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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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ORIGENS
DA CONFECOM 20 de novembro de 2009 O que mais
impressiona na CONFECOM são os seus números. Trata-se de um experimento de
mobilização de massa que só tem paralelo nos tempos de eleição, com
assembléias em todo o território nacional, organizadas nos níveis
municipal e estadual, para culminar com o evento apoteótico do próximo dia 14.
O encontro terá 1539 delegados, o triplo da nossa Câmara de Deputados. Segundo
o último informativo do site Pró-Conferência,
são esperadas ao menos cinco mil “propostas” a serem
examinadas, uma imitação barata de um processo constituinte, no qual os meros
delegados dessa balbúrdia dão-se poderes de deputados. A Comissão Nacional
declarou, com todas as letras: “Conquistada,
defendida e organizada com ajuda e participação direta de entidades dos
movimentos sociais, a Confecom leva em âmbito
nacional o debate pela democratização da comunicação e a comunicação como
direito humano. Dentre os movimentos sociais, entidades ligada a radiodifusão comunitária, ao movimento sindical e a
comunicação livre elaboraram propostas para serem discutidas na Confecom”. Existe um problema da democratização dos
meios de comunicação? Na cabeça dos revolucionários, sim, porque uma parte da
cadeia produtiva do setor está na mão da iniciativa privada e o conteúdo
produzido não está integralmente sob seu controle, nos termos propostos por
Gramsci. Portanto, é
apenas uma aparente falsa questão, que nada tem de tola. Foi conquistada? Sim,
conquistada por um decreto! É de fazer rir quem lê o lengalenga
revolucionário. Diante desse tom triunfalista fui pesquisar a origem e o
porquê do processo ter chegado a esse nível de mobilização. A primeira pista
está no próprio site da Comissão Nacional, que proclama que a CONFECOM foi “Anunciada pelo atual Governo Federal
durante o Fórum Social Mundial em Belém”. Foi lá anunciada, mas a coisa toda já estava maquinada
de antemão, em projeto de grande envergadura. O anúncio
referido está na boca de Frei Betto, conforme
podemos ver no vídeo disponível no Youtube. Obviamente que a fala foi de improviso, mas
não a decisão, tomada adrede e devidamente planejada. Ele anunciou a CONFECOM
nos termos que ela está sendo criada. Encerrou sua fala proclamando: “Voltarmos ao trabalho de base para
fortalecermos os movimentos sociais”. Aqui está o ponto. A CONFECOM não
precisa produzir nada de prático, pois o produto do trabalho é o seu próprio
processo. Como ninguém se deu conta, as pessoas sãs deixaram os alucinados
revolucionários concluírem seu projeto. Todo o Poder Legislativo e o
empresariado do setor foram afogados e atropelados pelo assembleísmo basista, que só PT tem condições de pôr em
movimento. Uma vitória tática muito
importante para os revolucionários. A CONFECOM
será a apoteose dessa mobilização basista, maluca,
levando milhares de “propostas”, cujo teor, se lidas com cuidado, pode ser
resumido em algumas idéias-força: fim da empresa privada no setor, onde
possível; onde não for, regulação intensíssima,
elevação da tributação e especialmente a censura travestida de cotas por
temas, raças, horários e outras infinidades de alucinações de “controle
social” que, na prática, poderão decretar o fim da liberdade de comunicação e
da livre empresa. Se o PT fizer
o sucessor, e parece que vai conseguir, o experimento deverá ser multiplicado
por todos os temas considerados “estratégicos”. De república sindical o
Brasil será finalmente o paraíso dos sovietes. |
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