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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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O FIM DO LIBERALISMO? 29/09/2008 A severa crise financeira que se abateu sobre o mundo
capitalista leva o observador a pensar os acontecimentos em perspectiva
histórica. Estaríamos vivendo o equivalente ao que aconteceu em 1929? Se a
resposta for positiva – e temo que seja verdadeira – é de se esperar todos os
desdobramentos já vistos àquele tempo, inclusive no circuito de poder
mundial. É bom lembrar que a crise de 1929 é uma das causas mais remotas da
II Guerra Mundial. Foi o fim do Império Britânico. Ou haverá algum paralelo com o fim do comunismo stalinista,
com a queda do Muro de Berlim e o fracionamento do império soviético, no
começo dos anos 90? Será que o modo de vida do Ocidente está entrando em
colapso? Estamos vendo o fim último do liberalismo? Aqui as respostas não
podem ser diretas. É claro que o epicentro da crise será nos EUA, secundado
pela Europa. Daí concluir pelo fim do liberalismo há um salto espúrio. Em primeiro lugar, a crise não é das instituições liberais,
muito ao contrário. Uma das qualidades superlativas da ordem liberal é a sua
capacidade de auto-regulação, seja no plano econômico, com sua mobilidade de
preços, de capital e de mão-de-obra, seja no plano político, com a
alternância de partidos no poder. Essa forma auto-regulada de existência tem
sido o antídoto contra todas as crises e todos os surtos totalitários que
ciclicamente assolam o Ocidente. Em segundo lugar, é bom lembrar que a crise ora vivida tem
origem precisamente na fuga da receita liberal. Os críticos mais competentes
e isentos do que tem sido a política econômica dos EUA e da União Européia
têm mostrado que esses países têm vivido além de suas possibilidades. Fizeram
da capacidade de emissão de moeda fiduciária um modo de vida. As instituições
bancárias “podres” só puderam persistir em face da abundância de dinheiro
barato. É claro que isso levou a desindustrialização, tornando países como
China e mesmo o Brasil plataformas de exportação e detentores de enormes
superávits comerciais, contrapartida dos déficits gerados pelos países ditos
ricos. Esses déficits espelham precisamente que os países passaram a viver
além das suas posses. Claro que um desequilíbrio desses um dia cobraria sua
conta. É chegada a hora. Então a crise tem origem na traição do ideal liberal e não na
sua prática. Emissão descontrolada de dinheiro, excesso de governo e de
impostos, gastos descontrolados, tudo isso é sinônimo de socialismo e não de
liberalismo. Há muito que o socialismo tomou conta dos países que agora estão
em crise. Aí que está a ironia da coisa: os inimigos do liberalismo
acusam a este último de ser o causador daquilo que ele não poderia causar.
Pior, para enfrentar a crise vêm com suas velhas receitas estatizantes e
regulatórias, quando um liberal simplesmente daria de ombros e diria: “-Quem quebrou, quebrou”, fórmula que em
um ano traria a economia de volta à prosperidade. Mas os inimigos do livre
mercado não descansam e jogam nos ombros daqueles que lutam pela liberdade
uma responsabilidade que é só deles mesmos. A solução é uma só: reduzir o Estado, pelo lado da receita, da
despesa e da regulação. É fazer retornar a velha ética liberal, que está na
Bíblia: que cada um coma o suor de seu próprio rosto e que essa cambada de
parasitas que vive dos impostos volte a trabalhar.
Que se restaure o princípio da poupança individual para bancar o bem-estar
das famílias e a aposentadoria dos velhos. Que cada um arque com as
conseqüências de seus erros e incúrias. E de suas falências. O Estado não tem
o direito de tomar dinheiro dos que trabalham e têm tirocínio para dar a
vagabundos e parasitas. É simples assim. A ética liberal é imorredoura porque é a única capaz de prover
a humanidade de um instrumento racional para o exercício da liberdade. É a
condição também da prosperidade. A crise atual é um aviso para que os homens
voltem a viver dentro da realidade e não no delírio alucinado que tem por
nome socialismo. |
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