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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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O ORÇAMENTO DE OBAMA 27 de fevereiro de 2009 O presidente Barack
Obama fez o que dele se esperava: apresentou ao Congresso
o orçamento para o primeiro ano de sua gestão inflado por um déficit de US$
1,75 trilhão, equivalente a 12,3% do PIB. Os adoradores do Estado dirão é que
é orçamento “corajoso”, keynesiano, moldado
enquanto ferramenta anticíclica. Eu digo: é a mais arrematada loucura que um
governante poderia fazer. É interessante sublinhar que o
orçamento, peça que simboliza a separação de poderes e é a expressão do
funcionamento do Estado democrático de direito, tem perdido essa função em
face da irresponsabilidade dos governantes e da completa alucinação dos
marcos teóricos que suportam a sua construção. Produzir um déficit planejado
desse tamanho é tão somente uma gigantesca irresponsabilidade, vez que
projeta para o futuro fatores imponderáveis para manutenção do valor da moeda
norte-americana. O orçamento tornou-se um simples
mecanismo declaratório pelo qual grupos de interesses informam sua capacidade
de se apropriar da capacidade de gastos públicos, sob os mais diversos
pretextos. É o cinismo levado à sua manifestação mais grotesca, uma pura e
simples forma de roubo institucional. Os interesses particulares de grupos
específicos ficaram claramente sobrepostos aos interesses gerais. Vimos o
maior ser devorado pelo menor. Sublinho, caro leitor, que essa peça de Obama
é uma expressão acabada do mecanismo da construção da Segunda Realidade de
que nos falaram Ortega y Gasset e Eric Voegelin em suas obras, a partir do legado de Miguel de
Cervantes no Dom Quixote: aqueles que estão mentalmente equilibrados e donos
de suas faculdades vêem a coisa como ela é, ou seja, que essa peça
orçamentária (como, de resto, as anteriores) é tecnicamente insustentável e
moralmente condenável. Esse orçamento é a prova mais acabada do delirante estado
mental em que os dirigentes da nação norte-americana se encontram. O manifesto do personagem cervantino mais conhecido, o de que
viera “consertar tudo que está torto”,
é o que está na mente dessa gente aventureira que tomou conta do
Estado. Pior, as massas esperam isso dos dirigentes, nada mais nada menos.
Então a loucura coletiva se transforma em razão de Estado, usando de todos os
poderes que as modernas técnicas permitem, inclusive no plano militar e na
capacidade policial de controle dos indivíduos. Óbvio que não se quer
consertar coisa alguma, quer-se mesmo é “aperfeiçoar” a natureza, isto é,
reinventar a alma humana, tarefa impossível. É a reengenharia social tão
peculiar aos tempos modernos e que tem produzido milhões de mortos. É como se Dom Quixote, diante da simplória
camponesa, enxergasse a idealizada Dulcinéia ou,
inversamente, vendo a realidade como ela é, a moça
simples, dissesse que estava diante de um efeito de encantamento, vez que o
real não pode ser aceito enquanto tal. Quer mesmo é enxergar a formosa
donzela Dulcinéia. A genialidade de Cervantes
consiste precisamente em demonstrar de forma artística esse mecanismo mental
anormal que tomou conta dos homens modernos. Podemos dizer com toda
propriedade que é isso que está a se passar na cabeça dos governantes, e não
apenas dos EUA. A elite dirigente simplesmente enlouqueceu, perdeu o contato
com o real e se recusa a ver as coisas como elas são. O perigoso de tudo isso
é que essa elite degenerada – maluca – tem os botões do apocalipse, entre
eles a capacidade de destruir o valor da moeda que é o estofo das trocas
internacionais e a condição primeira para a manutenção da normalidade
econômica. Mais grave ainda nesse processo é
que as universidades e as classes pensantes enlouqueceram muito antes dos
governantes. São seus gurus, que produzem os “ismos”, keynesianismo, marxismo,
racismo, sexismo, entre outros. São essas pessoas
que supostamente produzem conhecimento capaz
de pôr na mão dos governantes as ferramentas para a administração do
Estado quem, de fato, legitimam as ações desastradas. Ora, tem século que o
Estado deixou de ser vocacionado para as funções
elementares do liberalismo clássico (o real)
para se transformar na varinha de condão (o encantamento) capaz de
supostamente superar todos os problemas existenciais da humanidade. Assim,
esse novo Estado seria responsável por Educação, Saúde,
aposentadorias e até mesmo por mudanças estruturais no clima, essa aloprada idéia de combate ao suposto aquecimento global.
Na prática a única coisa produzida de fato por esses malucos foi o
agigantamento do gasto público, concomitante com o alargamento da tributação.
E, com ele, a destruição da liberdade. Quanto mais os dirigentes e a
classe pensante se agitam em nome do combate à crise, mais se aprofunda esse
fosso entre a realidade e a percepção dos tomadores de decisões. A recusa da
realidade em se encaixar nos seus delírios é motivo para mais ações
delirantes. Essa gente não consegue mais se dar conta de que, na raiz de
tudo, está a loucura de se tentar fazer do Estado o
fator de eliminação do risco existencial. O primeiro orçamento obâmico nada mais é do que o registro contábil da loucura
coletiva de nossos tempos. De fato, Obama marcou
época. Legou para a posteridade um documento capaz de provar a insanidade dessa
geração insensata que está no poder. |
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