|
|
NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
|
|
|
|
|
|
|
ORDEM, LIBERDADE E PROPRIEDADE 27 de fevereiro
de 2010 Voltando ao tema
dos últimos artigos, lembro ao caro leitor que a ordem precede, lógica e cronologicamente,
o campo de usufruto da liberdade e da propriedade privada, fato que a miopia
militante de certos teóricos do liberalismo teima em contrariar. A ordem é a
instância dada pela ciência política na ação dos homens da história. Vimos
agora a morte estúpida do prisioneiro cubano por
greve de fome, o desfecho teratológico que só uma ditadura sanguinária pode
nos oferecer, com a bênção do nefando Lula. Uma ordem doente leva a que fatos
assim tornem-se rotina. Em cuba não
existe nem liberdade política e nem liberdades individuais, simplesmente
porque a ordem ali instituída foi criada em regime contrário a esses valores.
Na prática, temos o Estado total (no sentido dado á expressão por Carl Schmitt),
todos os poderes concentrados na mão do ditador. Ele é a constituição, sua
vontade é o Poder Legislativo. Ele é a Vontade Geral, nos termos de Rousseau. Um amigo esteve
em férias agora em janeiro em Havana. Ele, que adora a comida cubana, relatou
que lá comeu mal, mesmo freqüentando os restaurantes mais caros. Descobriu a
causa: a população cubana não tem acesso aos condimentos culinários
necessários para a boa cozinha, mesmo aquela caseira. O efeito devastador de
uma ordem totalitária arruína até mesmo a boa comida. Quem quiser saborear os
criativos dotes culinários cubanos deve mesmo ir a Miami, porque na Ilha-prisão
a ordem estabelecida não permite a boa cozinha. Penso também que
é arrematada tolice querer instituir uma ordem a
partir da propriedade privada, tomada como princípio. Propriedade nunca é
princípio, ela é sempre instituída pela ordem adrede construída. Meu amigo
passeando em férias teve o privilégio de ter um neurocirurgião como motorista
do taxi que o atendeu, uma situação deveras absurda. Como membro da sociedade
cubana mesmo um homem altamente qualificado não pode ganhar o bastante para
sobreviver e conseguir o taxi, para atender aos turistas, é um privilégio de
quem está de bem com regime. Tudo é politizado, até mesmo a humilde profissão
de taxista. A propriedade coletiva foi ali instituída pela ordem revolucionária. Há uma cena do
filme Dr.
Strangelove, do Kubrick, hilária e bastante
ilustrativa desse fato. O Capitão Mandrake (Peter Sellers), seguido pelo
Coronel Guano, precisa de fichas de telefone para falar com o presidente dos
Estados Unidos sobre o iminente bombardeio atômico. Completa a ligação e
acabam as fichas. Então ele pede ao oficial para obtê-las à força da máquina
de coca-cola ao lado. Depois de diálogos patéticos e hilários ele dá um tiro
na máquina e diz para Mandrake: “Você vai ter que se explicar com a Coca-cola”. Algo assim só
pode ser imaginado numa ordem em que o regime de propriedade privada está
solidamente apoiado pela ordem política estabelecida. Não é a propriedade
privada que garante a ordem, é a ordem que garante a propriedade privada.
Elementar. E o que garante a
“boa” ordem? Uma elite esclarecida que é a guardiã das instituições e não
permite que aventureiros, estúpidos e sanguinários
como Fidel Castro e Lênin (e Hitler, no regime democrático, como Chávez),
tomem o poder. São pessoas, e não simples instituições, que garantem a boa
ordem do Estado. A omissão dos egrégios encoraja e fortalece os aventureiros,
como estamos vendo à farta no Brasil de Lula e seus aliados do MST. |
|