|
|
NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
|
|
|
|
|
|
|
O PRONUNCIAMENTO DE FERNANDO COLLOR 04 de agosto de 2009 O duelo
verbal ocorrido ontem, na reabertura dos trabalhos do Senado Federal,
registrou um histórico entrevero entre o senador Pedro Simon e o também
senador Fernando Collor de Mello. A dureza das palavras utilizadas por este último
e sua intransigente defesa da Instituição do Senado Federal precisam ser
compreendidas. As entrelinhas do que falou Collor de Mello deixam claro que a
cúpula daquela Casa tem consciência do movimento subterrâneo ora em curso
para, a pretexto de moralizar as práticas políticas, na prática revogar a
democracia representativa como a conhecemos e está consagrado no ordenamento
jurídico. Devo lhe dizer, meu caro leitor, que, se gostei do que Collor de
Mello falou, mais preocupado ainda permaneço. Não se trata de acusar ou
defender Sarney, que isso é mero detalhe. Trata-se de defender as
instituições que permitem o exercício da democracia representativa. Fernando
Collor de Mello, com a autoridade de senador e de ex-presidente, cassado que
seja, verbalizou aquilo que até agora era para mim pura intuição. Que não se
enganem os brasileiros. O duelo ora travado terá desdobramentos históricos
imprevisíveis. A situação é tão delicada que não cabe outra postura que não
na defesa do Senado, como bem fez Fernando Collor de Mello. Política não é
feita nas nuvens, mas no real, no aqui e agora. Nem é feita por pessoas
santificadas. O pronunciamento de Collor precisa ter uma exegese correta. Foi
valente, defendeu a Instituição, mais do que o adversário de outrora hoje
feito presidente da Casa. Vi no gesto um momento de grandeza pessoal. Em oposto,
o pronunciamento do senador Pedro Simon foi mera mesquinharia propagandista.
Penso que o senador perdeu-se nas suas intenções. A voz sumida de sua réplica
aos ataques de Collor mostrou um orador derrotado, carente de convicções,
prostrado diante de um adversário que tinha razão e estava do lado da boa
causa. Pedro Simon miou diante de Fernando Collor de Mello. Do
pronunciamento do ex-presidente depreende-se a podridão escondida por detrás
da campanha do jornal Estadão contra José Sarney. Fatos verdadeiros estão
servindo para amparar a sordidez política mais perigosa, aquela que pretende
dar aos bolcheviques, ora do Palácio do Planalto, poderes além da
Constituição atual. Um grande perigo que ronda os brasileiros. Devemos
enxergar o que se passa na Venezuela para ver o que nos espera se a velha
oligarquia política nacional, da qual Sarney e Collor serão talvez suas
maiores expressões, forem derrotados. |
|