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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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O LADO CERTO 02/12/2010 Li com atenção a entrevista de Luiz Eduardo
Soares dada à Folha de
São Paulo. Fez-me pensar. Ele é o um dos co-autores do livro que foi base
para o filme TROPA DE ELITE. Supostamente tem autoridade para falar do
assunto de Segurança Pública, pois exerceu cargos na área, tanto no Rio de
Janeiro como no plano Federal. Apesar de todas as credenciais Luiz Eduardo
Soares na entrevista demonstra uma grande confusão moral e chega mesmo a
identificar o crime com as forças da ordem, onde tudo está misturado. Como
alguém tão confuso assim pôde trabalhar num roteiro tão sensacional? Obra
coletiva esconde às vezes as carências individuais. Vimos pela televisão que a paz nos morros
depende da presença esmagadora das forças da ordem estatais. Não tem meios
termos: ou mandam os bandidos ou o Estado. Se os bandidos ficam fortes a
ponto de desafiarem seriamente a ordem estatal então a guerra civil se
instala, como vimos na Colômbia, vítima das FARC. E estamos a ver no México,
onde uma miríade de organizações criminosas tem matado muita gente, usando
armamento de guerra e desafiando as autoridades constituídas. O fato de haver polícia de um lado e bandidos
do outro mostra que não dá para confundir. “Polícia é polícia, bandido é bandido”, já declarou um antigo
profissional do crime, consagrado nas telas do cinema no filme LÚCIO FLÁVIO.
Todos os comentaristas que leio sobre o assunto da violência do tráfico no
Rio de Janeiro responsabilizam o governo de Leonel Brizola por abandonar os
morros à própria sorte, retirando as forças policiais e entregando
territórios livres aos traficantes, que desde então fizeram o que bem
quiseram. E desde Brizola nenhum outro governador ousou impor a autoridade do
Estado nesses territórios. A exceção veio na semana passada em resposta à
insolente ação de desafio guerrilheiro que fizeram, pondo fogo em veículos
particulares para “protestar” contra a nova política de segurança de Sergio
Cabral. O argumento de que a corrupção policial é tão
podre que torna os policiais bandidos iguais aos outros não se sustenta.
Vimos que um comando do governador foi o suficiente para que centenas de
traficantes pés de chinelo saíssem do seu covil correndo, entregando o
território que haviam usurpado. Alguém pode até argüir que a fuga foi um ato
de fraqueza das forças da ordem e mesmo de conivência. Autoridades talvez não
quisessem a destruição total do Comando Vermelho. Ainda assim não se pode confudir o certo e o errado, o bem com o mal. As forças
da ordem, ainda que se desviem, são as representantes do bem; os traficantes,
ainda que façam benemerências e instituam uma ordem “justa”, precária que
seja, são os representantes do mal. A morte de Tim
Lopes em uma fogueira medieval dá o grau de agudeza do limite a que esse mal
pode chegar. Seu sacrifício nos lembra dolorosamente que o mal é sempre mal,
mesmo que queira se travestir de bem. Com o Estado agindo o negócio das drogas,
como ele sugere, jamais ficará bem. É ilusão achar que traficantes vendam sua
mortífera mercadoria dispensando a violência. Nem posto de gasolina, com
proteção policial e judicial escapa a assaltos esporádicos, o que dirá uma
mercadoria que é por natureza contrabandeada e traficada contra as leis e
portadora de elevado valor agregado. Sem força armada própria, mínima que seja, o tráfico não se sustenta. Luiz Eduardo Soares declarou: “A primeira medida fundamental é fazer com que a polícia pare de participar do tráfico”. Para que policiais corruptos (e não toda a polícia, como sugere ele) parem de participar do tráfico urge que o trafico seja suprimido. Não se pode aceitar a hipótese de que esse fato não é alcançável. A fuga de centenas de malandros traficantes em pés de chinelo, portando seus fuzis, mostrou que são frágeis, não têm força militar para confrontar o Estado quando as autoridades têm disposição política. Subentende-se nessa confusão moral e analítica do entrevistado que a polícia como instituição é a responsável pelo tráfico. Não é. Se há um poder político patrocinando o tráfico este está acima
da polícia e mesmo das Forças Armadas. Bem sabemos das ligações do PT e de
outros partidos de esquerda, no âmbito do Foro de São Paulo, com o crime
organizado e com os donos da produção de cocaína na América do Sul, as FARC.
Vimos os documentos que comprovam até o envolvimento eleitoral do dinheiro
sujo do narcotráfico, e não apenas no Brasil. Mesmo assim Lula teve que
assinar a ordem autorizando que as Forças Armadas dessem suporte aos
policiais cariocas para subir o morro. A grande surpresa é que a população
aplaudiu e pediu bis. O problema dessas ligações com as esferas políticas
superiores não está no traficante que habita o meio urbano consumidor de
tóxicos, está na liberação das fronteiras, no amparo político às fontes produtoras
desde fora do Brasil, está na associação com governantes delinqüentes como
Hugo Chávez, que hoje tornou a Venezuela um santuário para os chefões das
FARC. Luiz Eduardo Soares não tem uma palavra para falar disso, da
corrupção em larga escala no poder político federal, que pôs o Itamaraty a
serviço dos Estados delinqüentes e castrou o comando das Forças Armadas, que
vêem impotentes os acontecimentos se desenrolarem. Não é a corrupção rasteira
dos policiais que dá força ao tráfico. Uma única voz de comando acaba com
qualquer “arrego” dos meganhas menores. Mas como acabar com a força de Marco
Aurélio Garcia e de Gilberto Carvalho? E mesmo de Lula e de Dilma Rousseff? E de todo o PT e seus aliados? Penso que os acontecidos na semana passada no Rio de Janeiro
se deveram ao fato dos pequenos traficantes acharem que tinham força para
afrontar a ordem estabelecida, que está fundada a despeito inclusive da
vontade dos controladores do governo federal. É a força viva da Nação, que
reagiu. O que vimos é que os brasileiros descobriram que têm polícia e que
“seu” Exército ainda está aí, junto com a Marinha e a Aeronáutica. São forças
dormentes, mas que permanecem potentes. Como o povo permanece. Nossa gente
felizmente não faz a confusão mental de Luiz Eduardo Soares. Para ela,
bandido é bandido e polícia é polícia e se bandidos exorbitam o Estado deve
descer o sarrafo nos vagabundos. |
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