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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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O PACOTE EUROPEU 11 de maio de
2010 A notícia que
afetou positivamente os mercados internacionais ontem foi o “pacote” de 750
bilhões de euros que a União Européia e o FMI colocaram como reserva de
crédito para a compra de papéis emitidos pelas economias européias com problemas
de liquidez. Esses papéis estão na carteira dos grandes bancos de lá e foram
fortemente desvalorizados depois dos acontecidos na Grécia. Informa a imprensa que a eventual ajuda a ser concedida a esses
países está vinculada a ajustes fiscais duríssimos, nos mesmos termos que
vimos recentemente feito pelo governo grego. A alegria dos mercados se deve
mais ao colchão de liquidez e à estatização do risco bancário do que
propriamente a fatores que possam afetar a economia real. Em suma, os
investidores festejam o fato de que os organismos multilaterais decidiram
preservar seu patrimônio ameaçado, monetizando parte da dívida impagável, que
deveria ser reconhecida como prejuízo. A decisão,
portanto, em nada mudou a realidade dos países superendividados
e com déficits estruturais além do administrável. A agenda de ajustes vai
continuar. A ajuda não foi aos países, mas aos credores. Simples assim. E não há como
ser diferente. Os déficits gigantescos terão que ser contidos imediatamente.
O tempo da irresponsabilidade fiscal acabou. Grécia, assim como os demais
membros do chamado clube dos PIGS (Portugal, Irlanda e Espanha, mais a
Itália) estão em situação insustentável e terão que fazer duríssimo ajuste
fiscal. O jogo da
falsa prosperidade inflacionária acabou mesmo depois das medidas anunciadas.
Virão anos de recessão, corte salarial, redução do funcionalismo público e
corte na renda dos aposentados. Os tumultos de Atenas serão provavelmente
repetidos, talvez em escala crescente, pois as economias dos PIGS são
maiores. É preciso que
se diga que estamos diante da dura realidade da lei da escassez. Essa gente
tem vivido muito acima de suas posses, daí o endividamento que acumularam.
Mas dívidas são a mágica que só acontece uma única vez. A fórmula não poderá
ser repetida por pelo menos uma geração. O fracasso das
promessas da social-democracia é patente. A pergunta é: o que virá em seu
lugar? A meu ver, teremos o resgate da política econômica liberal, mesclada
com os valores do conservadorismo. A ética do trabalho deverá ser
restabelecida, em substituição à política de estatização do risco existencial
mediante a remuneração do ócio das multidões. Não será um
processo fácil, a meu ver. Desde o pós-guerra gerações se sucederam na Europa
sem trabalhar, usufruindo da praga moral do chamado Estado de bem-estar
social. Como fazer essa gente trabalhar, de uma hora para a outra? Simples: cortando
a mesada e pondo a polícia na rua. Não haverá mais almoço grátis, nem turismo
grátis nos mares do sul, nem habitação grátis. Essa legião de vagabundos terá
que readquirir a disciplina do trabalho. Teremos um
laboratório a céu aberto para ver as fraquezas morais humanas em ação.
Invocarão “direitos” e “conquistas”, mas essa mistificação semântica não terá
valor algum. De novo deverá ser resgatada a boa moral do trabalho, da
poupança e da responsabilidade de cada um sobre si mesmo. Será o fim da
ilusão social-democrata. |
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