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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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O PROBLEMA DA CORRUPÇÃO ESTATAL 09/09/2011 No último dia 07 de Setembro tivemos um
relativamente vigoroso movimento contra a corrupção no Estado,
especificamente aquela envolvendo o dinheiro público (há outras, muitas
outras. Quem lida com fiscais do Estado sabe do que eu estou falando). Vi que
entusiasmou muita gente, mas não a mim. O movimento na verdade me levou a
meditar sobre a importância do combate à corrupção estatal. O mínimo que
posso dizer é que manifestações dessa natureza são inócuas, pois as multidões
em marcha não têm como mobilizar o aparelho repressivo do Estado para além do
que ele se mobiliza automaticamente. E o faz seletivamente: os alvos são
sempre ou adversários políticos do partido governante ou a parte da base
aliada que costuma se rebelar contra os caprichos da presidente. O primeiro ponto é que a corrupção estatal é
sintoma de uma doença maior, que se encontra latente em toda gente, em cada
indivíduo. O Estado será mais corrupto quanto mais a
população escolher gente corrupta para governar e é isso que tem sido feito.
O PT e seus aliados são os piores no poder, a gente mais degenerada que
poderia ser escolhida enquanto governante. A população eleitora vota nos
piores para o poder alegremente, na expectativa não de que venham a fazer um
bom governo – intuitivamente os eleitores sabem não ser possível ter bom
governo com gente no naipe de Lula e de Dilma Rousseff
– mas porque sempre almeja um benefício pessoal, mais das vezes descasado do
bem comum. É o caso típico dos funcionários públicos, que sabem que o PT vai
gerar mais vagas de emprego público e vai dar mais aumentos de salário, enquanto
um governante sério faria precisamente o oposto. O mesmo pode ser dito dos aposentados, vastas
legiões de eleitores que sabem que o PT não mexerá na sua renda, quando o
tempo exige que sua renda seja minorada. Assim também os portadores de bolsa-qualquer-coisa. E mais ainda os recebedores de
salário mínimo, com aumento cavalar já previsto para 2012, ano eleitoral.
Essa corrupção miúda, salário mínimo, não mobiliza e não sensibiliza ninguém. Vemos então que a corrupção que explode com o
Tesouro público nasce muito antes no coração dos anseios particularistas das
ambições miúdas. Por um punhado de dinheiro vende-se não apenas o voto, o
apoio político, a mobilização: vende-se a alma. Foi isso que levou Lula ao
poder, que levou Hitler ao poder. O discurso populista encontra terreno
fértil na alma de cada eleitor corrompido. Não é possível que o bem comum
seja perseguido pelo Estado sem que ele contrarie frontalmente os interesses
particularistas que os eleitores dos piores no poder desejam manter.
Portanto, é inútil mobilizações de marcha contra a corrupção, pois muitos dos
marchadores não passam de hipócritas que acreditam que seja possível
construir um governo sadio sem que os egoísmos particularistas sejam
abandonados. O maior de todos os egoísmos é a politização de tudo, que peleja
para que benefícios particularistas sejam sacramentados na forma de lei. O
sistema jurídico brasileiro hoje foi transformado numa gigantesca fábrica de
privilégios. É a quintessência da corrupção. Tudo legal, tudo “direito”
conquistado. Eu até escrevi um artigo quando apareceu o
movimento “Cansei” (Idiotas cansados),
que desapareceu sem deixar vestígios. Obviamente que o movimento atual é da
mesma natureza e desaparecerá como o carnaval em uma quarta feira de cinzas. Há ainda uma razão pela qual eu descreio
dessas marchas contra a corrupção, como descri das marchas pela paz e outras
assemelhadas. Teve gente que andou propondo até que atos de corrupção sejam
tidos como crime hediondo, elevando-o acima de crimes muito mais graves. Ora,
eu considero o roubo de uma galinha no quintal de um vizinho um crime mais
severo do que o desfalque milionário no Tesouro. Porque a galinha é de alguém
mais pobre e do nome do proprietário eu sei. O Tesouro é um coletivo anônimo
e dinheiro do Tesouro não é de ninguém, ou melhor, é da burocracia estatal e da
classe política. Analisado melhor, roubar a burocracia e a classe política,
mormente quanto o ladrão é um deles, é irrelevante para a população em geral,
embora enraiveça aqueles da “categoria” que se queixam não do crime, mas do
fato de terem ficado de fora do seu butim. Não reconheço no Estado sacralidade alguma
que torne os crimes contra ele mais sérios do que crimes contra pessoas. Isso
é estrabismo existencial. O Estado não é o substituto de Deus. É,
propriamente, o seu oposto, o representante das forças demoníacas. Aqueles
que julgam diferente disso não sabem o que é o Estado. De minha parte, penso
que o melhor que faríamos é lutar, até mesmo com passeatas, para reduzir o
Estado, sua tributação, seu funcionalismo, seus clientes. Essa é minha luta,
para isso labuto noite e dia. Infelizmente, vejo-me sozinho como um Dom
Quixote. Aliás, bom lembrar aqui do herói manchego:
Dom Quixote lutou para libertar os galeotes, pois
El Rey não deveria aprisionar criaturas que Deus pôs no mundo para a
liberdade, muito ao contrário. A hipertrofia do Estado tem tido como conseqüência
apavorante – terrificante – a hipertrofia das prisões. Se alguém rouba o
Estado está ajudando a enfraquecê-lo, o que é algo de bom em si. Minha luta é
por melhorar os eleitores, que essa gente da política e da burocracia já
vendeu a alma ao diabo há muito tempo. |
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