberto as questões ligadas ao
Estado e à política. Me impressionou bastante o sintoma de possessão que o
Padre Lucas apresentou, com tremores nas mãos, lembrando aqueles portadores
do Mal de Alzheimer. Imediatamente liguei esse sintoma àquele apresentado por
Hitler nos tempos finais. No filme A Queda - As Últimas Horas de Hitler
podemos ver com clareza a progressão do sintoma. Até então o
único sinal evidente da presença demoníaca no círculo familiar de Hitler era
a cadela, sacrificada com ele. Eu desconhecia essa conexão entre tremores de
membros e possessão. Quem não sabe é como quem não vê. Pelo tamanho do mal
que causou, Hitler deveria conter em si todas as legiões infernais.
Faltou-lhe um exorcista no tempo certo. |
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