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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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O LEILÃO DA VIRGINDADE 24/10/2012 Tem gosto
para tudo. A imprensa deu destaque hoje à conclusão do leilão da virgindade
de uma jovem brasileira, vencido por um japonês ao preço de R$ 1,5 milhão.
Vale? Melhor dito: vale a pena? Virgindade em
tempos antigos tinha dois sentidos bem claros para a humanidade. Por um lado, era a garantia da paternidade,
como ainda hoje se vê no caso dos casamentos da família real inglesa. O filho
sabe do pai pela mãe, mesmo nos tempos de teste de DNA. A questão da sucessão
do poder é crítica e a certeza da paternidade evita disputas e mesmo guerras
civis. A outra, não menos importante, é que à virgindade estava associado o símbolo
da pureza feminina. O sexo sempre esteve relacionado com a impureza, o
pecado, a sujeira. A contenção dos instintos é o preço para a preservação da
pureza. Que pureza
poderá haver em uma mulher que leiloa sua iniciação sexual pela internet?
Nenhuma, obviamente. Que sentido reprodutivo? Nenhum também, pois que, desse
conúbio, não brotará nenhum rebento. Aqui o intercurso sexual, quando houver,
nos termos pactuados, não passará de uma macaquice, de uma imitação barata de
coisas antigas para as quais a humanidade contemporânea perdeu a compreensão.
No fundo, a suposta virgem está dando o famoso golpe do vigário, pois a
virgindade física teria que ser contrapartida de uma pureza interior,
traduzida em comportamento pudico. A casca é oca. O leilão é a
exata medida do abandono de qualquer resquício de pudicícia, é desonra, é
opróbrio público antecipado pela redução da mulher à condição de uma
prostituta vulgar. Ela mesma confessou que esta fazendo tudo por dinheiro,
como qualquer prostituta faria. Nem é o caso de dizer aqui que o vício faz
uma homenagem à virtude. O gesto é apenas parasitário de antigos símbolos e o
ganhador do leilão é um tolo que compra gato por lebre e nada melhor tem a
fazer com o seu dinheiro. A virgindade,
desprovida da seriedade dos símbolos de antigamente, não é apenas uma concha vazia,
é ela mesma um inconveniente. Prefiro antes uma mulher madura, iniciada, que
domina a arte de amar. Uma virgem – e supondo que esta virgem seja mesmo
intacta – pouco ou nada sabe dos segredos necessários para uma mulher agradar
a um homem. Iniciar uma mulher é sempre trabalho demorado e que pode trazer
situações desagradáveis. Virgindade
leiloada é como manter intercurso com uma bela e sedutora jovem já sem vida.
O corpo é ainda, mas sem vida não é mais. Leiloar virgindade é precisamente
matar a mercadoria que se está a vender. O simples anúncio já a desvaloriza a
uma condição invendável. O japonês, feliz comprador dessa falsificação, não
tem ideia do tamanho do equívoco que está a cometer. Sinal dos tempos. Mutatis mutandi, terá sido o mensalão o leilão da virgindade das
vestais do PT? Daqueles que pregavam que tinham o monopólio da pureza e da
virtude? Parece que sim, estamos diante de outra falsificação das
falsificações. Defuntos desprovidos de almas, essas falsas vestais,
verdadeiros vampiros das virtudes cívicas, se entregaram ao conúbio carnal da
busca do poder vendendo pureza e entregando podridão. |
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