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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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O
GESTO DE FEIJÓ 10/05/2008 O
vice-governador do Rio Grande do Sul, Paulo Feijó, que denunciou graúdos do
governo Yeda Crusius que
tentaram suborna-lo, cumpriu com raro rigor a máxima de Nietzsche: “Mesmo o mais corajoso entre nós só
raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece”.
Subestimaram o homem. Ouvi algumas
críticas ao gesto de Feijó. Teria ele traído a confiança dos tratantes que
lhe chamaram para formar uma quadrilha? Não. Ao homem íntegro caberiam duas
ações alternativas diante do fato: chamar a polícia in limine, fato hoje desaconselhável em
vista da simbiose das forças da ordem com o crime organizado politicamente
(ou seja, nas agremiações partidárias de esquerda que controlam o Estado), ou
usar do expediente que usou para criar um fato político e jurídico de rara
magnitude. Optou corajosamente pela segunda ação e não fez isso sem ter a
consciência de que corre sério risco, político assim como pessoal. Fez inimigos que o juraram de morte. Feijó
desencadeou forças políticas poderosas contra si. O desfecho de seu gesto é
incerto, mas se ainda restava alguma respeitabilidade à governadora Crusius, esta acabou. O certo é que as ondas de choque em
torno da inconfidência do vice-governador ainda não foram esgotadas, de modo
que o observador terá que aguardar os acontecimentos. Feijó deu-nos
mais que uma lição de coragem, deu-nos uma lição de civismo. As pessoas de
bem precisam apoiar o seu gesto. -x-x-x- O governo
Lula está revelando uma constante, que se repete ciclicamente. Lula tornou-se
maior que o PT porque tem votos e carisma popular. O PT tem os quadros e a estratégia,
Lula a sustentação política. Por isso seus auxiliares, mesmo aqueles mais
poderosos e próximos ao núcleo de poder (veja-se José Dirceu), podem ser
trocados feitos fusíveis vencidos que nada afeta seu governo. Desde o
primeiro escândalo, o de Waldomiro Diniz, isso se tem repetido. Dilma Rousseff está agora
enrolada com o escândalo da Varig. Será defenestrada
com a mesma impiedade como foram os demais se a crise crescer. Aos
mosqueteiros compete o sacrifício para proteger o rei. Mas, e sua candidatura?
Ora, Dilma nunca foi candidata para valer. Toda a
gente sabe que Lula é o candidato de Lula e do PT à re-reeleição. Dilma foi lançada feito boi
(vaca?) de piranha para a boiada petista atravessar o vau da reeleição. Lula
agora pode se dizer insubstituível. |
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