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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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O
MENINO DO MEP 08 de dezembro de 2009 Penso que um dos
momentos culminantes do ano político que se encerra foram os artigos de César
Benjamin escritos para a Folha de São Paulo, que tiveram o condão de lançar
luz sobre acontecimentos ilustrativos do caráter de Lula, um verdadeiro
contraponto à abjeta edificação de sua imagem messiânica a partir do filme
falsamente biográfico que entrou em cartaz. Benjamin abriu um debate público
que ainda está em curso. Sublinho aqui o fecho de seu segundo artigo: “Reitero:
o que escrevi está além da política. Recuso-me a pensar o nosso país
enquadrado pela lógica da disputa eleitoral entre PT e PSDB. Mas, se quiserem
privilegiar uma leitura política, que também é legítima, vejam o texto como
um alerta contra a banalização do culto à personalidade com os instrumentos
de poder da República. O imaginário nacional não pode ser sequestrado
por ninguém, muito menos por um governante. Alguns amigos disseram-me que,
com o artigo, cometi um ato de imolação. Se isso for verdadeiro, terá sido
por uma boa causa”. Palavra que
edificariam qualquer biografia, um verdadeiro ato de coragem, pessoal assim
com política. Nessa terra de compadrio nadar contra a corrente é gesto raro
em política. Se não fosse por outra razão, e apenas por essa, teríamos que
aplaudir César Benjamin. O contraste
ficou por conta da manifestação oficial dos acólitos de Lula, especialmente
Gilberto Carvalho, que taxou Benjamin de “louco”. Qualquer um que peite o
poder é louco? Não, o gesto pode significar algo superior, como integridade
pessoal, revelando alta diferenciação moral. Os acólitos de Lula, acostumados
com a disciplina partidária que os obriga a fazer o culto da personalidade,
têm dificuldade de entender tamanho desprendimento. Outro contraste
ficou por conta do “Menino do MEP”, a quem a Folha de São Paulo tentou
entrevistar. Ele recusou-se a dar declarações, alegando que não podia mentir.
De forma enviesada confirmou os fatos citados por César Benjamin, de que
teria sido objeto de tentativa de estupro por parte do presidente Lula,
quando dividiam a mesma cela. Na verdade, ao se recusar a dar um depoimento
afirmativo João Batista dos Santos – o nome do Menino do MEP – está contando
para a sociedade brasileira uma mentira, livrando a cara de um mau caráter.
Nem digo que, por ser usufrutuário da bolsa-ditadura, ele tenha medo de perder
a boquinha, porque essa está juridicamente assegurada. O fato de aceitá-la
mostra que o seu nível moral não difere daquele ostentado pelo antigo
companheiro de infortúnio. Escorar-se numa
religião para recusar a testemunhar sobre os fatos, a bem da verdade,
transformou o que seria uma vítima em um cúmplice. Não do assédio indecoroso,
claro, mas da ocultação do malfeito. O Menino do MEP assim contribuiu para a
manutenção da suposta boa imagem que o Filho do Brasil (essa é de lascar!)
carrega. Seu depoimento, se confirmasse César
Benjamin, seria devastador à imagem messiânica que se constrói do Lula. Calar
aqui não exprime neutralidade, exprime uma tomada de posição. Nenhuma
religião e nenhuma suposta proteção à família exime João Batista dos Santos
das suas obrigações perante os cidadãos brasileiros, enganados por Lula e o
PT de forma permanete. |
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