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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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O REAL E A ILUSÃO 05 de junho de 2009 O leitor
que tem acompanhado as minhas notas sabe que tenho narrado as
angústias da minha alma. É chocante ver a degradação – mesmo a desintegração
– da vida como a conhecemos, sendo o oposto colocado em seu lugar. Um outro mundo possível foi construído, na
verdade um mundo impossível de nele se viver, nascido das maquinações dos
engenheiros sociais. Sinto-me como os passageiros do vôo da Air France recentemente acidentado, no momento em que
perceberam que o pior iria acontecer. O horror... E o horror
social não será menos catastrófico do que aquele trazido por uma fatalidade
de transporte aéreo, embora naturalmente suas seqüelas se espalhem em lapso de
tempo muito mais largo. Quando, quase em desespero, sublinho a emergência do Estado Total
não o faço por alarmismo nem por falta do que dizer: faço-o por desespero, por
saber que, voltando no tempo, só enxergo fenômeno equivalente nos momentos
que precederam as grandes guerras do século passado. Faço por medo, mas não o
medo da covardia, mas sim, o medo de quem se defronta com o inevitável
trazido pelo destino. Tento nos meus modestos escritos pôr em alto e bom som
o meu grito de alerta. É
desesperador descobrir que poucos são aqueles que estão dispostos a atentar,
o mínimo que seja, para aquilo que percebo. Não
estou sozinho nessa tentativa desesperada de dar o grito de alerta, mas
examino meus desafortunados companheiros de desespero e os vejo na solidão
equivalente à minha. A humanidade hoje, de tão alienada, perdeu qualquer
senso de perigo e qualquer meio de descobrir o real como ele é. Nesta
semana tivemos a estatização da GM. Como fato isolado em si já seria algo
muito grave. Como elo de uma longa cadeia o fato torna-se gravíssimo. E, como
foi feito, mediante emissão de moeda e alargamento da dívida pública, a coisa
ficou realmente teratológica. Os EUA estão a caminho da destruição da própria
moeda e de inviabilizarem a gestão de sua dívida pública. Isso significa
exatamente colocar em risco o seu Estado nacional. Não se fará uma violência
dessa magnitude sem que lhe siga violências de todos os tipos, internas assim
como externas. Estamos vendo os EUA empobrecerem em grande velocidade. Veja, caro leitor, o caso da GM. Por que foi feito assim? Qual a
motivação para que os homens de Estado tomassem essa decisão descabida? Em
que consistem essas decisões? Em primeiro lugar, temos as crenças de cunho
socialista que vêm tomando conta da sociedade norte-americana há décadas,
estando agora no apogeu, com o governante explicitamente defendendo essas
idéias. E quais são essas crenças? 1- A de que não há lei da escassez; 2- A
de que a moeda pode manter seu valor mesmo que se abuse do poder de emissão;
3- A de que o poder público pode assumir os fracassos individuais das
empresas e das pessoas físicas. Obviamente que essa é uma alucinação muito
perigosa. O Estado nunca teve no passado, nem tem no presente e nem terá no
futuro o poder de eliminar o risco existencial. Uma das
excelências da economia de mercado é circunscrever a desdita que sempre vem
no plano individual ao limite da unidade. Os socialistas, ao tentarem
eliminar os riscos existenciais, acabam por transformar tragédias restritas
em largas crises sistêmicas. É isso que estamos a ver. No caso da
GM a coisa é ainda mais desconcertante e repugnante porque claramente está a
se proteger privilégios abusivos que perduraram por anos, seja
na forma de salários, seja na de aposentadorias, seja na de assistência
médica, seja, ainda, na de empregos artificiais. A GM é um cadáver putrefado pelas próprias lideranças sindicais e políticas
que a representam e a única coisa justa e certa a fazer seria liquidá-la. Mas
homens socialistas como Barack Obama
não pensam assim, querem o outro mundo
possível e, para tanto, só podem gerar privilégios, emitir moeda e elevar
a dívida pública. Tudo que não deveriam fazer. E por que
não? Porque as leis econômicas e as leis morais existem e cobrarão seu preço.
Este será a crise mundial de largas proporções, com conseqüências
particularmente graves para aquele país, que provavelmente emergirá do
processo enfraquecido e apequenado. Não respeitar as leis econômicas e morais
– numa palavra, as leis de Deus – é cometer suicídio político e social. As
conseqüências dessa arrogância serão as mais trágicas. Ontem fui
ao lançamento da revista Dicta&Contradicta
e o palestrante, ainda usando o jargão dos velhos tempos, falava de economias
desenvolvidas e de países ricos, em oposição a nós, aqui do Brasil, pobres de
nós. Eu me perguntei se ser rico é carregar a maior
dívida do planeta, é praticar atos imorais em vários níveis, a começar por
impedir que insucessos empresariais sejam consumados. Acho que essa linguagem
está superada e é inadequada. Lá, como cá, impera o desastre socialista. Lá,
como cá, os sinos dobram pelos que vão morrer, seja literalmente, seja
metaforicamente. O socialismo nos nivelou a todos e nos conduz igualmente ao
desastre. Eu vi as
imagens da esquadrilha de aviões de guerra dos EUA se dirigindo ao Japão,
para um ataque eventual à Coréia do Norte. Belas e sinistras, essas
aeronaves. Como pássaros agourentos eles rasgam os céus destes tempos de
grandes perigos. São os pássaros totêmicos dos nossos tempos. |
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