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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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O OVO DA SERPENTE 24 de maio de 2009 Ontem,
rodando os canais da TV no fim de noite, deparei-me com o ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso fazendo o discurso de paraninfo da turma de
formandos da faculdade de Administração Zumbi dos Palmares. O ex-presidente
sublinhou na sua fala o mantra que está na boca de todos os socialistas, que
é aquele cunhado por Rousseau: igualdade. O discurso até seria bonito se
diante da câmara não tivéssemos precisamente o contrário da igualdade: um
universo predominantemente de pessoas da raça negra. Eu me perguntei: onde a
igualdade? Vi ali muitas exortações ao racismo oficial. Mas quero
me referir aqui não à escola, mas ao discurso. FHC é um legítimo
representante da nossa elite, seja ela a política, a econômica ou a
acadêmica. Um discurso dessa natureza na boca de FHC merece um único
adjetivo: demagogia. Toda a nossa política, desde 1985, tem sido isso, a
demagogia pura e crua nascida dos delírios do genebrino. E, quando referida
ao problema racial, essa demagogia resvala para o mais perigoso e contrário à
realidade nacional: as tais políticas afirmativas, que têm feito aqui
precisamente o contrário da busca da igualdade. Estamos a construir os muros
dos guetos do apartheid social, não os mecanismos da
igualdade. Fernando
Henrique Cardoso e seus seguidores socialistas serão os autores originais
desse mal que ficará como nódoa por muito tempo na Nação brasileira, de
fabricar-se o racismo com sinal trocado. O discurso da igualdade suportando o
seu contrário semeou o germe da discórdia racial que terá desdobramentos
imprevisíveis e de nenhuma forma positivos. A serpente inteira que está
contida nesse ovo de peçonha. A figura do ex-presidente, a discursar esse
monte de mentiras políticas, me fez lembrar do filme
de Ingmar Bergman sobre a gênese do nazismo. O mesmo fermento do rancor, o
mesmo populismo que permitiu que a figura nefasta de Hitler emergisse para o
seu epílogo sangrento. Não posso
deixar de pôr nos ombros do ex-presidente a máxima responsabilidade sobre o
que vier a acontecer. Ele tem os meios de saber que essa demagogia está
prenhe dos piores propósitos. Mais que ninguém ele sabe que as ideais de Rousseau
são imorais e irracionais. Ele sabe que tudo que é revolução, desde o século
XVIII, congregou lunáticos berrando pela igualdade de fato, quando na verdade
a igualdade única possível é a igualdade diante da lei, aquela defendida por
Locke. Esses revolucionários mataram muita gente. Nesse sentido, tanto quanto
Rousseau, FHC é um sociopata, um maluco que passa
por bom mocinho e que tomou o comando da política nacional. De um ovo de
serpente só pode nascer uma serpente, já pronta para realizar sua missão
maléfica no mundo. Não há
qualquer atenuante para FHC. Ele tem plena consciência intelectual dos seus
atos. Não percebo nele nem mesmo a fé dos acólitos dos delirantes seguidores
de Rousseau, percebo o oportunismo daqueles que fizeram da política o seu
vício mais devastador. O discurso
de FHC deve ser ouvido e estudado. É o silvo da serpente que se arrasta sobre
a terra. Para se saber o caráter de alguém basta lhe perguntar o que pensa sobre
Rousseau. FHC o disse e repetiu. É a amoralidade personificada. |
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