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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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O PT E A REVOLUÇÃO 14/02/2011 Quando
comentei em vídeo o trigésimo primeiro aniversário do PT (31 anos de PT) apontei
a insuficiência de percepção da mídia e da opinião pública em geral para o
formidável fato histórico que significa a efeméride. Vivemos a hegemonia
completa da ideologia esquerdista em toda a estrutura de poder no Brasil.
Minas e São Paulo estão nas mãos de PSDB. Pernambuco e Ceará e outros estados
do PSB. Mas o eixo principal do poder está com o PT, que é a força
preponderante por dominar a Presidência da República. Minha
tese é que o PT é o grande herdeiro do Partidão e, de certa maneira, deu
continuidade à sua ação política, agora optando de forma clara para luta
institucional. Nesse processo consolidou-se a chamada revolução gramsciana, pela qual as forças de esquerda ganham as eleições
antes mesmo de os eleitores irem às urnas. A imprensa, o material didático
das escolas fundamentias, as cátedras
universitárias e mesmo o processo de treinamento das grandes organizações
empresariais pregam diuturnamente a agenda esquerdista. Dessa forma, vimos
minguar e finalmente desaparecerem as forças de direita, que não mais dispõem
de quadros intelectuais e nem de instrumentos para passar sua mensagem ao
eleitorado. O PT
reina sozinho, auxiliado por suas sub-legendas, como
o PSB, o PDT, o PCdoB, o PSOL. O PSDB e o PPS disputam o mesmo campo ideológico
e posam de oposição, fingida, pois assim vedam o espaço para que uma verdadeira
oposição possa surgir. O PT é o auge dessa revolução que se consolidou e
parece não haver adversário que possa fazer a reversão. O Brasil está
condenado a viver os próximos anos sob o poder imperial das forças
esquerdistas, que tomaram de assalto o poder de Estado. Bem a
propósito o editorial de hoje do Estadão (A
trejetória do PT). O vetusto jornal paulista,
outrora baluarte do conservadorismo, já nem mesmo é capaz de uma boa análise
do cenário político e da realidade que se desenvolve a nossa volta. Inicia
com um rasgado elogia à ação de governo do PT: “Quando foi fundado, o
Partido dos Trabalhadores (PT) se proclamou agente das transformações
políticas e sociais que, pautadas pelo rigor da ética e pelo mais genuíno
sentimento de justiça social, mudariam a cara do Brasil. Trinta e um anos
depois, há oito no poder, o PT pode se orgulhar de ter contribuído - os
petistas acham que a obra é toda sua - para melhorar o País do ponto de vista
do desenvolvimento econômico e da inclusão social.” Ao editorialista escaparam coisas óbvias: 1- o discurso
ético do PT é mera propaganda eleitoral. A crônica dos últimos anos mostrou
que o partido jamais foi ético, suas figuras de proa foram todas afundadas no
mar de lama da corrupção graúda. A própria Dilma Rousseff
por pouco escapou do escândalo em torno de Erenice
Guerra e veio a ser presidente pela simples falta de opção de nomes; 2-
Justiça social na boca dos militantes petistas sempre foi palavra de ordem
revolucionária e reproduzir em editorial a expressão, sem a devida
qualificação, não passa de expediente de ampliação da propaganda
revolucionária; 3- Dizer que o PT contribuiu para melhorar o país é ignorar
as mazelas que este partido trouxe, como a prática
da compra de votos dos grotões por meio de bolsas, a tolerância com a ação
criminosa e revolucionária do MST, o alinhamento com a forças mais
retrógradas e sombrias do cenário mundial (Chávez, Ahmardijad,
China), a proximidade com forças que controlam o crime organizado. Se
progresso econômico houve no período ele veio a despeito do PT no poder,
resultado de uma circunstância favorável no cenário internacional e do inato
empreendedorismo do povo brasileiro. A
política construída pela hegemonia do PT foi um retrocesso que fez retornar
práticas dos tempos da República Velha. Não ao acaso que o PMDB – sigla que é
sinônimo de puro fisiologismo – encontrou nos petistas os aliados ideais para
as suas práticas nefandas. No reino do mensalão não
há distinção entre o PT e o PMDB. Doce
ilusão do editorialista: “Uma vez no poder, o
PT se transformou em praticamente o oposto de tudo o que sempre preconizou.” O PT
sempre foi o instrumento para uma única coisa: levar seu grupo dirigente ao
centro de poder. Foi altamente bem sucedido. Todo o discurso político do PT
era apenas “para se eleger”. Um editorialista de política não poderia deixar-se iludir
por palavras de ordem. Não ao acaso ontem o jornal escreveu matéria dizendo
que o PT caminhou para direita, observação absolutamente contrária aos fatos.
A cegueira da análise é integral. A tola conclusão do editorial se impôs: “E o balzaquiano PT? O
partido que pretendia transformar o País passou a se transformar na negação
de si mesmo. E foi a partir daí que começaram as defecções de militantes
importantes, muitos deles fundadores, decepcionados com os novos rumos,
principalmente com os meios e modos com que o partido se instalou no poder.” O partido
de fato transformou o país, ao fazê-lo seu curral eleitoral e ao criar mecanismos
de auto-perpetuação. Essa era a única transformação
política possível e a única de fato desejada pelos seus dirigentes. Aqueles
que se desligaram da sigla ou eram auto-iludidos ou não estavam no núcleo
duro dos dirigentes revolucionários. Foram úteis para formar siglas que são
agora linhas auxiliares da hegemonia petista e ficam de reserva para um
eventual (e improvável) fracasso eleitoral do PT. A famosa estratégia da
tesoura tão bem descrita por Olavo de
Carvalho. Na grande
imprensa brasileira não se levantou nenhuma voz alertando para os perigos
imediatos que representa essa hegemonia petista. A tentação autoritária pode
acontecer a qualquer momento. O único fio que separa o PT de um esquema de
governar por decreto é que o Partido não tem maioria qualificada no Senado e
seu aliado PMDB sabe que só sobreviverá politicamente se impedir o ímpeto hegemônico
e bonapartista do PT. É muito pouco, é muito
frágil. Minha própria visão é de que a democracia corre perigo por falta de
uma verdadeira oposição ideológica. Mais fácil o PT escalar o degrau do
autoritarismo do que forças de oposição serem
consolidadas para lhe dar combate. Quem
viver verá. |
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