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O LEGADO
DE JOÃO PAULO II
12/04/2005
As emocionantes imagens da Cidade do Vaticano, desde o início da doença
terminal do pontífice, culminando com seu apoteótico sepultamento mostraram
alguns fatos que precisam ser sublinhados, pois contrariam o senso comum: 1-
A Igreja está viva e seu patriarca muito fez para divulgá-la e engrandecê-la.
Evangelizou o mundo utilizando a mídia; 2- O Vaticano tornou a ser, se é que
algum dia deixou de sê-lo, o epicentro da civilização cristã. A câmara
parada, dando a panorâmica da Praça de São Pedro,
forma uma imagem impressionante da multidão compenetrada, rendendo homenagem
ao homem morto; 3- Nada do que temos e somos enquanto ocidentais existiria
sem a morte e a ressurreição de Cristo, que tem na Igreja a sua testemunha e
a sua divulgadora, pois é a portadora da Boa Nova; 4- Um homem velho e
alquebrado, visivelmente doente e vestido de forma antiquada tornou-se digno
da admiração da juventude e o centro das atenções dos meios de comunicações
mundiais, contrariando o culto juvenil habitual e o que dizem os manuais de
marketing; 5- O Papa foi no seu tempo de vida e mais ainda na ocasião do seu passamento a grande estrela, a maior de todas; 6- A
verdade moral dos Evangelhos, incansavelmente divulgada pelo pontífice, em um
discurso aparentemente contra a corrente hedonista predominante, triunfou. O
suposto reacionário é o pastor aclamado pelas multidões. Havia milhões de
ouvidos preparados para ouvir a sua mensagem.
E não deixa de ser sensacional ver que os grandes e poderosos do mundo foram
render-lhe as últimas homenagens, homens de todas as procedências e de todas
as fés. Foi o reconhecimento da superioridade moral
do santo homem. Seu carisma foi reconhecido e reverenciado. João Paulo II
pairou sobranceiro sobre os poderes desse mundo, tornou-se referência e
ganhou o respeito de toda a gente. Esse fato é mais do que simbólico.
Não há dúvida de que a Igreja Católica parte para o
terceiro milênio renovada e fortalecida pela figura beatífica do papa
falecido, talvez o maior dos homens que fizeram o século XX. Sua grande obra
foi dar força para que a Igreja se remoçasse na tradição, se rejuvenescesse
na reafirmação das verdades permanentes, se engrandecesse na perenidade dos
ensinamentos do próprio Cristo. João Paulo II mostrou que aqueles que querem
fazer concessões para um suposto crescimento da Igreja estão errados. Não
pode haver modismos com as coisas sagradas, que são eternas. O que
rejuvenesce a igreja é a adesão dos jovens à fé e não a renúncia à Verdade.
Vi na TV um desses teólogos meia-boca, comunista, comentando o episódio
evangélico da mulher adúltera, em defesa das mudanças na moral sexual,
supostamente para salvar pessoas de doenças sexualmente transmissíveis. Um
farisaísmo evidente. Sofisma em cima de sofisma. Cristo perdoou a pecadora,
mas não defendeu o pecado e nem o aboliu. "Vá e não peques mais".
Há, podemos dizer, a autonomia do mal. Pecamos todos
e pela graça de Deus podemos ter o perdão e a redenção, mas não podemos
desconhecer a fonte do mal e a sua ação ativa no mundo. Perdoar o pecador não
é aceitar o pecado, mas sim, lutar contra ele, sem tréguas. E é isso que
querem que a hierarquia da Igreja faça. Jamais o fará. O "espinho
fincado na carne" precisa ser arrancado, mas espinhos continuarão
existindo e a espetar a todos nós, especialmente os
mais desavisados e desprotegidos por não abraçar a fé genuína. Querem fazer
crer que a Igreja é obscurantista por ser assim. É exatamente o contrário:
obscurantismo é querer transformar o vício em virtude e o pecado em um bem
teológico. Os muitos mortos pela AIDS são as testemunhas macabras do
hedonismo demoníaco. Não será o reforço nas práticas hedonistas que salvarão
essas pobres vítimas.
João de Deus deixou-nos um legado inestimável. Está, pela graça de Deus, na
comunhão dos santos.
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