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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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O PACOTE DOS EUA 04/09/2009 O mundo
está mirando o fundo abismo, bem de cima de um Everest de dólares emitidos. A
oferta abusiva de dólares vem de muitos anos, mas esse pacotaço é o que podemos chamar
de pôr gasolina para apagar o incêndio. US$ 850 bilhões, uma cifra realmente
inacreditável, gigantesca, alucinante. Ela dá bem o tamanho da
irresponsabilidade dos homens a quem coube administrar a crise. Deu-se as costas à razão, à moral natural e à ciência. Qualquer
pessoa minimamente desintoxicada do esquerdismo – keynesiano
assim como o marxista – sabe que o que está sendo feito é uma perfeita
alucinação. Mas como resistir ao moderno Baal e ao
seu bezerro de ouro, agora chamado de dólar? Como não escutar seus
sacerdotes, os economistas intervencionistas? Como aceitar que a economia
natural é a mais salutar e que o Estado não tem nenhuma coisa a dar a
ninguém, muito menos solução para a crise? Que o Estado *é* a própria crise e
o grande perigo contra a humanidade? Que a normalização da vida, não apenas
nos EUA, mas no mundo inteiro, demanda a desinflação do Estado, sua redução a
proporções humanas e que a humanidade passe a enxergá-lo como o que de fato é, um mero instrumento para organizar a vida prática e não
o salvador do mundo? A criatura não pode ser maior do que seu criador. Meu caro
leitor, quem pisou em alguma escola de nível superior no Brasil, e acredito
que no Ocidente inteiro, aprendeu que o Estado tem o suposto poder de
resolver o drama da existência humana.
Da ordem política e jurídica, até a Saúde, a Educação, a
aposentadoria, a economia pessoal de cada um. Teria ele o suposto poder de
eliminar o risco existencial. Só a primeira afirmação é verdadeira (prover a
ordem política e jurídica), todo o resto é uma falsificação e uma miragem.
Uma fuga da realidade como ela é. O que os
governantes dos EUA fizeram foi precisamente isso: alargar o passo e dar as
costas à realidade, fugindo dela em desabalada carreira. Uma completa
loucura, um atirar pedras na lua. O vaticínio se impõe: a nação
norte-americana deverá mergulhar numa inflação alucinada, mas não conseguirá
voltar ao status quo
ante. Aquela vida a crédito, que dependia da valorização dos imóveis e da
crença alucinada de que o preço dos ativos (imóveis assim com ações) estaria
maior amanhã para todo o sempre, simplesmente acabou. A realidade agora se
impôs, a despeito da montanha de dólares gerada no pacote. O
populismo dos políticos, diria mesmo sua crença vital irracional, é de que
seria possível um voltar atrás, um retorno ao tempo em que toda a gente
desconhecia o cassino financeiro em que os EUA se tornaram. Em que os zumbis
felizes pagavam suas contas com a artificial valorização dos ativos. Esse
cassino permitiu vida farta e prosperidade para um conjunto muito grande de
pessoas, que literalmente viveram de crédito por longo período. Uma vida
artificial dessa não poderia se manter e mesmo o
governo emitindo essa montanha de dólares ela nunca mais voltará. Sem obter
o retorno ao status quo
ante, para que o pacote? Para manter o sistema político montado na fraude
populista, em primeiro lugar, pois é o combustível dos demagogos. Em segundo,
para dar a impressão de que o governo está fazendo alguma coisa, quando na
verdade nada deveria fazer, ou melhor, deveria tomar medidas para desinchar e
preventivamente agir para que a inflação do dólar não comprometa a liderança
mundial dos EUA. Em terceiro, para dizer às massas estúpidas que o
deus-Estado está, como sempre, cuidando delas como um fazendeiro cria porcos: para devorá-los. O monstro estatal é o maior
matador de homens que já surgiu no planeta. O paralelo com a crise de 1929 se
impõe e nunca devemos esquecer que o ciclo daquela crise só se fechou com a
II Guerra Mundial. Eu me
pergunto o que acontecerá politicamente nos Estados Unidos quando essa imensa
classe média, que vivia ricamente, sem trabalhar, comprando e vendendo ações de seu computador pessoal,
instalado em sua poltrona, descobrir que a brincadeira acabou. The game is over. Quando ela, a classe
média, descobrir que seu imóvel não vale nada, que não tem comprador para
ele, mas a sua hipoteca continua valendo. Essa gente vai entrar em desespero
e toda vez que a classe média entra em desespero temos o caminho semeado para
as tentações totalitárias. Nada de bom acontece quando a classe média se
desespera e ela só pode escapar ao desespero quando os demagogos são
desacreditados e os verdadeiros líderes assumem o comando da situação. A
democracia só poderá sobreviver sob a liderança de gente moralmente superior.
Onde estão esses líderes? Onde estão os homens egrégios? Não os vejo, vejo
apenas demagogos falar à multidão. Essa crise
poderia ter acontecido anos antes. A dádiva do grande aumento da
produtividade associada às inovações tecnológicas, no campo da informática e
das telecomunicações, retardou o ajuste, que finalmente chegou. Leio agora
na revista Veja que acabou de chegar às bancas: “Com a aprovação do pacote de ajuda, Tio Sam salvou o
mundo do colapso e será possível, primeiro, medir o tamanho do estrago e, em
seguida, empreender a caminhada de volta na reconstrução dos mecanismos
americanos e globais de produção de riqueza”. Nessa frase está o senso
comum, a grande mentira. O Tio Sam não salvou coisa alguma e não haverá
reconstrução que não seja um retorno à economia natural. E qual é esta? É a
liberal, aquela que está na Bíblia: “Comerás
o pão com o suor do seu rosto”. O pacote tenta precisamente escapar do
real, é ele próprio o foguete a levar os homens lunáticos à lua. Um grande
desastre. Seria cômico se não fosse trágico. Qualquer
arranjo fora desse preceito natural
é artificial, irracional e alucinado. Não haverá melhora alguma se as bases
racionais da sociedade não forem restauradas. Isso equivale a uma radical
mudança na maneira como as massas vêem o Estado, de um bondoso provedor de
benesses para o autor da grande tragédia. É tarefa para um Moisés converter
as massas, alguém que traga as tábuas da Lei e mande destruir os bezerros de
ouro. Os homens precisam parar de fazer seus sacrifícios a Baal. Chega de impostos! Chega de regulamentos! Chega de
guardas na esquina dizendo o que as pessoas adultas devem fazer! Chega de
Estado! |
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