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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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O MASSACRE MIDÁTICO CONTRA JOSÉ SERRA 21/08/2008 Em esplêndido artigo publicado na edição de ontem
da Folha de São Paulo, o cientista político José Augusto Guilhon
Albuquerque (Entre o erro
e a torcida) apontou com propriedade os erros elementares na metodologia
de pesquisa do Datafolha, que levaram o instituto, na semana passada, a
apresentar larga margem de vantagem de Dilma Rousseff
sobre José Serra. O autor foi muito elegante e irônico ao escolher as
palavras. Não sublinhou apenas o erro metodológico, mas a “torcida”. Eu digo:
não é torcida, é propaganda da causa. É ação de má fé para com os
brasileiros, tentando obstinada e deliberadamente enganar e conduzir os
votos. As pesquisas eleitorais no Brasil tornaram-se
elemento importante na estratégia de campanha, transformando-se em agentes
ativos do processo eleitoral como um todo, a começar pela definição dos
apoios políticos, importantíssimos na reta final de campanha. Sem esses
apoios regionais as candidaturas majoritárias têm muita dificuldade de falar
com os eleitores distantes dos grandes centros. O eleitor isolado talvez nem
esteja tão sujeito ao alarido provocado por elas, mas os cabos eleitorais, os
caciques locais e, sobretudo, a mídia que gera notícia a partir de si mesma,
em looping fabricado como um sonho replicando
dentro de um sonho, libera grande energia contra a
vontade soberana do eleitorado. O que está senso feito é um gesto de
engenharia de comunicação para manipular a consciência do público eleitor, de
maneira deliberada e desonesta. Essa ação desleal e infame precisa ser
denunciada não apenas porque acaba se tornando uma manipulação das eleições,
mas porque retira da democracia a sua própria legitimidade. Chegamos ao
estágio em que a vontade popular deixou de ser sujeito, soberana; quem manda
agora na escolha dos governantes é o consórcio sórdido de sociólogos dos
institutos e editores de jornais. Por detrás de tudo o poder imenso da
Presidência da República e seus faustosos recursos. E também a má índole dos
que lá estão aboletados. Sua ânsia de se manter no poder não tem qualquer
limite moral. Fazem o jogo do vale tudo. E os institutos, como o Datafolha, a
troco de dinheiro e prestígio com o poder, são lenientes e coniventes com a
pressão dos poderosos. A edição de hoje da Folha de São
Paulo anunciou uma vantagem massacrante de Dilma Rousseff
sobre José Serra, apoiada em nova pesquisa da sua coligada, o Datafolha. É
veraz? Não creio. Penso que está em processo um movimento de “abafa”
midiático para definir, ainda no primeiro turno, as eleições em favor de
Dilma Rousseff. Esse tipo de ação tem muito a ver
com um golpe de estado “soft”, sem sangue, mas com
a mesma eficácia de empolgar o poder de forma ilegítima e contra a vontade
consciente do eleitorado, que acaba votando como zumbis. Se as eleições fossem apuradas pelos
pesquisadores do Datafolha Dilma Roussef estaria
eleita no primeiro turno, com maioria qualificada. |
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