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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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O PLEBISCITO
NA VENEZUELA 04/12/2007 Certamente a vitória do “Não”
na Venezuela é um resultado surpreendente e alvissareiro. Dá alento para que
as forças democráticas de oposição continuem a lutar para anular o poder
opressor de Hugo Chávez. Contudo, não se deve
iludir nem ao povo venezuelano e nem aos observadores externos: a Venezuela
continua sob o tacão do totalitarismo comunista, sem ter um Poder Legislativo
constituído digno do nome e com uma Poder Judiciário manietado pelo Executivo.
A liberdade de fato deixou de existir no vizinho do Norte, apesar do
resultado do plebiscito. Ainda uma vez ficou patente
que aqueles que alcançam postos ditatoriais perdem-se por causa da própria arrogância.
Julgam-se deuses e que podem tudo. Anseiam, paradoxalmente, pela aprovação
coletiva de suas loucuras, precisam do conforto das massas. Por isso Hugo Chávez chamou o plebiscito, certo de que seria um passeio pois está convicto de ser o redentor de sua gente.
Surpreendeu-me que deixasse ser um pleito limpo, não uma mera farsa, tão
certo ele estava de sair vitorioso. Quando ficou patente que seria derrotado
era tarde demais para abortar o processo. Não creio que Hugo Chávez venha a passar o poder ao sucessor de forma
democrática. De lá, feito um pequeno Hitler, só sairá para a tumba ou para o
exílio. Esta última hipótese é remota porque o apoio que lhe é dado pelo
governo brasileiro impede qualquer ajuda externa substantiva à oposição e
esta não tem os meios materiais para correr com o ditador. É um erro achar
que o caos que está se instalando na economia venezuelana possa ser o motor
das mudanças. Ditadores fazem do caos a sua razão de ser, a desculpa para a sua
eternização no poder. Eleger inimigos
externos e internos como bode expiatório de seus espalhafatos é o
método clássico que usam para justificarem a sua tirania. Assim, é de se esperar que a
frustração da afeição das massas ao ditador o jogue para o ressentimento e a
paranóia. Para que palanques novamente? Para que manter a farsa da democracia
plebiscitária? Para quer correr o risco de ver a
própria imagem torta no espelho, amargar o sabor acre da derrota? Não mais! O
endurecimento do regime é o passo lógico a se esperar e não o contrário, como
foi a opinião de muitos analistas hoje na imprensa
brasileira. Temo pelo pior, pela escalada da violência política, pelos
assassinatos seletivos, pela vida dos heróis que o estão enfrentando, como Alejandro Peña Esclusa, o general Raúl Baduel
e o governador Manuel Rosales. Esses corajosos
precisarão mais do que da coragem para o enfrentamento, necessitarão de apoio
internacional e meios materiais para continuar sua luta. Pena que o governo
brasileiro esteja do lado errado da contenda. Aliás, os aliados de Chávez no Planalto Central têm a comemorar o fato de
provarem que os métodos espalhafatosos do ditador, de fazer um assalto
frontal ao poder, não serem os melhores. Melhor manter a aparência de
normalidade democrática e ir, pouco a pouco, destruindo o sistema jurídico e
o élan das forças de oposição, por assimilação e pelo cansaço. O Brasil hoje
vive uma forma branda de ditadura instaurada pelo sistema jurídico, pela supertributação, pela exorbitância policalesca
dos que governam de forma argentária, sufocando os
que trabalham, tomando-lhe tudo o que podem. Nem ditadura e nem mensalão, pensam os que comanda
o PT, o negócio é cooptar quantos puder e paulatinamente formatar o sistema
jurídico para instaurar o “socialismo
do século XXI”. Mais uma vez ficou provado
também que as chamadas forças de mercado pouco podem diante do poder
político. Se o resultado foi o “Não” foi porque a oposição ficou de atalaia,
corajosamente enfrentando a adversidade e os perigos do embate com os
esbirros da ditadura. O mercado é inerme diante do poder político, que só
pode ser enfrentado e civilizado dentro do seu próprio campo, ou seja,
constituindo-se uma força política organizada. É ilusão achar que desordem
econômica favorece àqueles que querem o bem-comum. O caos alimenta aqueles
que querem o totalitarismo. De qualquer modo devemos
saudar o povo venezuelano pela enorme vitória. É uma alegria ver a contrariedade
de um ditador que usurpou tantos poderes e eles se mostraram inúteis diante
dos lutadores da liberdade. Viva a Venezuela! |
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