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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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OITENTA ANOS DEPOIS 25 de dezembro
2008 The Ogre does what ogres can, W.H.Auden, August 1968. A crise de
1929 está completando oitenta anos e de novo a humanidade encontra-se
confrontada com peripécias equivalentes. As mentes lúcidas da época não se
enganaram com o que estava acontecendo. Se a multidão idiotizada não sabia
muito bem o que a esperava, tanto os agentes do mal sabiam o que faziam como
aqueles que lhes davam combate. Hitler, Stalin e Mussolini tinham seus
objetivos bem claros. Na América os progressistas dominavam a Presidência da
República e não hesitaram em pôr em marcha a Grande Sociedade. Entre nós
tivemos a experiência do Estado Novo, fascista em estado puro. Havia um
acordo entre os lideres políticos de que o caminho da prosperidade e da
redenção humana passava pelo Estado Grande. Pensadores e filósofos nos dois
Hemisférios passaram a legitimar o retorno ao Estado Total, que vigeu desde
os tempos bíblicos, tendo sido domesticado somente no Advento cristão. Homens
como Ortega y Gasset, Von Mises,
Raymond Aron e Irving Babbit faziam solitário
contraponto a essa regressão histórica. Eles viam o enorme perigo que era a
construção da Grande Sociedade, seja aquela de vertente comunista ou nazista
(sua variante nacionalista), seja a fascista, que teve nos EUA um seguidor
entusiasta. O redemoinho de destruição que viria embaralhou um pouco o
sentido das palavras, mas oitenta anos depois é possível retornar ao ponto de
partida e ver mais claramente. Só com a eleição de Barack
Obama e o triunfo completo do Partido Democrata é
que essa plataforma fascista alcançou o apogeu nos EUA. Não podemos esquecer
que na Europa essa forma de organização social em que o Estado é tudo,
compra, vende, tributa, emprega e regula a vida cotidiana de cada um – o
Estado Total – já é uma realidade há muito tempo. Obviamente
que a liberdade como aquela entendia pela tradição judaico-cristã e pelos
liberais clássicos está em vias de desaparecer, com todas as conseqüências
dessa constatação. O cultivo dos valores morais, dos direitos fundamentais e
da ética visigótica que coloca o primado da moralidade sexual e da
propriedade foi definitivamente sepultado. O mundo mudou violentamente, de
tal sorte que ficamos espantados ao percorrer os caminhos de volta dessa
jornada. Isso não
seria importante se não tivesse conseqüências para a vida prática e para a vida
do espírito. Seria um simples passatempo de um observador diletante, mas
infelizmente não é. Na vida prática temos a eclosão das crises econômicas e
políticas, que teve agora um novo ciclo aberto com o setembro negro, de
desdobramentos imprevisíveis. A vida do espírito, esta está em franca
decadência, ficando agora confinada a indivíduos
isolados, verdadeiros restos de Israel que são preservados pela graça de
Deus, partilhando de angústias indizíveis. O fato é
que oitenta anos depois voltamos ao mesmo ponto da espiral descendente que
então se formava, como um furacão demoníaco. Voltamos ao mesmo ponto, mas em
alguns degraus inferiores. Estamos mais perto do olho do furacão. O deus dos
ventos presente no Zaratustra de Nietzsche agora sopra seu bafo infernal com
mais vigor. Essa realidade foi escrita em pedra, por toda a eternidade, no
poema de Yeats: Tudo se desmancha no ar. O centro
não segura Outro
poeta não foi menos atento ao que estava acontecendo, W.H.Auden.
Em 1929 ele escreveu o poema que ficou até 1945 sem título e inédito. Era
demasiado profético e apenas com a consumação dos acontecidos é que veio à
luz. O título foi sintomático: “ It is time for destruction of error. The chair are being brought in from
the garden, The summer talk stopped on that savage
coast Before the storms, after the guests
and birds: In sanatoriums they laugh less and
less, Less certain of cure; and the loud
madman Sinks now into a more terrible calm. The falling leaves know it, the
children, As play on the fuming alkali-tip Or by the flooded football ground know
it – This is the dragon’s day, the
devourer’s: Orders are given to the enemy for a
time With underground proliferation of
mould, With constant whisper and with casual
question, To haunt the poisoned in his shunned
house, To destroy the efflorescence of the
flesh, The intricate play of the mind,
enforce Conformity with the orthodox bone. You whom I gladly walk with, touch, Or wait for as one certain of good, We know it, know that love Needs more than the admiring
excitement of union, More than the abrupt self-confident ferewell, The heel on the finishing blade of
grass, The self-confidence of the falling
root, Needs death, death of grain, our
death, Death of the old gang; would leave them In sullen valley where is made no
friend, The old gang to be forgotten in the
spring, The hard bitch and the riding-master, Stiff underground; deep in clear lake The lolling bridegroom, beautiful,
there. Oitenta anos
depois podemos recitar o poeta com toda atualidade. Nada do que escreveu
envelheceu, mas tudo se agravou. É como se o infernal Plutão rompesse nos
céus em duelo apocalíptico com Saturno, devorando a humanidade. Os demônios
estão à solta. O falcão não é mais controlado pelo falcoeiro. |
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