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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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O FIM DOS PARAÍSOS FISCAIS 15 de abril de 2009 Eu
sempre fui muito cético com relação a esses colegiados de chefes de Estado,
como o G-20 reunido recentemente, em face da natureza dos mesmos e em face do
histórico do que eles têm produzido. Dessas reuniões brotam normalmente
documentos inócuos e vazios, retórica mais das vezes para o público interno
dos governantes reunidos. Não
foi o caso desse último. O Estadão de hoje reproduz excelente matéria
originalmente publicada no jornal alemão Der
Spiegel, que reporta duas informações
fundamentais. A primeira é que o comunicado oficial do G-20 proclamou que “A era do sigilo bancário terminou”.
Quero aqui refletir sobre essa assunto, pois se essa
proclamação é correta estamos vendo agigantar-se a tentativa de construção do
governo mundial como jamais houve na história. Isso é um passo muito perigoso
contra as liberdades individuais, criando-se definitivamente as condições
para encurralar os cidadãos de todos os países na condição de escravos do
Estado. Os
paraísos fiscais podem eventualmente beneficiar traficantes, criminosos e
governantes ladrões, mas esse fato não pode se sobrepor
ao bem que produzem, o refúgio seguro que sempre foram para as pessoas física
e jurídicas de todo o mundo, contra o arbítrio tributarista e bisbilhoteiro
dos governantes de seus países de origem. São uma
necessidade para redução do poder arbitrário dos Estados. Não por acaso o
governante de Luxemburgo declarou que "Luxemburgo não protege os que praticam a
evasão fiscal, mas também não quer que (o ministro alemão das Finanças Peer)
Steinbrück possa descobrir com um apertar de botão quanto dinheiro um
determinado indivíduo tem em sua conta".
Ele está certíssimo. É esse o ponto. As pessoas tinham até
agora como manter sua privacidade e sua segurança contra não apenas a
voracidade fiscal de seus governos, mas tambem contra a insegurança que
eventualmente pudesse acontecer em momentos políticos críticos. Eu digo que o
fim dos chamados paraísos fiscais pode significar o beijo de morte sobre o
sistema de propriedade privada. O novo governo mundial que se forma nasce sob
a égide da espoliação socialista, da criminalização da posse privada de
riquezas, da perda indelével e inexorável da privacidade das pessoas. Um
grande perigo mundial se ergue contra todos, em todo o mundo: o reino do
Grande Irmão. O outro ponto para o qual quero chamar a
sua atenção, meu caro leitor, é que a pressão para que tal empreendimento
estivesse na reunião do G-20 nasceu da França, representada pelo suposto
direitista Nicolas Sarkozy. A França é uma das nações de proa no esforço de
implantar a nova ordem mundial e sua própria estrutura, formatada desde 1938,
está no apogeu da forma socialista de organizar a sociedade. Naquele país é tudo no Estado, nada contra o Estado,nada
fora do Estado. E o formato final do documento contou com o assentimento
do governo Chinês, a mais acabada estrutura de poder stalinista em vigor no
mundo. É a dança dos vermelhos, acontecendo sob a bênção condescendente de
Barack Obama, o socialista norte-americano comprometido com a nova ordem mundial. Esse degrau é um caminho sem volta. Se a
destruição do dólar vier nos próximos anos, como parece que virá por força da
irresponsabilidade do governo dos EUA na adminsitração da sua moeda,
obrigando à criação de um moeda mundial, teremos consumado finalmente um
poder supranacional, o terror burocrático que é o pesadelo de todos os
democratas. Que é a consumação da destruição das liberdades que, mal ou bem,
vigeram ao menos no Hemisfério Ocidental desde a Idade Média. Será como o fim
dos tempos. Quem viver verá. |
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