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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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PROBLEMA DA EDUCAÇÃO 25 de outubro de 2009 A entrevista
do secretário da Educação do Estado de São Paulo, Paulo Renato de Souza,
concedida à revista Veja, deve ser lida com cuidado, pois mostra o limite da
racionalidade com o trato do problema educacional brasileiro, dentro do
quadro político estabelecido. Não falta mérito pessoal ao secretário, mas
entender os limites da questão da Educação é também compreender os limites
impostos ao Brasil pelo atual sistema político. O máximo da
coragem do secretário está em dizer do desserviço feito aos alunos e ao
Brasil pelos sindicalistas. Um descortino do real a ser louvado. Nas palavras
do entrevistado: “O movimento sindical
politizou-se a um ponto tal que não se acham mais nele pessoas realmente
interessadas em educação. Estas debandaram. Hoje, os sindicatos estão tomados
por partidos radicais de esquerda sem nenhuma relevância para a sociedade.
Para essas agremiações insignificantes, o sindicalismo serve apenas como um
palanque, capaz de lhes dar uma visibilidade que jamais teriam de outra
maneira. É aí que tais partidos aparecem e fazem circular seu ideário
atrasado e contraproducente para o ensino”. O secretário, todavia, equivoca-se
quando conclui: “Repare que esses
sindicalistas são poucos - e estão longe de expressar a opinião da maioria.
Mas têm voz”. Ora, não são
uma minoria os que pensam assim. A situação de deterioração chegou ao que
chegou porque o Brasil tem-se transformado gradativamente em uma república
sindicalista, provada pelo fato de o atual presidente da República ser um
sindicalista de carreira ele mesmo. Tudo no Brasil está sindicalizado;
vive-se em um regime político dos sonhos dos fascistas históricos. Os sindicatos
laborais, assim com os patronais, são os verdadeiros donos do poder. Enquanto
os sindicalistas patronais (ainda) controlam as empresas privadas, os
sindicalistas de categorias de trabalhadores adquiriram grande poder, seja
elegendo “companheiros” para os diferentes cargos eletivos, seja controlando
os fundos de pensão das grandes empresas estatais (assim controlando também
as grandes empresas prvadas), seja controlando os recursos do imposto
sindical. Isso me leva
a concluir que os sindicalistas representantes dos trabalhadores têm na
atualidade a maior fatia de poder da Nação. Mandam e desmandam nesse país. Tornaram-se
os grandes parasitas da Nação. O próprio plano do secretário Paulo Renato
para tentar melhorar a péssima educação da rede pública do Estado mais rico
da Federação é a prova da sua impotência: seu projeto é dar remuneração
adicional aos professores por um sistema meritocrático, que só faria algum
sentido se abrisse uma porta de saída para mandar embora da rede pública os
maus professores, os desmotivados, os incompetentes. Paulo Renato nem toca no
assunto, acovardou-se diante do essencial. Em face dos já altos níveis médios
de remuneração que percebem os professores, dar algo adicional “para melhorar
o ensino” é jogar dinheiro fora. A decisão gerencial certa é demitir os
piores. Concordo que
um sistema de carreira meritocrático faz sentido, mas quando o “negócio” é
administrável. O fato é que a rede pública emprega mais de duzentas mil
pessoas, um corporação politizada e rebelde a comando e que não tem como ser
administrada como está. A proposta mais sensata que um governante faria é
privatizar a infra-estrutura e demitir/aposentar o professorado funcionário
público. Os bons professores automaticamente obteriam emprego nas empresas de
ensino que adquirissem as unidades. Os maus seriam excluídos. Essa, sim,
seria a grande revolução no ensino. Obviamente
que o Estado, dentro dessa hipótese, garantiria de antemão o custo de toda a
população que não pudesse pagar o ensino, em princípio todos que estão hoje
matriculados na rede pública. Uma medida
dessas quebraria a espinha dorsal do corporativismo e colocaria em primeiro
lugar os interesses pedagógicos dos alunos. Em curto espaço de tempo a
questão da educação seria superada e os únicos prejudicados seriam os pelegos
sindicais que fazem carreira às custas das novas gerações, que não podem ter
acesso a um ensino de qualidade. Mas, para se fazer algo assim na Educação,
teria que ser mexido todo o sistema de poder que está estabelecido. Seria
necessário acabar com a concepção fascista de Estado que ora vigora, a
começar pela eliminação do imposto sindical e pela redução rápida e vigorosa
do tamanho do Estado. Mas um Paulo
Renato, chefiado por José Serra, faria algo assim? De jeito nenhum, ele mesmo
é integrante da elite socialista. Sempre teve fé na ação estatal e construiu
sua fortuna pessoal e política à sombra das benesses do Estado, desde os seus
tempos de Unicamp. Homens como Paulo Renato jamais mexerão na questão central
da Educação, como também de nenhuma outra coisa politicamente relevante no
Brasil. Estão comprometidos até o pescoço que essa pútrida estrutura de
poder. Teremos que esperar a fundação de partidos políticos de direita para
que propostas sensatas e racionais possam vir a ser implantadas. Esquerdistas
como Paulo Renato só podem mesmo fazer isso: tentar administrar o inadministrável
alimentando o pouco mais a jibóia, enriquecendo um pouco mais a base
sindical, à custa do Erário. Reformas assim só servem mesmo para aumentar
privilégios dos professores e para elevar o déficit público. |
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